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Duprat

Muito já foi dito - e melhor dito - por aí em função da morte do mestre e maestro Rogério Duprat quinta-feira passada, dia 26 de outubro. Para não repetir o que já escreveram - que ele era o George Martin brasileiro, que arranjou alguns dos melhores discos brasileiros dos anos 60 etc. - vou me ater rapidamente a dois assuntos relacionados a ele. Primeiro, o genial disco lançado em 1968, "A Banda Tropicalista do Duprat". Foi relançado há pouco em CD e é item obrigatório em qualquer coleção. Os Mutantes participam em quatro faixas e só a versão de "Lady Madonna", dos Beatles, vale os roiais gastos. Segundo, o arranjo que Duprat fez para "Construção", do Chico Buarque, uma das canções mais impressionantes que já tive o prazer de conhecer. A maneira como ele pontua passagens da letra (arranjo de cordas que dão a sensação de vôo quando Chico canta "e flutuou no ar como se fosse um pássaro"; os metais que remetem a buzinas de carros no trecho "morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego") é o puro retrato de um gênio. Vai fazer falta.
Escrito por mntt às 18h14
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Menas
O Ronaldo me superestima, não conheço tudo isso não.
Escrito por mntt às 15h34
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perdição

Gentem do céu, eu que achava que na minha idade nenhuma revolução ia ocorrer, tô comendo o pão de mel que o diabo amassou pra entender o que tá acontecendo comigo. Desde que me reconectei com um povo do passado tenho lido cada coisa [clique aqui para ler parte delas] e ouvido cada coisa que sei não. Tem horas que parece que vou ter que trocar todos meus discos. Mas não vamos exagerar. Tempos atrás eu cheguei a dizer aqui que minha coleção de cds estava esgotada e que ia começar a colecionar dvds. De fato tive uma febre e tirei das prateleiras das lojas uns 30, 40. Tudo vinculado com música, seja shows, seja documentários ou videoclipes. Tenho umas coisas bem boas e outras duvidosas, mas tá linda a coleção. A questão é que com a tal reconexão comecei a descobrir um lado do cérebro que estava guardado a sete chaves dentro do meu eu. E o pior, ou melhor [sempre assim], é que muitas das coisas que eu descobri estão disponíveis pra baixar por aí. É um tal de primeiro disco do Roberto [surpreendente quase samba], um tal de Dario Moreno, turco mexicano a carater [foto] e outras coisas bem esquisitas. Além disso, algumas coisas obviamente estão nas lojas. Por exemplo, numa das correspondências ouvi falar e recebi um arquivo de uma moça chamada Vashti Bunyan. Me apaixonei à primeira vista. Daí, sem querer, no final de semana tava fuçando na tradicional Sensorial Discos e tava lá o disco da moça. O Carlos, dono da loja, disse que ela veio à tona por causa do adorado/odiado Devendra Banhart, que inclusive aparece no segundo disco da moça, gravado depois de 35 anos de ostracismo [sic]. Bom, comprei o disco antigo dela, que eu esqueci o nome agora e estou com preguiça de pesquisar, e comprei o segundo Nick Drake, que aliás faz ótima companhia pra Vashti numa noite à luz de velas. O Alex aqui talvez pense: mas que boçal, eu já conheço tudo isso há séculos. Mas eu não, eu só comecei a regredir no tempo muito recentemente, o boçal. Pra você ter uma idéia, o disco mais novo que comprei no final de semana foi "Pretenders II", de 80/81, e isso só porque era um importado por 18 reais. Me pergunta se ouvi o disco. É isso, minha gentem, ainda tem muito pano pra manga nesse Atonal. A revolução apenas começou.
PS: Resumo da ópera, preciso de mais dinheiro e mais tempo de vida.
Escrito por ronamira às 10h41
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thanks god it's MONDAY, please?
