atonal - bebendo e aprendendo


infernal



Ia colocar uma mençãozinha na sequência do post do Alex sobre o Bellrays, mas ele já matou a Veja a pau e agora desconjuntou. De qualquer forma, vai fora de ordem. A dica é do próprio Alex; no Youtube, uma cover de Highway to Hell, do AC/DC, pelos Bellrays. Já indica o que vai ser o show por aqui. Sensacional.

AQUI



Escrito por ronamira às 22h04
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Leu na Veja? Azar o seu

Faz um bom tempo que eu deixei de ler a Veja, aquela revistinha de quinta que faz ficção travestida de jornalismo. No entanto, estes dias estava esperando na dentista e peguei uma edição de algumas semanas atrás. Fiquei pasmo ao ler o obituário do teórico, sociólogo e escritor francês Jean Baudrillard. Na boa, os caras se superaram na escrotice. Deve ter sido escrito pelo pateta-mor de lá, o Piolho Mainardi. Olha só as pérolas:

(morreu) o ensaísta francês Jean Baudrillard . Sociólogo de formação, ele ganhou fama escrevendo textos obscuros, muito populares nos cursos de semiologia. Baudrillard fazia arrepiar de entusiasmo o pessoal da pós-graduação, com seu papo-cabeça sobre a "virtualidade" do mundo contemporâneo . Dizia, por exemplo, que a Guerra do Golfo "não existiu". A trilogia cinematográfica Matrix faz menção a suas idéias. Talvez ele tenha sido mesmo um bom autor de ficção científica. Dia 6, aos 77 anos, de câncer, em Paris.

Textos obscuros??? Obras de Baudrillard como "Simulacros e Simulação" são consideradas facilmente como algumas das mais importantes em termos de sociologia nos últimos anos. Quanto ao fato de ele ter dito que a Guerra do Golfo "não existiu", o pessoal da Veja não deve ter entendido nada - como é de costume, diga-se de passagem. A afirmação foi repleta de ironia, pelo fato de a guerra ter sido travada quase como um videogame e ter durado pouco. Bem diferente do atoleiro que os estadunidenses se enfiaram no Iraque há quatro anos. Agora, o que me causou mais nojo foi essa revista ridícula querer emitir sua opinião nefasta até em obituários. Uma excrescência sem tamanho, para usar um termo que eles gostam por lá.



Escrito por mntt às 18h35
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Eba!

Parece que tá confirmado já. Show do Bellrays em São Paulo, dia 31 de maio, no clube Inferno, na Augusta! Finalmente um show bom este ano.

Escrito por mntt às 12h05
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intervalo comercial

Eu de férias. Trarei novidades. Alex toca o barco. Beijos.

Escrito por ronamira às 20h54
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Grinderman

Ronas mandou o link e fui checar. Projeto novo do Nick Cave chamado Grinderman. Sonzera tosca da pesada, parece o encontro do Jon Spencer com o Earl, do "My Name Is Earl". Veja aqui

Escrito por mntt às 18h42
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Pretty Things

Em 1967, enquanto os Beatles gravavam "Sgt. Pepper's Lonely Heart's Club Band" e o Pink Floyd gravava "Piper At The Gates Of Dawn" num tal estúdio chamado Abbey Road, o grupo The Pretty Things registrava, no mesmo local, sua obra-prima, o álbum "S.F. Sorrow". Ao contrário de Pepper e Piper, o Sorrow foi um tremendo fracasso de vendas. Pode parecer heresia, porém, mas eu acho o disco melhor que o dos Beatles e o do Floyd. Espécie de pai da "ópera-rock" - não se deixe enganar pelo palavrão, é um discaço -, inspirou Pete Townshend a compor "Tommy" e ao Pink Floyd a fazer o seu "The Wall", antecipou tendências e, mais de 30 anos depois, virou objeto de culto e teve seu valor reconhecido. A obra conta a história de Sebastian F. Sorrow, personagem que perde a noiva num acidente com um dirigível e embarca numa viagem pelo subconsciente que o leva à loucura. Ou seja, piração total. Para fazer a cama dessa história surreal, a banda compôs um punhado de canções da pesada, psicodélicas, experimentais, ousadas e ultramodernas. Como foi bem colocado no encarte, em relação a uma das faixas-bônus, "Talking About The Good Times": se fosse lançada no começo dos anos 90 pela Creation Records entraria fácil nas paradas indie... e seria elogiadíssima pelo povo da Ilustrada (nota minha, rs). Ao ouvir o disco, a sensação é de estupefação total e de alguns momentos curiosos, como na faixa "Baron Saturday", que começa ao estilo Pink Floyd/Syd Barrett e se transforma em puro Beatles psicodélico - é de se imaginar o quanto as três bandas trocaram idéias durante as gravações e quem influenciou quem. Outra curiosidade é que o grupo pegava emprestada, na surdina, a cítara do George Harrison! De qualquer maneira, para quem gosta de anos 60 e psicodelia, é um prato cheio, vale ir atrás. 

