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Ontem dei uma olhada por cima na Rolling Stones de abril, que mantém o bom nível das outras edições. Uma das reportagens falava dos efeitos do som no cérebro humano. O Dr. Daniel Levitin, lá nos anos 90, além de tocar em bandas punk, ajudou a produzir discos de Chris Isaak e Blue Öyster Cult, mas hoje pesquisa os efeitos supra citados. Usa lá equipamentos que pesquisadores usam, mapeando o cérebro enquanto a cobaia ouve, Mozart, James Brown ou Eminem. Pensei assim que, chega uma certa idade, quando os ouvidos não estão mais virgens, muito pelo contrário, fica difícil escutar certos sons sem perder a paciência. O vício da escuta ocupou e colou em certas partes do cérebro e pronto, não há o que descole, apesar do medo disso acontecer. E volta e meia abrimos excessões, com boa vontade, e algumas surpresas, para o bem e para o mal, podem surgir.
Outra coisa que li na revista foi a resenha que o Alex aqui do Atonal escreveu sobre o novo cd dos Stooges. Curiosamente depois disso, caiu na minha mesa o novo cd dos New York Dolls, e, após relutar um pouco, resolvi ouví-lo. Trocando alguns eventos e nomes, o texto do Alex poderia ter sido escrito para ambos os ícones do rock dos 60/70. "One Day It Will Please Us To Remember Even This", ufa, nome do álbum dos Dolls, mesmo sendo inferior ao que os caras já produziram, mostra um retorno sólido, muito melhor que certas coisas que ouvimos por aí e, por exemplo, melhor que outros retornos recentes, como o do Buzzcocks. Aí caímos na [já?] velha ladainha da continuidade de certas bandas [Stones, Deep Purple, a lista é longa], e do retorno de outras [mais uma longa lista além dos mencionados acima]. Será que vale a pena questionar isso? É que nem televisão, se não estou afins de ir no show do Jethro Tull [êta exemplo], não vou e pronto. E se minha filha imaginária quiser ir eu a suborno e pronto. Não é assim que lidamos com filhos?
Li também a entrevista da Juliette Lewis, conhecida por seu trabalho como atriz em "Assassinos por Natureza" e na refilmagem de Martin Scorcese de "Cabo do Medo". Juliette decidiu partir pro rock [Atonal, setembro de 2006], juntou-se aos seus Licks, e já está no seu segundo cd, "Four on the Floor", lançado aqui no Brasil pela ST2 Music. Esse cd não caiu na minha mesa, mas caiu perto e pedi emprestado, curioso. E é o seguinte, é bem razoável, de novo, considerando a média do mercado atual. Pelo menos eles não são emo, não são pretenciosos, na bateria tem um tal de David Grohl, a moça parece estar se divertindo e tem um estilo bem, eu diria, gostoso. "Four on the Floor" obviamente tem clichês, passando por Hives ou Liz Phair; e não parece ter uma linha definida, apesar de Juliette considerar-se hard rock. Entretanto, no fim das contas, tudo isso parece não ter muita importância, porque o que vale é que não passei as faixas desesperadamente, pra me livrar logo de um eventual ruído, que pudesse descolar as já calejadas e felizes imagens sonoras dessa minha cabeça oca.
Escrito por ronas às 20h34
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Cat Lips

A história nem é tão nova, mas vale a curiosidade. Veja isto aqui e depois isto aqui. Os Lips aceitaram dividir os créditos sem pestanejar... também, nem tinha como negar, né?
Escrito por mntt às 20h25
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me tire daqui!!!
Se você não ficou satisfeito com a lista de shows do Via Funchal que coloquei alguns posts abaixo, saca só a do Citybank Hall!!! Oswaldo Montenegro, Caetano Veloso, Pedro Mariano, Emmerson Nogueira, Nando Reis e, gran finale, Engenheiros do Hawai.
As resenhas que acompanham o anúncio dos shows são uma piada à parte, mas não vou perder meu tempo copiando tudo, basta dizer que no caso do Engenheiros, o show será a gravação do CD e DVD "Acústico 2".
2!!!
Caraca, bem que podiam me dar férias em maio de novo.
Escrito por ronas às 19h55
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O grande truque