Ahh, sexta-feira, dia de abrir o jornal e ver a programação cultural; depois combinar com os amigos, a namorada, com quem for, o que fazer pra se divertir nessa cidade maravilhosa. É, meu amigo, veja o que te espera:
Que tal um G3-06, com Joe Satriani, John Petrucci [who?] e Eric Johnson [what?] no Credicard Hall? "Vai tá assim de mulher"! Aliás, o Credicard Hall capricha na programação, vou mostrar com o comentário da assessoria de imprensa deles. Dia 1 de novembro Armandinho [embarque na levada desse show imperdível], dia 3 Edguy [a revelação do metal mundial na turnê "Rocket Ride"], dia 4 Jorge Aragão [o consagrado sambista no lançamento do show "E aí"], e finalmente, dia 5, Leandro Lopes [o novo ídolo do Brasil]. Demais.
Ainda seguindo os principais anúncios do dia, uma boa pedida é ver "Sweet Charity", com Claudia Raia, que, segundo a Folha de S.Paulo, com seu talento faz evoluir o musical brasileiro. É por isso que a gente lê a Bolha.
Já que o assunto é musical brasileiro, nada como perder tempo e dinheiro com a novidade do momento, "O fantasma da ópera". Acho que quando minha bisavó nasceu já rolava isso em NY, portanto, deve continuar super atual.
Virando a página a maravilhosa "Mostra Internacional de Cinema. Que saudade dos tempos em que eu matava aula e enfrentava as maiores filas de São Paulo, sempre cercado por todos os lados pelas pessoas mais modernas; tudo isso pra assistir um documentário de 12 horas, em grego, mas com uma ótima tradução legendada em pingolês.
Eu acho que deve ter um desconto artístico pro mês de outubro. Porque aqui nessa terra TUDO acontece em outubro. Além da Mostra, da Bienal, do TIM, o MAM também traz uma daquelas exposições tranquilas, "Exposição Concreta '56 - a raiz da forma", onde você fica com vontade de ficar horas na frente de uma obra, curtindo o silêncio.
Uma das páginas do jornal tá repleta de anúncios, escolha a sua turma. Skank, Gloria Gaynor ou Mayck & Lyan? E Black Eyed Peas, encara? E Roupa Nova? E Deep Purple? E Fernanda Porto? Quer algo mais novo? Tem Rasmus, serve? Que tal Angra? E a mais nova invenção do momento, Lulu Hiro? Xoco & Dunga?
É, meu amigo, é sofrimento que não acaba mais. Não dá pra entender as pessoas não conseguirem sair da cidade, "por causa da vida cultural". Não dá pra entender quem vive fora vir pra cá aproveitar o final de semana em shows, cinema, teatro. Vai lá, assiste qualquer merda dessas, que eu vou abraçar uma árvore.
Escrito por ronamira às 16h27
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óbvio ululante
Volta e meia a gente fala aqui de bandas desconhecidas ou menos conhecidas. Volta e meia falamos de alguma coisa mais atual, conhecida, ou criticamos isso e aquilo. Quem acompanha sabe que a gente varia um monte, sem fixar numa tendência qualquer, mesmo que tenhamos nossas próprias tendências.
Tem vezes em que escrever é um parto, e tem vezes que a fluência vinga. Depende muito do assunto. Tem aquelas bandas garimpadas que precisam de uma pesquisa maior, e tem umas coisas que a gente ouve 10 segundos e já sabe o que vai sair. Hoje não vou precisar escrever muito porque o assunto é café com leite.
Acabei de copiar no iTunes a coleção inteira de "Anthology", dos Beatles. Pode falar o que quiser, mas Beatles é demais. E nessa coleção a gente acaba por descobrir parte do porque. São gravações raras, demos, erros, ao vivo, falas dos músicos, ensaios, enfim, 156 faixas do melhor [e do pior] do grupo de Liverpool.
O bacana de "Anthology" é que acabamos por conhecer um pouco do processo criativo dos Beatles. Em "Strawberry Fields Forever", por exemplo, ouvimos na sequência 3 takes, uma demo com voz e guitarra, um take com mais produção mas sem tratamento nos vocais, e a versão quase final. É bastante interessante.
