atonal - bebendo e aprendendo


Como é bom ser punk


Saiu em DVD no Brasil e eu assisti no final de semana ao documentário “Punk: Attitude”, de 2005, dirigido pelo Don Letts – um negão rasta gente finíssima que viveu a efervescência do lance todo na Inglaterra de 1977 e depois montou o B.A.D. com o Mick Jones, do Clash. Assisti não, devorei. Juntando com o disco de extras, foram quase quatro horas me deliciando com depoimentos impagáveis de gente como Henry Rollins, Jello Biafra, Steve Jones – que coloca grupelhos como Blink 182 e Linkin Park em seu devido lugar – e praticamente todo mundo importante (e vivo) para o “movimento”. O filme dá seu devido crédito às raízes do punk, indo mostrar desde Jerry Lee Lewis até as bandas de garagem dos anos 60 como Standells e Count Five, em imagens raras. É obrigatório para qualquer pessoa que se interesse minimamente por rock – e pela música pop em geral. Na boa, pensando bem, devia ser exibido nas escolas. Tudo que eu penso, acho e queria dizer e não consigo sobre rock tá lá. Vou separar algumas frases e depois coloco aqui no blog.

Escrito por mntt às 16h15
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camisas clássicas


Decepcionado com o presente? Odeia camisas de lycra? Liga Retrô tem a solução. Acesse e veja por si mesmo. http://www.ligaretro.com.br/

Escrito por ronamira às 12h33
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atendendo a pedidos

Nossa coleguinha Nayana criou um blog. Ainda não merece um link no menu, mas já dá mostras de que pode chegar lá.
Vamos apoiar a menina. http://chichappens.zip.net/

Escrito por ronamira às 10h43
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hoje no Folhateen

MTV é acusada de defender o voto nulo em vinheta

DANIEL CASTRO

COLUNISTA DA FOLHA

A MTV foi acusada na semana passada de fazer campanha pelo voto nulo por causa de uma vinheta em que recomenda à sua audiência que "prepare seu saco, os ovos e os tomates", porque vem aí a "inútil" e "marqueteira" propaganda política.
A vinheta da MTV não fala abertamente em voto nulo. É uma porrada nos políticos do governo e da oposição. Seu propósito, diz a MTV, é estimular o voto consciente e provocar o jovem a também fiscalizar os candidatos que se elegerem.
Mesmo que pregasse o voto nulo, a MTV não deveria ser punida, porque no Brasil é livre a expressão do pensamento.
Para o advogado especializado em legislação eleitoral Torquato Jardim, ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), é bobagem fazer campanha pelo voto nulo, principalmente para o jovem.
Segundo Jardim, o eleitor que tem entre 16 e 18 anos é o mais "engajado" de todos, o que mais preocupa os marqueteiros dos partidos, porque é muito rigoroso. "Esse eleitor tende a escolher seu candidato de forma muito consciente", diz.

Assim esperamos.

Escrito por ronamira às 10h40
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jornal de domingo


Elke Maravilha, 61
Foda-se. Não quero saber da ressaca, quero saber do porre.



8ª Bienal Brasileira de Design Gráfico
Alexandre Wollner, 78: Capa de livro, rótulo de vinho, isso não é design, é ilustração. Discordo. Ou então nada é design.
Gustavo Piqueira, 34: Uma coisa é respeito ao moderno, outra coisa é reverência. Concordo. O mesmo vale para o pós-moderno e qualquer outro movimento.
Até dia 6 de agosto, no Memorial da América Latina.

Dramaturgia na MTV
Depois de namoro na tv e novela mexicana, falta só o Boa Noite Cinderella.

Retrossexualismo
Ah, me deixa em paz.

Pandoro
Morreu mais um bar da velha guarda. Enterrado ao lado do Riviera e do Longchamps. Mas com lápide de mármore de verdade. Houve uma época em que não era tão caro. Pela arquitetura e localização, deve se transformar numa academia de ginástica. Ou pet shop. Ou centro de estética. É o que mais temos na cidade.
Receita do Caju Amigo, drinque mais popular do Pandoro
1 colher de chá de açucar
1 ou 2 cajus em compota
1,5 dose de suco de caju
1 dose de vodca
limão a gosto
gelo
Guilhermino, barman: Tudo isso e mais um segredo que vai para o caixão comigo. Duvido, vai depender de quanto pagarem.



Só no Rio?
O artista indiano-britânico Anish Kapoor faz sua primeira individual na América Latina. No CCBB do Rio. Suas obras estão entre as mais legais que já vi. Do mais!: Kapoor é conhecido pelos ambientes imersivos e esculturas desconcertantes, de forte conteúdo metafísico.

Sem título, 2006
Não poderia deixar de prestigiar os amigos Edu e Jan, afinal, deixei de ir à vernissage pra ver jogo da Libertadores. O acervo deles está no MAM de São Paulo. 300 obras! Uma grande mostra da arte contemporânea brasileira.