Quando eu vi "Réquiem Para Um Sonho" (2000), do diretor Darren Aronofsky, achei um filmão. Depois fui atrás do seu trabalho anterior, "Pi", de 1998. Não gostei e passei a achar o "Réquiem Para Um Sonho" menos legal do que tinha achado. É que em ambos o cara repetiu recursos estilísticos e fiquei receoso de ser um daqueles diretores cheios de maneirismos. Bem, ontem assisti ao seu filme mais recente, "Fonte da Vida" (2006), com o Hugh "Wolverine" Jackman e a Rachel Weisz. Perdi todo o respeito pelo diretor. É uma besteira pretensiosa, confusa e metida à metafísica. Eu gosto de filmes "difíceis", mas achei esse completamente sem propósito.
Escrito por mntt às 18h13
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Só mais uma coisa
Ronas perguntou dois posts abaixo qual banda nacional daria pra deixar rolando num jantar. Sei lá, acho que o Hurtmold rolaria num jantar, digamos, atonal... rs
Escrito por mntt às 16h11
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Virundum
Um virundum é aquela letra de música que queria dizer algo, mas as pessoas entendem outra coisa, geralmente surreal e hilariante. O próprio termo "virundum" é um virundum e vem do Hino Nacional. Em vez de "Ouviram do Ipiranga" as pessoas entendem "O virundum Ipiranga". O mais conhecido aqui no Brasil é o famigerado "Trocando de biquíni sem parar" no lugar de "Tocando B.B. King sem parar" ("Noite do Prazer", do Brylho). Existem outros sensacionais como "Alagados, Flinstones" ("Alagados, Trenchtown", na música dos Paralamas) e "Entrei de caiaque no navio" ("Entrei de gaiato no navio", de novo dos Paralamas). O meu pessoal era "E você que é mal-passado e não vê", de "Como Nossos Pais", do Belchior na voz da Elis (o original é "E você que ama o passado e não vê").
A versão em inglês pra essa história toda é o "Kiss this guy", virundum em "Purple Haze", do Hendrix. Os gringos cantam, em vez de "Excuse me while I kiss the sky", "Excuse me while I kiss this guy". Entre os melhores estão o de "Get Back", dos Beatles (em vez de "Jo Jo was a man who thought he was a loner/but he knew it wouldn't last", entenderam "Jo Jo was a man who thought he was a woman/but Lucy knew it wouldn't last") e um de "L.A. Woman", dos Doors, meu preferido: "Well I just got into town about an hour ago" virou "Well it's been about an hour since an hour ago" (?!?!). Nonsense puro. Para conhecer mais e dar umas risadas vale visitar aqui e aqui.
Escrito por mntt às 15h18
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Ao sair do avião
Dia desses rolou uma discussão sobre o valor do Djavan para a música brasileira. Nunca escondi que detesto o trabalho do cara. Tirando uma (UMA) música - "Flor de Lis" - acho tudo muito chato, repetitivo - por isso apelidei ele de Déjà Vu. É sempre aquela mesma levadinha sincopada de violão, umas baladinhas de quinta categoria, letras sofríveis ("É mais fácil aprender japonês em braile do que você decidir se dá ou não" é das coisas mais cafonas e idiotas que eu já ouvi na vida) e incompreensíveis. O Djavan deve ser o único cara na história da música mundial cujos virunduns (ver post acima) fazem mais sentido do que a letra original. Exemplo? O que tem mais nexo: "Açaí, Guardiã, Zum de Besouro, Um Imã, Branca é a Tez da Manhã" ou "Ao sair do avião, vi um besouro, um limão"? A última, é claro! O que mais me irrita, porém, é o argumento que usam para defender a música do cara. Sempre é um papo do tipo "mas aquele semi-tom que ele colocou no quarto compasso em ré be-mol mudando o tempo de 5/3 para 4/2 foi genial!". Ah que saco! Não sou músico, não sei tocar nem campainha, então que se dane! Eu acho que a música precisa me agradar, e pronto. Alguém pode argumentar: "mas você gosta de jazz, e no jazz tem a mesma coisa". Sim, é verdade. Mas essa é a diferença: eu não preciso entender de semi-tons e compassos para gostar do Coltrane, do Gato Barbieri, do Andrew Hill (que morreu esses dias, uma pena), do Jackie McLean e de tantos outros. Já o Djavan... não dá!
Escrito por mntt às 14h57
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meias verdades