Infelizmente, ao que parece, tiraram "Anthology" de catálogo, uma sacanagem, porque nas 3 caixas [vendidas separadamente, por época], além das músicas todas, vinha um caderninho bacana, com informação sobre cada música, e fotos legais. Por outro lado, com alguma persistência, da pra encontrar o dvd de "Anthology", em 5 capítulos. E é atrás disso que eu vou agora.
Escrito por ronamira às 13h02
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Kill all hippies
Por questões profissionais, estou lendo uns textos sobre raves, psytrance e tal. Eu sempre achei isso, mas vou aproveitar a oportunidade para deixar registrado aqui no blógue. Com esse papo todo de "natureza", "floresta encantada", drogas, sexo livre... pra mim, esse povo da música eletrônica não passa de um bando de hippie metido a moderno. Com uma trilha sonora infinitamente piorada.
Escrito por mntt às 15h44
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... do que ser surdo
Algumas pérolas sobre música que já escutei em 36 anos nesta indústria vital:
"O Led é foda, os caras inventaram o reggae!" - um sujeito pra mim ao ouvir "D'year Maker"
"Essa banda é demais, eles são daquele movimento dos caranguejos, do Pantanal" - uns caras atrás de mim num show da Nação Zumbi
"Toca a música da loira!" "Que loira?" "A lady, a lady zeppelin!" - um amigo baterista me contou
"U-hú! Deep Purple!" - dois moleques num boteco quando o rádio começou a tocar "Cocaine", com o Eric Clapton
"The Purple" - juro que li assim na Folha uma vez
"Cara, essa banda Vitalogy é uma puta cópia do Pearl Jam" - um amigo ao escutar o disco "Vitalogy", do... Pearl Jam
"O Renato Russo trouxe o rap pro Brasil!" - dois sujeitos conversando na fila do supermercado, segurando uma revista com o vocalista da Legião na capa
E para finalizar, juro que quando eu era moleque achava que "Florais de Bach" era uma peça de música erudita...
P.S.: Não coloquei o caso Smiths/Police, pois ele já foi devidamente dissecado neste Atonal.
Escrito por mntt às 11h57
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freelancer
Há um tempão comentei aqui que eu estava pra estrear um blogue novo, dentro do site do Caco Galhardo. Pois bem, tá lá. Clique aqui.
Escrito por ronamira às 00h48
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Crônica de Uma Fuga
Está em cartaz um filmão. É o "Crônica de Uma Fuga" ("Crónica de Una Fuga", 2006), do diretor uruguaio Adrián Caetano. Conta a história - verídica - do argentino Claudio Tamburrini (Rodrigo de La Serna, o impagável Alberto Granado de "Diários de Motocicleta"), preso em 1977 e torturado fisica e mentalmente durante quatro meses pela truculenta ditadura militar de seu país. Se o regime de exceção durou na Argentina menos tempo que no Brasil - foram apenas sete anos, de 1976 a 1983 - esteve longe de ser menos violento e imbecil (é só lembrar da rídicula guerra contra a Inglaterra pelas Malvinas, Faulklands ou como queiram chamar aquelas estúpidas ilhas). E relembrar esse período deplorável da História, não só Argentina, mas da Humanidade, é um dos grandes méritos da película. O outro, é não ser panfletário, é fugir do engajamento político tão presente nesse tipo de obra. Claudio não é um "membro da resistência", um guerrilheiro com ideais que luta contra a ditadura. É apenas um cidadão comum, goleiro de um time de futebol da segunda divisão, que é dedurado aleatoriamente por um "subversivo" para que seus companheiros tenham tempo de escapar. Ou seja, cai numa situação kafkiana e tem que lutar para suportar situações-limite. E o filme não maquia essas situações. Os presos da temida mansão Seré, nos arredores de Buenos Aires, para onde Claudio é levado, eram espancados amiúde, mantidos nus e cheios de hematomas espalhados pelo corpo. E é exatamente isso que é mostrado no filme, o que causa no espectador um certo desconforto, necessário para a compreensão dos fatos. Mantidos em cativeiro, Claudio e outros três presos não atingem momentos "redentores", nem pregam líbelos contra o regime. Querem apenas escapar, deixar de "desaparecer", como diz um personagem à certa altura, numa das seqüências mais tocantes. E quando a oportunidade da fuga surge, eles devem se unir, não para derrubar os militares, mas apenas para voltarem a ter dignidade. É esta a crônica, contada de modo seguro, de roteiro muito bem amarrado, com ótimas interpretações, algo que muitas vezes falta ao cinema brasileiro, tão mais preocupado em criar "teses sociológicas" do que em fazer um filme.