Rádio Guerrilha
Mais um amigo. A Barracuda lança o livro "Rádio Guerrilha - Rock e Resistência em Belgrado". Segundo o site: ...conta a história da rádio sérvia B92, formada por um corajoso grupo de jovens que travou uma batalha de dez anos pela liberdade e manteve viva a voz da dissidência ao regime de Slobodan Milosevic. Saiba mais: http://www.editorabarracuda.com.br/

Escrito por ronamira às 12h40
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matusalém reloaded


Buzzcocks circa 1978

Ouvi o tal novo cd dos Buzzcocks, "Flat-Pack Philosophy" [post de ontem]. Não gostei. E como diria o torcedor no estádio: eu já sabia.

Não é que não gostei do novo trabalho, as resenhas do post dizem tudo, basta você misturar todas pra ver que os rapazes de Manchester ainda estão acima da média do que é produzido no punk contemporâneo.
O que eu não gostei foi inconscientemente comparar o trabalho atual com o que vi e ouvi há muitos anos atrás [mais de 20], e naturalmente, posar de tiozinho de novo e dizer que prefiro o velho, etc. E assim retomar o texto do Alex [Matusalém, 26.07.2006] sobre passado e o presente da música, e correr o risco de riscar o disco e ficar chato, chato. Mais do que já me acho.
Alex e eu temos algumas considerações musicais parecidas, senão não teríamos um blog juntos. Portanto, volto a bater na tecla chata. E vou um pouco além.

Primeiro acho essas reuniões de bandas uma coisa perigosa. Principalmente quando além dos shows os caras resolvem gravar material novo. Ok você querer rechear sua conta bancária e viajar em turnê mais um pouco. Ok você relembrar os bons tempos de adolescente e tocar os refrões que fizeram história. Mas daí até compor com o mesmo espírito, não dá. Aos 45 você até pode se apaixonar, mas não vai ser a mesma coisa do que aos 19/20. E suas agruras existenciais e políticas também já não serão as mesmas, como bem mostra o fato de você resolver rechear sua conta bancária. Claro que há excessões - o Gang of Four regravando o som antigo como deveria ser é um exemplo disso - mas na maioria dos casos a tendência é mais do mesmo. Piorado. Por isso o Pixies gravou apenas um single e desistiu de ir adiante.


dois movimentos do passado

Volto ao cd dos Buzzcocks. É uma das bandas mais importantes da história punk e acho ótimo que saiam resenhas falando bem e a meninada descubra a música dos caras. Tomara que pesquisem mais a fundo e percebam que "Ever Fall in Love" não é uma música do Fine Young Cannibals - se é que algum jovem sabe o que é isso. Mas tomara que descartem os cds do Rasmus e Good Charlotte* por acharem desnecessário cópias tão chinfrim. Eu sei que já é pedir demais, mas acho ótimo que na rádio toque essas reuniões ao invés do que se ouve hoje em dia.
Agora, falando dos velhos tempos, é impossível não se emocionar com a construção melódica de "Get On Our Own", "Harmony In My Head" ou "Love You More".
O novo "Flat-Pack Philosophy" não chega aos pés de "Another Music in a Different Kitchen" [1978] ou "Singles Going Steady" [1979], mas tem seu valor. Os vocais, por exemplo, que fazem toda diferença em relação à coldplayzada que rola por aí, está mais maduro, como era de se esperar. Meio que fica por aí. A produção se maquiou, com limpeza de pele e hidratante. Já que é pra ouvir punk prefiro pele seca e até com espinhas.


1999 - disfarçando a idade

Outra coisa. Volta e meia discuto a preguiça da nova geração em ir atrás das coisas. Tudo bem que hoje as coisas sejam mais fáceis, mais à mão, e preciso me acostumar com isso. Porém, com certo orgulho, observo que a garimpagem no passado, sem Internet e sem importados às pencas, fizeram dos meus amigos pessoas mais curiosas, mais profundamente interessadas nas coisas que gostam, até mais abertas para o que não gostam [será???]. Generalizando, o carinha que aprecia música hoje, quando resolve descobrir as influências do punk atual, chega até um Green Day, um Pennywise, e pára.


2003 - sem conseguir disfarçar a idade

Talvez tudo isso não tenha muita importância em se tratando de música punk. Vão dizer: puta cara picunhento. Mas a questão é que esses fatos levam a outros, afinal o punk não é a única música existente, e música é cultura, e cultura somos nós, nossas cabeças, nossos conceitos. Quando leio no jornal que a MTV está sendo processada por fazer campanha pelo voto nulo, penso que tudo isso é reflexo dessa desinformação generalizada que assola a maioria das pessoas, e até a mídia, claro. E se você chegou até aqui nesse texto, é porque em parte concorda comigo.

http://www.buzzcocks.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Buzzcocks


* Que heresia colocar essas bandas num nível próximo de Shelley e companhia. Entretanto, se existe o emo, a culpa é deles.