Essa história do tempo que os Los Hermanos vão dar precisa ficar clara, principalmente pra eu poder enfiar o pé na jaca e meter o pau. Veja bem, ainda considero os caras uma das melhores coisas do pop rock nacional recente, mas se posso conjecturar uma teoria, creio que depois do sucessão [sic] de estádio choro comovente em "Ventura", com a vinda de "4" [ui!], depois que Los Hermanos reconheceram Caetano, Maria Rita, Devendra, não havia mais o que fazer, é hora de partir pras cabeças e libertar o espírito de loser que era marca registrada da banda. Quer saber? Foda-se, é que nem no futebol. Não dá mesmo pra exigir que novos talentos não desejem realizar sonhos. Sim, é uma pena, afinal, não temos muito mais que nos orgulhar em termos musicais hoje em dia. Aliás, há quanto tempo sobrevivemos de emo? Diz aí, Alex, um grupo nacional que possamos deixar rolando sob o jantar? E sinceramente, você aí da poltrona, se você fosse um dos hermanos, o que você faria? Continuaria vivendo do karma de "Ana Julia", ou tentaria comer a Silvia, a Marta, a Vera, a Rosana.....
Escrito por ronas às 08h48
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ah, meu, não me enche!
Concertos de superbandas programados para os próximos dias em São Paulo.
Testament [com a banda convidada Scars - ????], Motörhead [com Matanza - ????], Camisa de Vênus [deviam convidar os Espermatozóides, mas não sei se nossa sociedade cristã permitiria tal união], Lobão [não convidaram a Chapeuzinho pra backing vocal?], e, pasmem, Jethro Tull.
Com todo respeito ao passado e o futuro da turba, mas ninguém mais pode me acusar de qualquer coisa por preferir ficar em casa.
Escrito por ronas às 08h30
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Ossos do ofício
Coisas que eu fico sabendo por causa do trabalho: O baixista do grupelho emo Fall Out Boy (eca!) vai abrir um bar em Nova York. Entre as pérolas, o lugar vai ser decorado como a taverna do vilão das "Tartarugas Ninjas", o Destruidor (ah, meu...). Mas o melhor eu ainda não contei. O cara convidou os amigos do grupelho emo 2 Panic! At The Disco (eca 2!) para participar do projeto, mas eles não aceitaram pois nenhum integrante da banda completou 21 anos ainda... francamente.
Escrito por mntt às 17h34
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Encontros e desencontros