Escrito por mntt às 17h20
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coturno na jaca
Errei! Errei! Errei! Errei! Errei! Errei! Eu assumo. Uma coisa que eu falei no post sobre o documentário Botinada está totalmente equivocada. O Callegari NÃO morreu!!! Isso que dá acreditar em boatos. Sorry, amigo, por ter te matado assim, sem mais nem menos. Mas mantenho parte do meu protesto, porque de fato ele não aparece dando um depoimento sequer. Aliás, outro que não dá as caras e é tão ou mais importante que o Clemente, é o Maurício, voz marcante nos Inocentes das antigas.
Escrito por ronamira às 16h37
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tudo bem, 2006?
Sábado fui à Bienal de São Paulo. Achei que ia ser tranquilo por causa do feriado, mas foi um caos. O bacana é que é "de grátis". O ruim é que parece uma versão mega aquelas exposições do seu filho de 14 anos, na escola. Acho que tem uns 10 projetos que valem a pena, e a próxima Bienal, nesse rítmo, pode acontecer no meu apartamento.
Escrito por ronamira às 15h15
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botinada
 Quando vi na prateleira o dvd "Botinada - A origem do punk no Brasil", pensei; pô, direção de Gastão Moreira, num tem nada a ver. E não comprei o dvd. Dias depois, um amigo aqui falou bem, outro ali falou que era histórico, e mais outro disse que havia poucos exemplares e iria esgotar; dai resolvi que tinha que ter o documentário. Ontem assisti. Tenho uma série de ressalvas, que vão desde a utilização dos gráficos e a textura colocada sobre os depoimentos [eu sei, frescura minha], até um aprofundamento maior quanto à postura política dos punks brasileiros. Fica a sensação de que o que começou como um grito das classes baixas, com música e roupas "diferentes", se tornou apenas uma forma de diversão e motivo pra pancadaria. Foi isso mesmo? Veja bem, o documentário vale a pena, pois mostra imagens raras e a utilização das fotografias é bem legal. Os depoimentos também estão bem editados e contam o que ocorreu com o movimento por estas bandas. É apenas frustrante constatar o que eu já sabia, que além dos "membros" desse movimento não terem a mínima idéia do que era a Anarquia que eles defendiam, a música era bem fraca, geralmente gritada e hardcore, dificilmente percebendo-se alguma diferença entre as bandas. E, pra completar, eu pergunto, por que o Callegari, presente em tantas fotos e tantas menções, não consta na parte final, na homenagem aos já falecidos da história toda. E olha que colocam ali os gringos todos. Faço aqui o meu protesto.
Escrito por ronamira às 21h25
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diamantes loucos
 1. Coloquei pra tocar um greatest hits do Velvet Underground e fui tomar um banho. Quando saí tocava "Venus in Furs", monocórdica, psicodélica, sensacional. Voltei a música pro começo e, de toalha na sala, me imaginei num show em 1970 e embalei no ritmo. Depois filosofei internamente: essa é a sensação máxima que a boa música tem que te trazer, entrega total. Como é possível alguém se sentir assim com as bandas atuais?
Clique aqui para Velvet Underground no Allmusic
 2. Mais tarde assisti ao documentário "The Pink Floyd & Syd Barrett Story", que poderia simplesmente chamar Syd, porque é disso que se trata. O dvd foi lançado por aqui, não custa muito caro, apresenta imagens e depoimentos bacanas, mas é curto, extremamente curto. 49 minutos de psicodelia não é o suficiente pra tentar explicar uma vida inteira de loucura. Entretanto serviu pra filosofar internamente: essa é a sensação máxima que a boa música tem que te trazer, entrega total. Como é possível alguém se sentir assim com as bandas atuais?