Escrito por ronamira às 19h35
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amarguras


Por falar em espectadores exigentes [post abaixo], falo agora do filme que revi logo após "Nicotina". Outro pique, completamente diferente.

"Lua de Fel" ["Bitter Moon", Roman Polanski, 1992] é daquele dramas emocionais que se não arrancam lágrimas, colocam você pra pensar. Pensar na loucura das pessoas [porque louco é sempre o outro], pensar na vida. Nada de pieguismo; drama puro, sarcástico e perverso.

Durante uma viagem de navio, Nigel [Hugh Grant] e Fiona [Kristin Scott Thomas] celebram seus 7 anos de casados. Lá eles conhecem um estranho casal, o paraplégico Oscar [Peter Coyote] e a gostosona Mimi [Emmanuelle Seigner].
Oscar conta a história de seu relacionamento para Nigel, conta tudo de forma dúbia e cheia de detalhes, a ponto de deixar Nigel completamente enlouquecido pela sedutora Mimi. E obviamente os problemas de seu casamento vêm à tona.
Não dá pra falar muito mais sem estragar. Basta dizer que Polanski está em seu melhor no seu estilo. Filmes densos, recheados da estranha força do amor e do sexo.


http://www.imdb.com/title/tt0104779/


PS: A música é do Vangelis, mas passa desapercebida.

Escrito por ronamira às 13h39
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fumar faz bem


"Nicotina" [2003], do mexicano Hugo Rodriguez, segue a linha de filmes como o também mexicano "Amores Perros" [que é dos mesmos produtores] e "Snatch", de Guy Ritchie; trama com personagens e histórias paralelas que se encontram, câmera esperta, com zooms e edição rápidos.
A história se passa na Cidade do México, envolvendo uma disputa por diamantes. Ladrões amadores, a máfia russa, um hacker voyerista, uma farmácia e uma barbearia dão a idéia dos personagens e cenários que vamos encontrar pela frente.
Tenso e divertido ao mesmo tempo, e "Nicotina" tende mais à comédia do que ao suspense, é mais um daqueles filmes que não deixam a peteca cair. A trilha sonora é ótima.
Novamente li resenhas de espectadores exigentes demais, acusando o estilo de plágio e tal. Tá na hora desse povo ficar com Bergman pra sempre, ou ir ler um livro de filosofia.
A presença da nicotina do título não é estilosa como na publicidade, mas está lá, clara e direta. Eu fumei uns três cigarros enquanto assistia. Com cerveja.

http://www.imdb.com/title/tt0337930/

Escrito por ronamira às 13h16
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cavalos e aliens


Meu chefe disse: ó, um presente pra você.
É o novo cd do Buzzcocks, "Flat-Pack Philosophy" [2006].
Ainda não tive coragem de abrir e ouvir. Fiquei com medo. E se tiver um emo dentro e ele pular na minha cara? E se grudar na minha cara e ficar colado que nem o Alien? Cavalo dado não se olha os dentes. Então pra que abrir a boca?
Vou deixar esse cd quietinho até uma hora apropriada. Ou pelo menos até eu ter certeza de que não tem um emo dentro.


PS: Não vá por mim, que nem coragem de ouvir teve, leia algumas resenhas abaixo e decida por si mesmo.

pitchforkmedia: ... if someone's good at what they do, and they enjoy what they're doing, punch away.

cookingvinyl: ... "flat-pack philosophy" proves that when you put the right creative personalities together, the magic manifests.

punknet: ... no geral, um trabalho de grande qualidade e que honra a história do Buzzcocks; não chega a ser um sopro de criatividade dentro do gênero, mas já é muito melhor do que 99% da produção punk em todo o mundo nos dias atuais.

contactmusic: ... there is a certain swagger that trickles through this fourteen track album to remind you of the glory days, but also the band does enough to imply there their part in punk’s parade is not yet ready to be downsized.
... Buzzcocks certainly sound more relevant and contemporary than they would have done a few years back, simply because today’s bands owe such a huge debt to those who’ve gone before. Younger punk rockers listen up, these guys have given us much, much more than just the name of a gameshow.

allmusic: ... fast and loud is still the Buzzcocks' preferred mode of attack, but though there are hooks galore to be found on Flat-Pack Philosophy, the tempos have eased up a bit so that Diggle's and Shelley's guitar parts have more room to interact with one another, and bassist Tony Barber's production is clean and roomy while giving the melodies plenty of opportunity to show off their muscle. Very few bands made better use of their teenage mood swings than the Buzzcocks, but Flat-Pack Philosophy shows that they have plenty of compelling things to say about their adult lives, too, which is a good thing for a band whose career now spans four decades.

oh hell, vou ter que ouvir mais cedo do que esperava.