Hoje, por força do ofício, assisti ao clipe de uma banda recente, The Fratellis. A música, bacaninha, se chama "Chelsea Dagger". O que mais me chamou a atenção, no entanto, foi o vocalista. O cara parece um clone do Marc Bolan, falecido líder do T.Rex (clique aqui e veja o clipe do Fratellis).
O T.Rex foi um dos nomes mais importantes do chamado "glam rock" dos anos 70. Gravou rocks da pesada como "Get It On (Bang A Gong)", "Telegram Sam" e "20th Century Boy". Bolan morreu num acidente de carro em 1977. (Assista aqui uma apresentação do T.Rex com o Elton John no piano e aproveite pra ver a semelhança entre o Marc Bolan e o vocalista dos Fratellis, Jon Fratelli.)
Quem estava dirigindo o carro que bateu e matou Bolan em 16 de setembro de 1977 era sua namorada, a cantora de soul Gloria Jones (que sobreviveu ao acidente). O maior sucesso dela é "Tainted Love" - sim, aquela depois regravada pelo Soft Cell nos anos 80. A música foi escrita por um cara chamado Ed Cobb, produtor e compositor famoso nos anos 60/70.
Outro grande sucesso escrito por Cobb é "Dirty Water", gravada pela grande banda sessentista-garageira The Standells. Além de deixar outras sonzeiras como "Sometimes Good Guys Don't Wear White" (regravada pelo Minor Threat), "Try It" e "Medication", o grupo apareceu em filmes de baixo orçamento como "Riot On Sunset Strip" (1967) e era convidado regularmente para participar da série de TV "Os Monstros". Numa dessas aparições, tocou "I Wanna Hold Your Hand", dos Beatles.
Por falar neles, a BBC 2, de Londres, prepara um disco-tributo aos 40 anos do clássico "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band". Entre as bandas confirmadas estão Kaiser Chiefs, Killers, Oasis (opa, mas a carreira inteira do Oasis não é um "tributo" aos Beatles?) e os Fratellis lá de cima. Ufa, se não fossem os Beatles eu não ia conseguir conectar todo mundo que eu queria neste post... rs.
Escrito por mntt às 18h32
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Meu erro

Em 14/08/2006 eu escrevi neste Atonal: "Fiquei sabendo que o Folhateen achou 'A Dama da Água', o novo filme do M. Night Shyamalan ("A Vila, Sexto Sentido") uma porcaria. Conhecendo a opinião do povo que escreve lá, deve ser o filme do ano." Ontem finalmente assisti ao DVD. Droga, é duro dizer isso, mas tenho que concordar com o Folhateen. O filme é uma bobagem sem tamanho, um baita escorregão na já irregular carreira do Shyamalan, cada vez mais cabotino.
Por outro lado vi "Cinema, Aspirinas® e Urubus". Grande road movie brasileiro, muito bem atuado, escrito, dirigido e com uma história envolvente. Recomendo.
Escrito por mntt às 15h48
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Alfadelta

Formada em 1994, a banda The Delta 72 é, da safra roqueira dos 90/2000, uma das prediletas deste atonal. Naturais de Washington, acabaram estabelecendo residência na Filadélfia. O grupo lançou três álbuns ("The R&B Of Membership", de 1996, "The Soul Of A New Machine", de 1997, e "000", de 2000) e, infelizmente, se desfez em 2001. Os dois primeiros discos são bem crus, toscos até, porém bem bacanas. O terceiro já mostra uma banda mais lapidada, mais coesa, quebrando tudo com sua soul music alucinada, algo como uns Rolling Stones punks. Tem percussão desvairada, órgão pilantra, vocais malacos e aquela atmosfera de rock sujo de botequim. Não toca em baladas indie descoladas, nunca foi citada pelo Lúcio Ribeiro no seu blog nem foi elogiada pela Ilustrada (o que significa pelo NME) como a salvação do rock. Por isso mesmo é, na minha modesta opinião, um dos grupos de rock mais bacanas dos últimos anos.
Escrito por mntt às 15h19
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Cartola 2
Ah, só uma curiosidade. Sexta e sábado, pessoas de ao menos uns cinco apartamentos diferentes no meu prédio e em prédios vizinhos ficaram ouvindo Cartola no talo. Sensacional.
Escrito por mntt às 18h19
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Cartola

