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Chicago na saída
Da série: quem diria que iam ficar uma bosta depois. AQUI
Escrito por mntt às 16h47
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2017
Algumas previsões furadas para a cena musical daqui 10 anos:
- O Radiohead voltará pela quinta vez seguida ao Brasil. A Ilustrada estampará a manchete "Quem precisa de Radiohead?". Lúcio Ribeiro vai afirmar em seu blog, com toda ironia que lhe é peculiar, que "enquanto a nova música pulsa na Inglaterra, o Brasil recebe mais uma vez os tiozinhos do... Radiohead".
- Uma nova droga sintética, o VMC (Virtual Music Creator), vai revolucionar a cena rave. Uma vez ingerido, o VMC torna possível que o usuário ouça em sua mente sua própria música. As festas não terão mais DJs ou equipamentos de som. O mote será o silêncio. Cada um dançando seu próprio som inexistente. Será decretado o fim da música. Os jornalistas modernos e descolados vão achar o máximo.
- Por outro lado, o rock renasce na forma do neo-grunge, movimento que toma de assalto Nova York e Londres. Cavanhaques, camisas listradas de flanela e tênis Nike pretos são vistos nas passarelas de Paris e Milão. O i-Pod de estréia do grupo britânico Seattle'91, intitulado "Grungepallooza Years", é considerado pela NME como "a maior obra roqueira de todos os tempos".
- O CSS, banda brasileira outrora famosa na Europa e Estados Unidos, vive no ostracismo e ensaia um retorno. Participa do programa Rei Majestade, da emissora/portal GloBTRecorduol. Caetano Veloso vê e convida o grupo para participar do disco de art-axé que vai gravar com Sandy Mansur Diniz Onassis. Afirma que será uma canção em homenagem ao irmão de Sandy, Júnior, que após um envolvimento conturbado com drogas se tornou uma mulher casada e feliz. Depois nega. Depois nega que negou.
- A MTV, emissora jovem especializada em humorísticos e programas de auditório, choca sua audiência e afirma que vai exibir um musical. Será um retorno às sua raízes, num formato consagrado nos anos 90 e começo dos 2000. O "Acústico Bandas Emo" traz de volta diversas bandas que fizeram sucesso e estavam fora dos holofotes. O CPM22 convida a dupla Chitãozinho e Xororó para sua interpretação desplugada de "Me Dê Motivo". O projeto é um sucesso e traz o emo de volta para toda uma nova geração.
- A festa Trash'2000 toma de assalto o País. Shows de Latino, Kelly Key, Wanessa Camargo e Bonde do Rolê lotam as casas noturnas da Barra Funda, a nova meca-baladeira dos ricos e famosos paulistanos.
- Com a aposentadoria de Paul McCartney, Ringo Starr reformula os Beatles, com Liam Gallagher nos vocais, Eric Clapton na guitarra e cadeira-de-rodas e Liminha no baixo. Após uma série de shows lotados no Brasil, são a atração principal do Rock in Rio Marte.
Escrito por mntt às 14h56
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de balada
operação Aqui na firma ofereceram um convite pra assistir um negócio chamado Ópera Eletrônica, que eu não tinha idéia do que se tratava. Fui me informar e descobri que é uma festa que leva esse nome só porque à uma da manhã acontece um remix de "O Guarani", de Carlos Gomes. A organização tenta trazer outra ótica pro evento, "a proposta da montagem é atrair um público que não esteja acostumado a freqüentar óperas. A música erudita já tentou de tudo. Agora estamos oferecendo um caminho novo". Sei. Então que vai ser aquela balada de djs e vjs. Os convites, de 50 contos cada, foram doados, e a juventude aqui pirou. Mas o que me faz escrever é o desejo de reforçar o quanto a modernidade paulistana é caipira, com todo respeito aos caipiras. Mas pode reparar, todo evento muderninho traz e baba por um dj internacional, e, no caso dessa festa [que merece destaque numa Ilustrada da vida], o tal internacional não tem nome, ou não querem divulgar, e não sabemos se ele é boliviano, palmeirense ou de Itaquera mesmo.
shop I Ontem a Alexandra indicou a leitura de um livro para me inspirar para futuras idéias. É o Dicionário do Demônio ["The Devil's Dictionary", de Ambrose Bierce, 1911], cuja íntegra se encontra nesse link. Entrei em contato com a Livraria Cultura pra saber se tinha por lá, e acabei descobrindo que entre as várias versões, dava pra encomendar uma por mais ou menos 7 reais. Tá bom, você vai dizer que é melhor imprimir tudo do link. Faça isso. Eu fui na Cultura encomendar e acabei descobrindo que outros livros da mesma coleção [Dover Thrift Editions] têm preços bastante razoáveis, considerando o absurdo que custa a cultura nesse país. Comprei "Wit & Wisdom", Oscar Wilde por R$ 4,16. "The Country of the Blind", H. G. Wells, R$ 5,54. "Monday or Tuesday Eigth Stories", Virginia Woolf, R$ 4,16. "The Oil Jar and Other Stories", Pirandello, R$ 4,16. "The Queen of Spades and Other Stories", Pushkin, R$ 6,93. Nem gibi da Mônica custa isso. PS1: O site com o catálogo da Dover é: www.doverpublications.com PS2: Vai ser a trezentésima vez que vou tentar ler Virginia em inglês. Tá 300 a zero pra ela.
shop II Enquanto esperava a confirmação da encomenda, fui ver os dvds. Caros como sempre, tava desencanando quando vi "To Brian with Love", dos Rolling Stones, por R$ 12,40. Comprei. Em teoria seria um documentário sobre a morte do guitarrista, com algumas performances da banda. E de fato as performances estão lá, em forma de truquinho. Fizeram uma compilação de dois shows da banda, ambos existentes [e completos] em dvd. Um deles é "Rock & Roll Circus", de 1968, que no original tem participações bem bacanas de The Who, Marianne Faithful, John Lennon e Eric Clapton. O outro, que já mencionei aqui no Atonal é "The Stones in The Park", show que realmente aconteceu dois dias após a morte de Brian, reunindo 500 mil pessoas no Hyde Park, em Londres. Ambos são showzaços, com os caras no auge, e, noves fora, pra quem não tem nada, por 13 contos, "To Brian with Love" vale a pena.
Escrito por ronas às 17h45
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detalhes tão pequenos