Escrito por ronamira às 17h35
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coisa séria

Save the Lebanese Civilians Petition

Clique no banner acima pra assinar uma petição CONTRA mais esse absurdo.

Escrito por ronamira às 10h47
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clichês


Tem saudades do tempo em que o rock era apenas rock, e não hard, soft, emo, whateverfuckinnametheygiveit? Pois. Claro que não somos completamente puristas, mas vez ou outra damos o play praquela levada básica que os professores de guitarra do meu tempo chamavam de clichê de rock. Ainda chamam assim?
Enfim. O lance é que pulando de galho em galho cheguei a uma dessas bandas que lembram sua mãe [ok, lembra mais a minha tia] dançando vestida numa saia florida ao lado de hippies barbudos. A banda chama-se Eagles of Death Metal. Não se engane pelo nome, afinal, segundo o vocalista Jesse Hughes "o nome surgiu como uma resposta pra um bêbado que dizia que Poison era death metal; eu disse pra ele que Poison era o Eagles do death metal".


A banda ainda tem na sua formação Carlo Von Sexron, apelido de Josh Homme [que já falei aqui duzentas vezes, chega!], aqui tocando bateria. E outros convidados da turma deles.
São dois álbuns, "Peace, Love & Death Metal" [2004] e "Death By Sexy" [2006]. A proposta é se divertir, e o som vai nessa linha, algo próximo de um Rolling Stones - dos bons tempos - de garagem. Tudo com uma guitarra bem suja [quando ouvi a primeira vez achei que o cd tava com defeito] e um vocal escrachado, afeminado, a la Sweet e o glamour rock [pronto, já coloquei um rótulo] dos 70's.


O clássico do Stealer's Wheel "Stuck in the Middle With You" [que está em Cães de Aluguel] é um cover [aqui renomeado "Stuck in the Metal"] que merece estar em qualquer festa de arromba.
Algumas passagens rondam o blues, só que um blues bem mais árido, graças ao ar do deserto da California que paira sobre a cabeça dos membros da banda. Porém, no geral, Eagles of Death Metal parece uma banda de bar daqueles clássicos on the road, onde a platéia de cowboys atira garrafas numa rede que protege os músicos. Ou dança bêbada, depende do filme.
No meu filme eles têm participação especial, inclusive já encomendei uma tatuagem com a capa do disco.

Mais em: http://www.eaglesofdeathmetal.net/

Escrito por ronamira às 18h45
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American Dad


Os Simpsons são tão bons, mas tão bons, que até os derivados ficam bacanas. Um deles é o “American Dad”, exibido por aqui na Fox, às segundas, 23h30, dentro da faixa “Não Perturbe”. Criado pelo Seth MacFarlane, responsável por outra animação bem legal, “Uma Família da Pesada”, segue a fórmula de Homer e cia. Centrado numa típica família americana – bem, não tão típica assim -, parte desse princípio para destilar críticas sociais sem dó nem piedade pra cima dos estadunidenses e seu “way of life”.

No caso de “American Dad”, o chefe de família é o Stan Smith, um agente da CIA conservador xiita (fui redundante?). Sua esposa, Francine, é uma loira com um passado degenerado de sexo, drogas e rock’n’roll. O casal tem dois filhos: a liberal e rebelde Hayley e o nerd metido a cool Steve. Completam a família – e aí entra o típico nonsense de MacFarlane – um alienígena deprimido e alcoólatra e um peixe com o cérebro transplantado de um atleta alemão.

O desenho tira um sarro e é uma das críticas mais contundentes atualmente da doutrina Bush, da tal “América Profunda” e da cretinice geral que assola esta geração. Algumas piadas impagáveis do episódio que vi segunda-feira agora: Um cyber-terrorista começa a dar dor de cabeça aos agentes, que não têm idéia de quem seja o “vilão”. “Como não temos nenhuma pista, vamos invadir uma mesquita”, ordena o diretor da CIA, para euforia de todos; Stan descobre que seu filho é um nerd e parte da ação se desenrola numa feira de ficção científica. Um dos livros à venda se chama “500 motivos porque Krull é melhor que sexo”. Genial.

Escrito por mntt às 16h52
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Matusalém


Muita gente reclama que eu só ouço música velha, não gosto de banda nova e tal. É verdade, mas não é, entende (como diria o Pelé)? A questão é meio complexa, vou tentar me explicar. Até gosto de uma turma que surgiu há pouco, como Fiery Furnaces ou os brasileiros do Mombojó. Gosto bastante de um pessoal que surgiu lá pelos anos 90 e ainda tá na ativa como o Spiritualized, por exemplo. Até acho o Franz Ferdinand bacana. E agora é que a porca torce o rabo. É que em 97,2% dos casos da música legalzinha feita hoje em dia – e o Franz Ferdinand é um dos exemplos – existem coisas similares bem melhores feitas antes (caso do Gang of Four, largamente citado em posts abaixo).