Ao contrário do Ronaldo ainda não fui assistir a "O Cheiro do Ralo", então não posso dar opinião. O que eu fui ver no sábado foi o magistral documentário "Cartola - Música Para os Olhos", de Hilton Lacerda e Lírio Ferreira. Finalmente um documentário brasileiro sobre música à altura do biografado. Não que outros como o do Vinicius e o do Paulinho da Viola fossem ruins. É que eram acadêmicos, "caretas" e pecavam aqui ou ali. O do Cartola não. Inovador, engenhoso, na cadência (do samba?) perfeita, enche os olhos, ouvidos e coração. Os diretores acertam ao evitar aquelas narrativas em off típicas e deixar a música e as imagens falarem por si. Em vez de "então Cartola estourou no País inteiro com seu primeiro disco...", o filme pontua essa passagem com uma música dele e incontáveis imagens de Cartola dando entrevistas e aparecendo em programas de TV. Tudo muito sutil e claro. Outra bola dentro é contar, por tabela, a história do samba e do Brasil, enquanto Angenor esteve vivo. O período militar, por exemplo, é retratado com imagens da época de soldados marchando pelas ruas, só que exibidas ao contrário! O recado é óbvio: o País havia retrocedido. Simples e genial. No mais, sobram imagens raras, boas sacadas como as de ilustrar passagens da vida do sambista com imagens de filmes e, claro, as canções de Cartola, a razão de tudo isso. Fiquei sabendo que, na sexta, a platéia aplaudiu o filme ao final da sessão. Meio cafona, eu sei. Mas vá lá... merecido.
Escrito por mntt às 18h00
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fogo no ralo

A vizinha Pands que me perdoe, mas fui cheio de expectativa assistir "O Cheiro do Ralo", filme de Heitor Dhalia com Selton Mello no papel principal, e saí com a sensação de que eu não entendo cinema. Tudo bem que isso seja um pouco verdade, tem muito mais coisas que eu não entendo, mas eu não sabia que era tão verdade assim. E para fingir que eu não sou cri-cri, digo que o filme não é de todo ruim, até começa bem, com uma bunda, como disse a Pands, maravilhosa, e um tom nas piadas que geralmente eu gosto. A direção de arte também não é exagerada, como em alguns filmes brasileiros que visam o Oscar, e Selton Mello é um baita ator. Mas fica por aí. Partindo do nome, poderia dizer que o filme é ralo. Não nos apegamos a nenhum personagem e não há nenhum tipo de emoção, nem daquelas bem ruins, que fazem você sair do cinema xingando todo mundo. Com o passar do tempo as piadas vão perdendo a força, e tenta-se a chanchada, tenta-se o surreal. A sensação que se tem é que alguns amigos tiveram uma idéia na cabeça, puseram a câmera na mão e finalizaram o clichê. Chamaram o resto da turma para fazer uma ponta e não tiveram coragem de cortar cenas. Dane-se o ritmo. E parece que não há um roteiro; é curioso entrar no site do filme e ver que na ficha técnica não há roteirista. E sem roteiro, me deculpem os modernos, não dá. Pode até ser que seja pela "técnica" utilizada que as pessoas gostem do filme, ou seja, as coisas irem acontecendo, acontecendo até que nada acontece, mas lá pelas tantas eu não via a hora do filme acabar, curioso apenas em saber que tipo de fim dariam para o nó que foi sendo criado no decorrer. E o fim é o mais óbvio possível. Não leia a próxima frase caso não tenha visto o filme.
Mas por que é que no cinema nacional, quando não se sabe o que fazer, mata-se o personagem principal?
Viram? Não entendo cinema e sou cri-cri.
originalmente publicado lá no outro blog
Escrito por ronas às 02h16
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bons bons tempos

O Steely Dan é uma banda seguiu na contra mão dos caminhos do rock. Até porque eles não curtiam muito o rock, preferindo o jazz, o blues e o pop tradicional. Avessos a shows, a banda, que na verdade é um duo [Donald Fagen e Walter Becker], se especializou em gravar em estúdio, sempre trocando sua formação; e assim nasceu o primeiro álbum, "Can't Buy a Thrill", de 1972, que foi um sucesso comercial, tendo colocado dois hits no top ten, "Do It Again" e "Reeling in the Years". A partir de 1974 Steely Dan abdicou totalmente dos shows e produziu ainda alguns hits, inclusive o top five "Aja", de 1977. Em 1980 o duo se separou e partiu para projetos individuais; Fagen lançou o aclamado "The Nightfly", mas depois disso não gravou nada até 1993, quando se reuniu de novo com Becker, que foi o produtor de "Kamakiriad". De lá pra cá, o duo se reuniu de novo em 1994, 2000 e 2006, fazendo concertos que foram bastante populares. Aqui, uma rara apresentação do Steely Dan, em 1973, com "Do it Again". Na foto Fagen [direita] e o vocalista David Palmer, que fez parte da primeira formação.
Escrito por ronamira às 01h56
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sem palavras