Gente coisa é outra fina. Bastou 40 minutos, o tempo record de permanência num balaco d' Ville Olympie. Mesmo assim as lentes paparazzi não perdoam. Search and Destroy. A estrela? Aqui entre Thiagos, Betos e Bárbaras, o amigo Alex exala fama, exibe estilo na festa das golden girls. Um must.
Escrito por ronas às 10h56
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não confunda cú com bunda

Muito antes da molecada de hoje em dia torrar num sobretudo preto e borrar a maquiagem com a choradeira, surgiu uma vertente do punk que juntou elementos desse movimento com levadas mais arrojadas de gente como David Bowie e Roxy Music. As experiências incluiram também pitadas de disco, dub e Krautrock, chegando assim no que foi denominado pós-punk. A lista de bandas é longa e variada; Joy Division, Bauhaus, The Cure, Siouxsie and the Banshees, Gang of Four, Echo & the Bunnymen, The Fall, Suicide, Magazine, Public Image Ltd. e Wire são alguns exemplos. Algumas dessas bandas optaram por um som mais denso, com letras obscuras, quase religiosas, e um visual mais soturno, coberto de negro. Maquiagens marcantes e bijoterias também faziam parte da indumentária. Apesar de se dizer que o dark, ou goth rock, nasceu com o single "Bela Lugosi's Dead", do Bauhaus, em 1979, foi apenas em meados dos anos 80 que algumas bandas acrescentaram um quê de dramaciticidade sonora ao formato. Era a vez de The Mission UK, The Sisters of Mercy e Alien Sex Fiend, Fields of the Nephilim e Stockholm Monsters, entre outros. Como algumas bandas do primeiro grupo "pularam" pro segundo, começou uma confusão entre os estilos. Que, pra piorar, foram apropriados, nos anos 90, pelo heavy metal, criando outras ramificações, que provavelmente deixaram como legado final o emo.
Triste, não?
Pra compensar, aqui o Bauhaus, ao vivo, com "Dark Entries".
Escrito por ronas às 14h05
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sonho ou pesadelo?

"Dois anos depois que matei Blyth eu matei meu irmão menor, Paul, por razões diferentes e mais fundamentais do que quando me livrei de Blyth, e então um ano depois disso foi a vez da minha priminha Esmeralda, mais ou menos por capricho. Este é meu saldo até agora. Três. Eu não mato ninguém faz anos, e não pretendo fazê-lo de novo. Era só uma fase pela qual eu estava passando".

"The Wasp Factory" [Iain Banks, 1984] é extremamente bem escrito, nada como essa tradução tosca que fiz da contracapa. O livro não foi lançado por estas bandas. Já tentei fazer com que amigos próximos o lessem a fim de dividir comigo sua genialidade, sem sucesso. E agora, numa última cartada, apresentei a possibilidade para o Fred, da Barracuda.

Quando li "The Wasp Factory" pela primeira vez fiquei muito impressionado. A história de Frank, um garoto de 16 anos que vive com o pai perto de um vilarejo na Escócia, não era muito normal. A mãe havia largado a família, Eric, o irmão mais velho, estava confinado num hospital psiquiátrico, e o pai mantinha excentricidades como ficar medindo o tamanho de todas as coisas. Frank dissimulava suas frustrações com estranhos atos de violência, e através de rituais bizarros encontrava conforto na sua rotina. Até que vem a notícia de que Eric fugiu do hospital. Então Frank tem que preparar o terreno para o eventual retorno, o que acaba por mexer profundamente no passado e provocar mudanças radicais na vida de Frank.