Red Krayola


The Fiery Furnaces

Explicando melhor, se você fuçar, encontra muito mais novidade, artistas inquietos, originalidade, frescor e outros adjetivos na música feita no passado no que na atual. Mas tem que fuçar mesmo. Acha música eletrônica o máximo em novidade? Ouça uma dupla chamada Silver Apples, que lançou seus discos no final da década de 60. Tem loops de bateria e baixo e até um pré-sample. O lance então é rock experimental, o chamado pós-rock de grupos como Tortoise (do qual eu gosto bastante)? Pois procure pelo Red Krayola, dos anos 60, ou então pela turma do Krautrock alemão (Can, Neu). Tá tudo lá. O novo rock do Strokes? Ouça Modern Lovers, cujo disco é da primeira metade dos anos 70 e me diga se não é a mesma coisa.


Can


Neu

Sei que sou meio chato, mas o que penso é: pra que babar e “perder” tempo com essa turma atual se no passado tem coisa similar e melhor feita (e feita antes, o que conta muitos pontos). Pra que escutar Seu Jorge se o Jorge Ben dá de mil a zero nele? Não que eu não acabe gostando de artistas “derivativos” – curto Cachorro Grande e os caras “só” fazem rock’n’roll. Mas é que a música feita há muito, muito tempo, numa galáxia distante, me dá mais prazer e me surpreende bem mais.


Mombojó

E se é pra gostar de Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê, fico na década de 60 mesmo e não quero nem saber.
Ou como diria uma banda aqui de São Paulo, o Numismata: "nem tudo que é velho é arcaico, nem tudo que é novo é útil".

Escrito por mntt às 19h50
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go4- 3

Esqueci de colocar no primeiro post sobre os caras. Parece que o disco "Return the Gift" (2004), uma espécie de coletânea em que eles regravaram suas músicas, segundo eles, "como elas deviam soar" e mais um CD bônus com vários remixes, vai sair no Brasil. Mais uma boa notícia.



Escrito por mntt às 15h56
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um novo dia


Ontem assisti em dvd "Capitão Sky e o Mundo de Amanhã" [Kerry Conran, 2004]. Fui fazer uma pesquisa pra escrever esse post e uma das coisas que me chamou a atenção foi um comentário de um espectador dizendo que foi o pior filme que ja assiti. Pessoal, cadê o bom humor?


"Capitão Sky...." é divertido acima de tudo. Tem uma direção de arte incrível, personagens curiosos, e uma história simpática. Entretenimento puro.


O plot é o seguinte: em 1939 - com visual futurista - robôs gigantes invadem o mundo para roubar recursos humanos. Ao mesmo tempo, cientistas estão desaparecendo. A repórter Polly Perkins [Gwyneth Paltrow] investiga esses desaparecimentos e se junta ao seu ex-namorado, Joe "Capitão Sky" Sullivan [Jude Law], para desvendar os mistérios todos. A busca os leva para lugares remotos como o Himalaia e o fundo do mar. Tudo, como já disse, com um visual muito bacana.


O humor, tipo inglês, somado aos personagens como a comandante Franky [Angelina Jolie] e a Mulher Misteriosa [Ling Bai] fazem de "Capitão Sky..." um passatempo garantido pra quem quer pegar leve numa noite debaixo do edredon. Com pipoca.


fotos: © 2004 Paramount Pictures. All Rights Reserved.

Escrito por ronamira às 11h14
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go4 2


No embalo do post do Alex sobre o Gang of Four, reproduzo um post escrito em 23.11.2005 num outro blog que eu tenho.

back to the 80's
Tá, não vale rir.
Antes de existir pirataria em cds, para ouvir o show daquela banda que nunca viria pra cá, era comum eu comprar fitas cassete que traziam de Londres. Algumas vezes essas fitas tinham uma certa qualidade, já que eram gravadas de shows em radio ou direto do PA. Mas o mais comum era o som ir pra fita do gravador de mão de alguém que foi ao show. Ouvia-se as pessoas conversando em primeiro plano e ao fundo a música abafada. Era demais [de bom]. Foi assim que "vi" pela primeira vez B-52's, Cure, Echo, Siouxsie e outras. Obviamente algumas bandas acabaram me contradizendo e vieram pra cá, mas isso é outra história.
Dia desses mencionei que "torrei" uma fortuna comprando cds pela Internet. Um dos cds que comprei foi de um show recente do Gang of Four, no The Barbican, em Londres. Depois que efetuei a compra [17 libras!] desconfiei do site, fiquei com medo de extorsão, mas o Alex, que trabalha comigo disse: "se os caras quisessem roubar mesmo eles venderiam cds do Linkin Park ou algo do gênero". Fato.
Bom, hoje chegou o cd, álias, é duplo. Tá na capa, "Official Live Recording". O mesmo Alex mencionou: "o ruim é que talvez os caras não tenham mais o mesmo pique, o bom é que a qualidade deve ser boa". Não é bem assim, a frase tá invertida, os caras tão a mil e a qualidade do som parece das fitinhas que eu comprava na adolescência. Coisa de colecionadores, como eu; demais [de bom]. Quem quer uma cópia?