Entre os filmes em dvd que eu trouxe das férias está "The Conversation" [1974, Francis Ford Coppola], que acabei de rever. Dirigido entre as filmagens de "O Poderoso Chefão" I e II, "The Conversation" é uma pequena obra-prima. Nele, Harry Caul [Gene Hackman] é um especialista em "grampear" conversas. Paranóico e neurótico, Harry entra em crise após gravar uma conversa que pode deixar em perigo um possível casal de amantes. A cena de abertura mostra o casal caminhando e conversando numa praça lotada em São Francisco. O diálogo é gravado por 3 meios diferentes e depois tem que ser reconstruido no "estúdio" de Harry. Essa reconstrução e os flash backs da cena na praça dão o ritmo do filme, que é também pontuado por um piano climático e clássicos de jazz. É interessante que Harry leva uma vida secreta, ao mesmo tempo que desvenda vidas, mas em "The Conversation" essas não são as únicas coisas que aparentam ser o que não são.
Aqui no Brasil o filme está disponível em VHS, com o nome de "A Conversação".
Escrito por ronamira às 00h58
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mais bons tempos

Não resisto e coloco aqui também "Party Out of Bounds", com o B-52's.
Escrito por ronamira às 17h57
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bons tempos

Em 1985, quando não havia pancadão nem emo, aconteceu no Brasil o primeiro Rock'n'Rio, com um elenco de foder, no bom e no mau sentido. Tive a honra de ser operador de canhão [não, não era um cirurgião de mulheres feias na época] dos shows internacionais. Tive que aturar o Yes e o Scorpions, por exemplo, mas tive também o prazer de ver bem de perto AC/DC, as Go-Go's, o B-52's [com a cozinha do Talking Heads] e a Nina Hagen, aqui na performance de "TV Glotzer".
Escrito por ronamira às 17h28
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atonais e nem tanto

AstorUm clássico Atonal para dias abonados, pós salário. Pratos generosos/saborosos e chopp no capricho, além de delícias como o Dry Martini e o Cajú Amigo, que dizem ser importado do falecido Pandoro. Fica na periferia da Vila Madalena, porém é muito mais "classudo" que os bares do miolo, e sem o stress do trânsito que todo mundo conhece. Falhas graves: Preço salgado, falta de cerveja em garrafa, e abrir para o almoço somente às sextas, sábados e domingos.

BalcãoTambém conhecido por Balzacão, por causa da frequência feminina à noite, o Balcão é outro bar daqueles que o bolso precisa estar saudável. É ideal para um drink depois do cinema nos Jardins ou um sanduiche no almoço de domingo. Fica na Melo Alves. Falhas graves: Preço e só serve chopp ou long neck.
Nesse ponto você já percebeu que Atonal gosta de uma cerveja de garrafa grande.

Drake'sCheio demais à noite, tranquilo demais [isso é bom] no almoço, o Drake's traz uma variedade de cervejas muito boa, que vai desde o pint Guinness, passando pela garrafona de Norteña, e chegando na cerveja da casa, produzida pelo amigo Dudu, da Microcervejaria Nacional. Durante o almoço o Drake's oferece um menu com entrada, prato principal e sobremesa por 14 reais, que, se você não partir para uma cervejada, faz com que a conta seja bem razoável. O problema é que é difícil resistir. O Drake's tem dois ambientes, um mais estilo pub, e outro externo, com um jardim bastante simpático e agradável. Fica no Centro Britânico, em Pinheiros.

Lanchonete da CidadeOutro caro, mas que servia sanduiches bastante diferentes do padrão. Servia, porque, dizem, não é mais tão bom. Então está aqui apenas porque quero me livrar da foto.