Clique aqui para Syd Barrett no Allmusic
Escrito por ronamira às 19h35
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O estado das coisas
"O gozado é que foi oferecido um jabá (a uma rádio paulistana, n.e.) pra tocar o meu disco e eles mandaram de volta dizendo que era muito moderno, não dava pra tocar, nem pagando." Tom Zé hoje na Folha, genial.
Escrito por mntt às 16h50
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Nós somos tão modernos, só não somos sinceros
Hoje faz dez anos que o Renato Russo morreu. Apesar de algumas pessoas me encherem o saco, eu gosto de Legião Urbana. Dos três primeiros discos sem dúvida. Embalaram minha adolescência e acho alguns dos grandes álbuns do rock nacional. O "Quatro Estações", ouvi bastante na época, hoje já me parece um trabalho mediano. O disco seguinte, "V", é um bom disco também. Depois, acho que a banda meio se perdeu, na minha opinião, e lançou trabalhos apenas regulares, em que dá para pinçar uma coisa boa aqui ou lá. Quem me critica por gostar de Legião não sabe o que a banda significava na época, ao menos para mim. Queiram ou não, Renato Russo era um letrista de mão cheia, e isso é algo de que o rock nacional sempre careceu. É só ver alguns exemplos:
"Você é tão moderno Se acha tão moderno Mas é igual a seus pais É só questão de idade Passando dessa fase Tanto fez e tanto faz." - A Dança
"É saudade, então E mais uma vez De você fiz o desenho mais perfeito que se fez Os traços copiei do que não aconteceu As cores que escolhi entre as tintas que inventei Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos De um dia sermos três Trabalhei você em luz e sombra" - Acrilic on Canvas
"Desses vinte anos nenhum foi feito pra mim E agora você quer que eu fique assim igual a você É mesmo, como vou crescer se nada cresce por aqui? Quem vai tomar conta dos doentes? E quando tem chacina de adolescentes Como é que você se sente? Como é que você se sente?" - Mais do Mesmo
Isso, para um adolescente, batia, e batia forte (às vezes ainda bate). Por isso sempre defendo a Legião. Sei que a idolatria dos fãs e a overdose de execuções das músicas do grupo nas rádios torraram a paciência. Sei também que, como disse antes, os caras fizeram muita bobagem numa segunda fase da carreira - tocar Menudo, por exemplo, não dá. Porém, jamais houve uma banda de rock no Brasil com o poder de fogo deles, junto ao público e à crítica! Algo como o Los Hermanos da minha época, guardadas as devidas. Assisti ao que deve ter sido o último show deles aqui em São Paulo, não me lembro se em 94 ou 95. Pouco tempo depois, Renato Russo foi pro lado de lá. Hoje, depois de muitos anos, peguei o primeiro disco da Legião para escutar.
Escrito por mntt às 16h44
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vamos

Acabei de reassistir ao dvd do Pixies, "Sell Out", aquele com milhares de fãs ensandecidos no "Eurockéennes Festival". Sem dúvida, de todas as bandas que "retornaram" nos últimos anos, o Pixies era a mais esperada. Sem dúvida, o Pixies é a banda mais importante dos anos 90.
Escrito por ronamira às 15h10
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Curtas
Algumas rapidinhas só para movimentar o Atonal:
- Nunca fui muito de quadrinhos, mas a notícia de que a Conrad vai voltar a editar álbuns com as tirinhas de Calvin & Haroldo me deixou bastante feliz. Sou fã do moleque.
- "O mundo não é justo, eu sei, mas por que ele nunca é injusto a meu favor?" - Calvin
- Parece que o Chris Martin, do Coldplay, quer tirar uns cinco anos de férias para cuidar da família. Podiam ser 50.
- Dave Lee Roth disse ser fã de Carlinhos Brown. Se por um lado é engraçado imaginar a cabeça do povo do metal entrando em parafuso com essa informação, por outro temo pela segurança e saúde do ex-vocalista do Van Halen. A maldição de Carlinhos Brown é forte.