Escrito por ronamira às 10h00
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Go4!


Musicalmente falando, acho que a melhor notícia pra mim em 2006 foi saber que o Gang of Four vem tocar no Brasil. Lembro que depois de ter visto em anos recentes shows do Jon Spencer Blues Explosion, Primal Scream, Flaming Lips, MMW, a "volta" dos Stooges e do MC5, entre outros, comentei com amigos que faltavam nessa lista, pra me deixar feliz, o Spiritualized e o Gang of Four - que, doravante, vou chamar apenas de Go4 - entre pouquíssimos outros. Pois a banda, que voltou à ativa em 2004, após duas décadas parada, marcou apresentações por aqui dias 6 de setembro (SP), 8 (Florianópolis) e 9 (BH). Lindo.
O grupo nasceu em 1977 na cidade de Leeds, na Inglaterra, na esteira da efervescência punk da época. Só que foi muito além dos três acordes. As influências iam do funk alucinado do George Clinton e seu "parliafunkadelicment thang" ao krautrock alemão doidão dos caras do Can. Nas letras, o maior engajamento político possível, sem cair no panfletarismo pueril, algo que ficava claro desde o nome da banda - Gang of Four era um grupo comunista chinês, cuja prisão em 1976 é considerada marco do fim da revolução cultural da China.
Formam o Go4 o vocalista Jon King, o baterista Hugo Burham, o guitarrista Andy Gill e o baixista Dave Allen. Lançaram ao menos dois álbuns seminais, "Entertainment" e "Solid Gold". Com a saída do Dave Allen,em 1982, e de Burnham, no ano seguinte, os remanescentes Andy Gill e Jon King seguiram até 1984, quando acabaram com o grupo. Com seu punk-funk furioso, se tornaram influência capital para gente dos anos 80 (R.E.M., Red Hot Chili Peppers) e, mais recentemente, para essa turma do tal novo rock (Franz Ferdinand, Bloc Party). Aqui no Brasil, também deixaram sua marca no rock nacional da década de 80, basta ver a homenagem/plágio dos Titãs em "Corações e Mentes":

"teu beijo é tão doce,
O teu suor é tão salgado.
O teu beijo é tão molhado,
É tão salgado
O teu suor, O teu suor.
Às vezes acho que te amo,
Às vezes acho que é só sexo."

Agora a original, do Go4:

"Your kiss so sweet
Your sweat so sour
Your kiss so sweet
Your sweat so sour
Sometimes I'm thinking that I love you
But I know it's only lust" - "Damaged Goods"

Agora, estão de volta e vem tocar aqui. Sensacional!

Escrito por mntt às 20h11
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parental advisory


Ainda pouco ouvi no iTunes, através da rede interna da firma, o que seria o playlist de um colega, da mesa ao lado. Ele gosta de metal; indo além, gosta de death metal, black metal, coisas que não são nem do ar, nem da terra, apesar de chegarem próximas ao fogo.
A experiência foi uma das mais deprimentes da minha vida. Bandas com nomes como Into Eternity, Sonata Arctica, Catamenia, Scar Symmetry e Blood Has Been Shed. Não aguentei muito e não entendo como alguém pode gostar disso. Tudo bem, diz o ditado, gosto é que nem bunda, cada um tem a sua, mas aquilo é tortura.
Por exemplo, segundo o Allmusic, "Sonata Arctica basicamente soa como Europe com pedaços de Dream Theater. Os discos têm todo o lustre, todo o profissionalismo não ameaçador do metal baseado em programação pop: vocais dobrados em crescendo, passagens instrumentais virtuosas, e uma produção limpa e polida com airbrush".

Cruz credo.

Escrito por ronamira às 19h13
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the queens are over


Se me perguntarem daonde veio essa febre de dvds que abateu minha coleção [calma, ainda não disse meu coração], tenho duas respostas. Uma você já leu no post onde fiz a lista de desejados: estou velho e quero ver/ouvir coisas passadas. A segunda, mais ou menos complexa, foi a compra do dvd/cd "Over The Years and Through The Woods", do Queens of the Stone Age. Complexa também porque não consigo começar um post a respeito. Essa deve ser a sexta tentativa, e cada vez preciso assistir mais uns trechos.