 

P.S.: Lembrei de mais uma curiosidade. O guitarrista e eventual vocalista Dick Taylor fez parte de uma embrionária formação dos Rolling Stones



Escrito por mntt às 17h35
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Teatro. É, teatro.

Domingo resolvi fazer um programa "leve" pra encerrar o dia. Fui ao Espaço Dos Satyros 1, na Praça Roosevelt, aqui em São Paulo, região central, ver o monólogo "Kerouac", com o dramaturgo Mário Bortolotto, cuja última apresentação seria justamente neste dia. Na montagem, com texto de Mauricio Arruda Mendonça e direção de Fauzi Arap, Bortolotto encarna o escritor beat em seus últimos anos de vida, envelhecido, alcoólatra, amargurado e com ideais políticos conservadores. O texto, perfeito, é frenético como a escrita de Kerouac, tal qual um solo ensandecido de hard-bop. Bortolotto incorpora com maestria o espírito do escritor e dá um banho de atuação. E o final, embalado por uma versão ao vivo de "Like a Rolling Stone", do Dylan, me deixou atordoado por uns bons minutos. Tive que sair de lá, parar no bar anexo, tomar uma cerveja e fumar um cigarro para voltar "ao normal". Se algum dia a montagem estiver novamente em cartaz, não perca.

Escrito por mntt às 16h08
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dilema



O amigo Eduardo Logullo é um cara divertidíssimo. Sentar numa mesa tomando vodka é o "prato preferido" e é certeza de muitas risadas. Mas por essas incongruências da vida, Logullo resolveu escrever um livro contando a história da musa da máxima tristeza, Maysa. O lançamento é dia 7, na Livraria Cultura. Vou lá prestigiar, não sei se pra rir ou pra chorar.


Escrito por ronamira às 14h30
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Imagem pública



Dia desses estava com umas amigas numa mesa de bar e surgiu a pergunta: "qual foi, não o primeiro show que você foi na vida, mas o primeiro que te marcou?". Pensei um pouco e me lembrei do PIL (Public Image LTD.), dia 18 de agosto de 1987 (cacildis, quase 20 anos), no Palácio das Convenções do Anhembi. Veja bem. Naqueles anos era um pouco mais difícil bandas gringas relevantes tocarem no País. Eu já tinha perdido o primeiro show dos Ramones, o da Siouxsie e do Echo e, dois anos antes, não pude ir ao primeiro Rock in Rio - não tinha idade nem dinheiro. Portanto, quando soube que a banda do John Lydon aportaria por aqui, fiquei louco. O cara era uma espécie de lenda pra mim, na época viciado em Sex Pistols, punk rock e pirando no PIL, um projeto bastante experimental do ex-Joãozinho Podre, com influências de krautrock, dub, música oriental e rock. E muito importante para a música pop. Para se ter uma idéia, o próprio Lydon disse, numa entrevista à revista Bizz pouco antes de chegar ao Brasil, sobre o disco de estréia do PIL: "... sua forma tem sido copiada por muitas bandas. O estilo de guitarra que eu introduzi, o jeito de tocar as coisas, tudo isso foi copiado massivamente. Grupos como os Banshees, Simple Minds e o Cure, nenhum deles poderia ter seguido carreira sem esta influência. Isso eu afirmo com tranqüilidade. Fui copiado várias vezes, mas nunca melhorado." Tudo bem que faltou modéstia, mas é a pura verdade. De qualquer forma, era esta banda que eu ia ver ao vivo, e mal podia esperar pra chegar a hora. O show foi embasbacante. Lembro que Lydon e cia. estavam afiadíssimos e mandaram todas grandes músicas deles: "(This is Not) A Love Song", "Public Image", "Rise" (talvez o maior sucesso do projeto). Lydon, de bom-humor, soltou gracinhas do tipo: "se vocês conseguem dançar samba quero ver dançarem isto". Bem, eu pirei. Saí de lá maravilhado e certo de que a música era minha grande paixão. Depois vieram shows dos quais eu gostei mais. Esse, porém, foi o primeiro de vários.

Escrito por mntt às 15h52
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