Dentre algumas mitologias criadas pelo garoto está A Fábrica de Vespas. Trata-se de um velho relógio encontrado num lixão. Cada número tem uma armadilha para matar uma vespa, e cada tipo de morte [no fogo ou até afogada na própria urina de Frank] tem uma simbologia na qual Frank lê o futuro. A vespas são colocadas por um buraco no centro do relógio, e perambulam até encontrar seu destino. Outros templos fazem parte dessa mitologia; há o Pólo do Sacrifício, onde esqueletos de animais mortos por Frank são dispostos para proteger as cercanias.

Quando fui pra Nova Zelândia em 99, conheci um lugar chamado Birdlings Flat, uma praia estranha, toda de pedras, e com um vento tão forte que era possível deitar nele, sem cair no chão. Para se ter uma idéia da geografia local, conseguimos atolar um jipe 4x4 naquelas pedras.

Ali havia também uma pequena comunidade, formada por traillers e casas de latão, o mais próximo que encontrei do que seria uma favela por aquelas bandas. Instantaneamente pensei em "The Wasp Factory", pois seria em Birdlings Flat que eu filmaria o roteiro que um dia iria escrever.

Infelizmente na época fiz poucas fotos do lugar [não haviam as digitais ainda], e, além disso, segundo o Akay, meu amigo local, fotografar a comunidade seria perigoso. Mais tarde, com a Internet em punho, cacei e encontrei imagens, como as que vemos aqui, mas que sinceramente não acho que transmitam a energia do lugar.

Talvez o Fred não goste do estilo, talvez seja tarde demais para editar "The Wasp Factory", mas se você um dia encontrar numa livraria, e for da Barracuda, a culpa é minha.
E o roteiro? O roteiro está na página 4.
Escrito por ronas às 02h27
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The Brogues
Quem me conhece sabe como sou fissurado nas bandas de garagem dos anos 60. Acho um dos períodos mais ricos do roquenrow e dos mais criativos, instigantes e prolixos que já existiram. Peguei emprestado com o Ronas dois dos quatro CDs da caixa "Nuggets - Original Artyfacts From The First Psychedelic Era", caixa que é uma espécie de Santo Graal pra mim (se alguém quiser me deixar feliz é só me dar de presente... rs). Das cerca de 60 faixas dos dois discos, conhecia muitas e tomei contato com outras várias, todas da pesada. Dentre as que eu conhecia tem um som que acho um dos mais bacanas daquela época toda. Tou falando de "I Ain't No Miracle Worker", de um grupo obscuro chamado The Brogues. Os caras surgiram no final de 1964 e duraram só nove meses. Durante esse período de gestação, lançaram apenas dois compactos, um com as músicas "Someday" e "Journey", numa levada mais folk-rock, e outro, este o que interessa, com a citada "I Ain't No Miracle Worker" e "Don't Shoot Me Down", duas sonzeras com pegada punk e que "colam" logo na primeira audição. Ambas estão em outra excelente coletânea que abrange a década de 60, a "Psychedelic Microdots Vol. 1". O Chocolate Watchband, outra bandaça dos anos 60, fez uma versão semi-acústica bem boa de "I Ain't No Miracle Worker". Curiosamente, a música falhou nas paradas em todo mundo, à exceção da Itália, onde foi um enorme sucesso e recebeu até uma versão ("Ragazzo di Strada") do grupo I Corvi (veja aqui). "Don't Shoot Me Down", por sua vez, costumava ser tocada pela banda garageira-revivalista dos anos 80 The Tell-Tale Hearts (veja aqui). Infelizmente não achei imagens dos The Brogues no YouTube, mas se quiser caçar as músicas na Internet, fica aí a dica.
Escrito por mntt às 18h03
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When the music is over
Ontem fui ao aniversário de uma amigona. A festinha foi num bar muderno dos Jardins. Valeu pelos amigos, mas a música... era um tal de eletro house sacal até não poder mais que, para mim, parecia um mantra interminável. Juro, devo ter ficado umas quatro horas lá e a sensação era de que a música não mudou nunca. O mais estranho é que eram uns cinco DJs se revezando. Aí eu matei a charada: na cena eletrônica não são os DJs que trocam de música, é a música que troca de DJ.
Escrito por mntt às 17h31
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meia bomba
Essa história dos Los Hermanos anunciarem o "fim" e fazerem shows de despedida me lembra a lenda da despedida à russa. Pra quem não conhece, a diferença entre a saída à francesa e à russa é que, na francesa, você vai embora de uma festa sem se despedir de ninguém, ou quase ninguém. Na russa, você se despede de todo mundo, mas não vai embora.
Parece que os caras resolveram dar uma bombada - $ - antes de ir pra casa.
Escrito por ronas às 10h01
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