Volto a falar sobre complexidade mais tarde, vou começar por dados técnicos, é mais fácil. "Over the Years...." foi gravado em dois concertos em Londres, em 2005. Tudo que é clássico [pros fãs, óbvio] tá lá, e de todos os álbuns, incluindo uma inédita e o hit "I Wanna Make It Wit Chu", do Desert Sessions. Algumas músicas são intercaladas com aparições da banda nas ruas, com trechos de entrevistas, com comentários de outros músicos que já passaram pela banda. E aqui a complexidade já vem à tona. Nos shows de "Over the Years...." o baixista Nick Olivieri - aquele que ficou pelado no Rock'n'Rio, não está presente. Dizem que ele foi colocado pra fora por mal comportamento, mas, com todo respeito ao substituto Alain Johannes, Nick era a alma dos Queens.
Deixa eu explicar. Acho de fato que a banda é uma das mais interessantes nos últimos anos. Tem uma força que faz falta no pop/rock atual. E grande parte dessa força vinha da presença espiritual do barbudão/peladão. Não imagino o QOTSA a mesma coisa a partir de agora. Eles estão voltando pra gravar em estúdio, quero só ver...

Veja bem, a banda continua demais; Joey Castillo na bateria é um monstro, Troy Van Leeuwen e o mencionado Alain revezam-se no baixo e na guitarra com muita competência e criatividade; a tecladista Natasha Shneider não faz muita falta em se tratando de rockão, mas ok, é uma mina nos backing vocals; e, em geral, como sempre, o mentor/vocalista/guitarrista Josh Homme manda bem.

Mas tirei o dia [o post] pra dar uma de chinfrim, e já que me liberei, vou partir pra ignorância. Josh tem cara de bundão. E como tal, parece estar se transformando em um verdadeiro bundão. Tipo um Bono Vox da vida. Talvez ele até se salve pelas companhias que cruzam seus projetos [Mark Lanegan, PJ Harvey ou Dave Grohl - outro que vai se tornando bundão], mas pelo comportamento dele em relação à Nick, e pelo visto em "Over the Years....", sei não. Talvez isso explique a matéria de jornal que diz, no encarte, plenty of power but no passion. E falo isso como cara que gosta da banda - senão não gastaria uma grana no dvd/cd. O primeiro dos 12 que comprei essa semana [!!!] - é a febre! é a febre!.


Tá, passou a complexidade. Voltando aos dados técnicos, além desses shows de Londres; mais 9 músicas, de shows diferentes, em diferentes formações, vêm de bonus; desde coisas que parecem que foram tocadas no colégio, até a aparição de Billy Gibbons, do ZZ Top.

Então, resumindo, noves fora minha inquietação com o futuro dos Queens, e a capa, que é horrível, o dvd é legal pra caralho. it's only rock'n'roll, but i just fuckin' love it

Escrito por ronamira às 01h10
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legal mas chata


Uma coisa os críticos de Björk não podem negar, a moça é eclética. Do pop alternativo dos Sugarcubes, passando pelos ruídos do Matmos, chegando ao acapella com pinceladas jazzísticas, a islandesa fofinha já fez de tudo um pouco. Ela pode até ser chata de vez em quando, mas já fez de tudo um pouco.

E é impressionante o que há de material de Björk por aí. O site da própria lista alguns dos bootlegs existentes, e só os "ao vivo" da carreira solo são 52. Talvez por isso, somado o fato de dvds estarem na moda, a gravadora Universal lançou "The Live DVD Series", que como o nome diz, traz alguns concertos de Björk ao longo dos anos.

Não sou um hiper fã, mas o preço tentador [20 reais na Nuvem Nove] e a idade do show [1994] fez com que eu comprasse "Björk Vessel". Lá estão todos os hits do álbum "Debut"; como "Human Behaviour", "One Day", "Big Time Sensuality" e "There's More To Life Than This". Tudo em versões semi-acústicas, apimentadas por um instrumental meio orientalizado - ou pelo menos o visual dos músicos o é.

O dvd é curto [talvez daí o preço]; em quase 60 minutos a banda toca, e Björk fala um pouco sobre o ajuntamento dos músicos. No final umas cenas num clube qualquer, a banda interagindo com seres normais.

"Vessel" não é um puta show, desses de deixar de queixo caído, a qualidade do som, 2.0, também não ajuda, mas vale para se ter uma idéia do que é Björk ao vivo. E Björk é chata mas é legal.