ExquisitoAgora sim, esse é um bar realmente Atonal, com certeza o mais Atonal dessa leva, e talvez o mais Atonal de todos os bares. O ambiente é para cima sem frescura, a cerveja, você já sabe, vem em garrafas, e o menu, bem, o menu você imagina com a "exquisitisse" abaixo: Ceviche Aperitivo Peruano feito com deliciosas iscas de pescada branca marinadas no limão, rodelas finas de cebola roxa e fatias de batata doce cozida, ideal para rachar entre três pessoas tomando chopp.

Gopala PrasadaDo vinho para a água, ou para o suco de rosas, aqui é para almoçar saudável com um leve tempero indiano. Tudo de bom e barato, como a fila demonstra.

ManjericãoPor ser originalmente uma rotisserie [ainda o é], o Manjericão serve no almoço delícias com gosto de domingo. Risotos, massas caseiras, carnes recheadas, a variedade do menu é imensa, por preços razoáveis, evitando-se, obviamente, a cerveja importada. E se você gostar, pode encomendar guloseimas pra fazer uma surpresa para sua mãe no final de semana. Fica na Rua Nazaré Paulista.

carrrrrrrrrrrrrnePara quem não sabe, a cerveja Norteña é uruguaia. Apareceu por aqui uns 8 anos atrás e diz a lenda que de tão boa começou a ameaçar o mercado da Ambev, que tratou de comprá-la e domesticá-la. De qualquer forma, a Norteña é uma cerveja mais encorpada que o padrão das nacionais, e vai muito bem com o corte de carne porteño, seja ele uruguaio, como a cerveja, ou argentino. As fotos, respectivamente, são no argentino Martin Fierro e no "Uruguaio da Rua Tupi", que não sei o nome. Curiosidade: O Martin Fierro antigamente era um bar de empanadas, exatamente onde fica o Empanadas hoje em dia. Aí os donos venderam o espaço e o conceito para os garçons e abriram o restaurante, que, além das carnes e morcillas, vende também empanadas.

Maria LimaEsse bistrô fica na Vila Leopoldina, em teoria um lugar não muito "bistrô", mas é isso mesmo que faz do Maria Lima um lugar diferenciado. Você sai do "eixo" de bares e restaurantes simpáticos de São Paulo e encontra um lugar assim: menu caprichado e ambiente aconchegante. Recentemente foram obrigados a tirar as mesas da calçada, perdendo um pouco o clima, mas estão ampliando a parte interna, e vamos ter que aguardar para poder avaliar o resultado. Entretanto, apesar das cervejas de garrafa, o Maria Lima tem preços de bistrô, portanto, para esse Atonal, serve para ocasiões "especiais".

OwanNa linha shopping center o Owan traz novidades. É um oriental sem foco específico. O menu de preço fixo [não é baratinho] é do tipo "coma a vontade" [o que compensa não ser baratinho] e apresenta os tradicionais sushis japoneses, guiozas chineses, e satê indiano. Não tem garrafa grande e não tem área de fumantes.

pastel e caldo de canaUm clássico distribuido pelas feiras livres da cidade.

Rota do AcarajéApesar do nome, "arrota o acarajé" é um restaurante bem Atonal; bom, farto e barato. Tem a já mencionada Norteña e também as variações Patricia e Pilsen. E além de acarajés deliciosos, tem tudo da culinária nordestina, como arrumadinhos e vacas atoladas, que aliás, é como você se sente depois de uma refeição por lá. Fica em Santa Cecília, na Rua Martim Francisco.

ChalasSe você curte uma sinuca, a dica é o Chalas, na Artur de Azevedo. Mesas bacanas, cerveja e porções da pesada, tipo frango a passarinho e mandioquinha. A música ambiente vem de alguma rádio retrô, que faz você se lembrar nostalgicamente da infância. O telão mostra o jogo de futebol do dia. Curiosidade: Os tacos de sinuca que ficam na redoma de vidro, diz a lenda, é para quem vencer uma partida com um dos dois donos do lugar.

Santa MadalenaOutro dos preferidos da gente, apesar do nome, não fica na Vila, e sim numa travessa da Brigadeiro Luiz Antonio. O destaque é um hamburguer de atum com shimeji. Delicioso.
Escrito por ronamira às 15h26
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