- A Tower Records, a maior cadeia de lojas de discos dos EUA, fechou suas portas. Uma pena. Antes de conhecer a Amoeba, achava a Tower uma das lojas mais bacanas de música.
- CDs que não páram de tocar em casa: "The In-Kraut 66/74" - Coletânea com obscuridades alemãs das décadas de 60 e 70. Tem psicodelia, soul-jazz, grooves. Da pesada; "For Sail", do Love - Trabalho de 1969, posterior à obra-prima "Forever Changes" e tão bom quanto; "Comic Strip" - Compilação do mestre Serge Gainsbourg que cobre a segunda metade dos anos 60. Traz maravilhas como a faixa-título (depois o Ronaldo linka o clipe aqui, sou um néscio pra essas coisas), "Chatterton", "Ford Mustang" e, claro, o clássico dos motéis, "Je T'Aime... Moi Non Plus".
Escrito por mntt às 16h41
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Cinema II: O filho da volta da vingança da missão
Alguns filmes que vi recentemente e minhas impressões inúteis:
- Pergunte ao Pó: Adaptação da obra-prima do John Fante, um dos meus escritores prediletos. Dirigido pelo Robert Towne, roteirista do clássico "Chinatown" - dizem que ele descobriu o livro quando fazia pesquisa para o filme do Polanski. É a história de um escritor tentando começar uma carreira na Los Angeles dos anos 30. No meio do caminho, se apaixona por uma garçonete mexicana, com quem trava cruéis jogos mentais. Segue ok até a metade, com a Salma Hayek deslumbrante no papel da Camila e o Collin Farrell canastra como sempre no papel principal (Arturo Bandini, o alter-ego do Fante). Depois, fode tudo. Os caras mudaram o final! O que era sutil, singelo e muito triste no original, ficou escancarado e sentimentalóide no filme. Francamente.
- Manderlay: Continuação do maravilhoso "Dogville" e novamente dirigido pelo Lars von Trier. É a segunda parte de uma trilogia elaborada pelo cineasta dinamarquês intitulada "EUA - Terra das Oportunidades" - o terceiro filme vai se chamar "Wasington" - e situada nos anos 30. Após sair de Dogville, Grace (a atriz Bryce Dallas Howard, de "A Vila", que assume o papel de Nicole Kidman no filme anterior) chega a uma fazenda no sul dos Estados Unidos onde a escravidão ainda é praticada. Um pouco inferior a "Dogville", ainda assim é um grande filme, polêmico como o anterior e sem medo de botar o dedo na ferida para cutucar sem dó.
- Amantes Constantes: Filmaço, belíssimo e contundente. Espécie de comentário/resposta a "Os Sonhadores", do Bernardo Bertolucci, acompanha a vida de alguns jovens franceses após o Maio de 68. São tantas camadas, tantas entrelinhas que dizer qualquer coisa sobre o filme aqui seria reducionista, tem que assistir. Com arrebatadora fotografia em preto-e-branco, ainda traz duas sonzeiras na trilha sonora: "Vegas", da Nico, e "This Time Tomorrow", dos Kinks.
- Os Implacáveis: Clássico dos filmes de ação. É de 1972 e foi dirigido pelo mestre Sam Peckimpah. Estrelado por Stevie McQueen e por Ali MacGraw como um casal de assaltantes que acaba tendo problemas após um roubo a banco aparentemente simples. Como de costume, Peckinpah filma as cenas de tiros, sangue, morte e tal com câmera lenta, como se quisesse acentuar a violência. Filmão de macho (rs), que ganhou uma refilmagem mezza bomba em 1994 com o Alec Baldwin e a Kim Bassinger.
Escrito por mntt às 15h24
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Cinema
Assisti novamente esses dias ao documentário "A Decade Under The Influence", que tenho gravado em VHS. Dirigido em 2003 pelo já falecido Ted Demme, irmão do Jonathan ("O Silêncio dos Inocentes", "Filadélfia", "Totalmente Selvagem"), aborda o cinema estadunidense da década de 70, considerada por muitos como um período de renascimento. Com depoimentos preciosos de figuras-chave como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Dennis Hopper e outros diretores e atores, propõe explicar como essa turma trouxe o cinema de volta à "vida real", contando (e muito bem) histórias que podiam acontecer comigo ou contigo, com originalidade, ousadia e criatividade - coisas que não se vê muito hoje em dia -, além de mostrar que alguns dessa mesma turma acabaram criando o cinemão de espetáculo como conhecemos hoje em dia (George Lucas, Steven Spielberg). Mais não vale a pena falar, é melhor assistir. Só tenho uma triste informação: até onde sei, não foi lançado no Brasil.
Escrito por mntt às 15h33
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milagre
 Hoje eu vou ter que concordar com o colunista Álvaro Pereira Júnior. O Sparklehorse é uma das grandes bandas de tiozinho de todos os tempos. Estou curiosíssimo para ouvir esse disco novo, "Dreamt for Light Years in the Belly of a Mountain". E acho que depois que o Alex ver que tem participações de Tom Waits e Stephen Drozd [do Flaming Lips], também vai olhar para o grupo com outros olhos. É que emprestei uma cópia de "Vivadixiesubmarinetransmissionplot" e ele não achou nada demais. É claro que ele vai cobrar que eu olhe pro Flaming Lips de outra maneira também, mas essa é outra questão, eu sou muito mais teimoso, em termos de rock, que meu parceiro aqui. E por falar em teimosia, discordo de uma coisa em relação ao texto do Folhateen. O meu álbum preferido do Sparklehorse é "It's a Wonderful Life", que sequer foi mencionado, e que também tem participações bastante especiais, como PJ Harvey, Nina Persson [sim, do Cardigans], e mais uma vez Tom Waits.
Clique aqui para ver o site.
Escrito por ronamira às 10h37
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double dare
 Curiosamente esse final de semana assisti a dois documentários sobre bandas em fase de criação de álbuns emblemáticos. De um lado "I am Trying to Break Your Heart", do Wilco, dirigido por Sam Jones. Do outro "Some Kind of Monster", do Metallica, com direção de Joe Berlinger e Bruce Sinofsky. Ambos são excelentes documentários ao mostrar as "internas" de uma banda de rock em processo de criação, e, principalmente, suas crises dentro de determinado período. Se Wilco estava no seu auge e entrava em estúdio pra gravar o aclamado "Yankee Hotel Foxtrot", Metallica se desnuda para o álbum premiado com o Grammy, "St. Anger". E ambas as bandas perdem membros durante o processo. Mas as semelhanças param por aí.
 O Metallica tem 20 anos de estrada, e muito sucesso, e muito dinheiro. Em "Some Kind of Monster" a banda decide chamar um terapeuta pra acompanhar, em um presídio alugado, as gravações. Esse é o grande barato do filme; a roupa suja está acumulada por muito tempo, e os caras resolvem lavar tudo na frente das câmeras. Egos florescem e a decadência de longo casamento, sem gozo, fica latente. Pra preencher esse vazio, carros e motos, férias para matar ursos, e 6 meses numa clínica para cuidar do vício do alcóol. A música? Bom, eu discuto qualquer Grammy.
 Já Wilco, ao contrário, é uma banda em seu quarto disco; rapazes mais simples que dirigem carros velhos e não têm dinheiro pra comprar uma soda pro filho num MacDonald's da vida. Claro que os egos estão lá também, tanto que dois membros saem do grupo durante as gravações, que são feitas no estúdio do flat do vocalista/guitarrista Jeff Tweedy. Mas onde o bicho realmente pega é na postura "política" das bandas. Enquanto o Metallica fica preocupado com um processo contra o Napster e os downloads, o Wilco rejeita a proposta de regravar o álbum, feita pela gravadora Reprise, que pertence à Warner; e são despedidos. Enquanto o Wilco batalha e acaba por vender os direitos do disco pelo triplo do valor à Nonesuch, que também pertence à Warner, o Metallica se submete a gravar comerciais de rádio para um tipo de companhia que empresta dinheiro. Francamente, quem é mais "macho", o monstro ou o que tentar partir seu coração?
Escrito por ronamira às 21h24
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