Escrito por ronamira às 23h11
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anti-antônimos

Esse final de semana, em uma viagem pra um lugar mais afastado, fui obrigado a assistir um pouco de televisão aberta. Na verdade, aproveitei a desculpa pra ver um pouco da novela polêmica do momento, "Páginas da Vida", da Grobo. Queria ver a Ana Paula Aerósio nua e essas coisas que andam na boca do povo.
Mas não é que ao invés disso tive duas noites de velório da Gloria Menezes.
Fazia muito tempo que eu não via novela [cadê Saramandaia???] e apenas confirmou-se porque I dread it. O que mais me impressionou é que NENHUM diálogo é plausível, nada do que se diz é dito na vida real. E para completar, quando nosso tio avô Tarcísio Meira resolveu fazer um discurso para a falecida ele disse que todos estavam muito tristes e infelizes [!!!!!].
Realmente.

Escrito por ronamira às 18h56
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pra quem quiser arriscar

Essa semana, mais dois shows na Vila Madalena. Recomendo pela música.......

Instituto
26/07 - 24h
Studio SP
R$15

Mombojó
29/07 - 23h
Studio SP
R$20 e R$15

O Studio SP fica na rua Inácio Pereira da Rocha, 170, Vila Madalena, tel. 3817-5425

PS: É uma sacanagem colocar bandas legais, no caso o Mombojó, pra tocar num sábado na Vila Madalena. Esperamos que o público do Studio SP seja mais "coerente" do que o do Grazie Dio!, na noite do Hurtmold.

Escrito por ronamira às 15h54
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noites felizes


Surpreendentemente foi lançado no Brasil o DVD do concerto "Nocturne", de Siouxsie and The Banshees. É uma surpresa porque nem o LP nem o CD sairam por estas bandas. Nem na época, nem nunca, até hoje.
O show, que aconteceu no Royal Albert Hall, em duas noites de outubro de 1983, traz a banda após o lançamento do clássico gótico "Juju", e o seguinte "A Kiss In The Dreamhouse"; com uma formação ligeiramente diferente, já que o guitarrista John McGeoch teve um colapso nervoso. Para substituí-lo, Robert Smith, do The Cure, econômico nos acordes e nos movimentos de palco, bastante diferente do que a nova geração conhece.


Sob "A Sagração da Primavera", de Stravinsky, as primeiras cenas do DVD mostram a ambientação do teatro, o contraste óbvio entre os funcionários velhinhos na arquitetura clássica, e os punks locais.

"Israel", single de 1980, abre o concerto, e já sentimos o clima. Siouxsie descalça, vestida como uma Cindy Lauper dark, saltita/se arrasta/se joga pelo palco; a voz é rock, lamentos, nada de agudos histéricos. Mr. Smith, já disse, parece uma estátua que sabe contar compassos musicais com os pés. Steve Severin, é um dândi dançando com o baixo. E Budgie voa na bateria, ajudado por um ventilador estratégico. A proximidade do público, principalmente em áudio, traz a emoção necessária.


Completam o set "Cascade", "Melt!", Pulled to Bits", "Night Shift", "Sin In My Heart", "Painted Bird", "Switch", "Eve White/Eve Black", "Voodoo Dolly", "Spellbound" e "Helter Skelter", dos Beatles.

Infelizmente o DVD, como o VHS da época do lançamento, não traz canções sensacionais existentes no álbum, como "Paradise Place" e "Happy House". A ordem do show também foi trocada, sei lá porque. Mas pra compensar os extras são bem legais. O especial de TV "Play at Home", uma viagem ao País das Maravilhas com todos os membros vestidos de Alice, e com clipes não só dos Banshees, mas também de The Creatures [projeto paralelo de Siouxsie e Budgie] e The Glove [projeto paralelo de Smith e Severin]. Além disso, o videoclipe de "Dear Prudence", também dos Beatles, e um repeteco de "Melt" e "Painted Bird", no programa de televisão Old Grey Whistle Test.


O show "Nocturne" não têm raio laser, disco voador, escadas, canhões ou telão de alta definição. Nem mensagens por celular. Nem ôôô com a platéia. "Nocturne" vale como registro histórico de uma época em que um show era apenas uma banda cheia de tesão tocando para uma platéia idem.



fotos ao vivo: Robert P.son

Escrito por ronamira às 02h51
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A Gangue

Gang of Four no Brasil em setembro. Meu ano está ganho. Depois escrevo mais sobre eles.

Escrito por mntt às 19h05
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O envelhecimento da loja de CDs II

LEIA PRIMEIRO O POST ABAIXO

De acordo com ele, por todo o país lojas como a Grimey's, em Nashville, a Shake It Records, em Cincinnati, e a Other Music, em Nova York estão mantendo os fregueses jovens ao diversificarem os seus negócios. Além de venderem CDs raros e até mesmo discos de vinil, muitas passaram a oferecer também à clientela jovem gibis, robôs japoneses de brinquedo e roupas. Algumas abriram clubes noturnos anexos, ou, no caso de Levin, cafés.

"A garotada não precisa ir até as lojas de discos, como as gerações anteriores", explica Levin. "Temos que fazer com que eles tenham tal desejo. É preciso que criemos um evento."

Mas a diversificação nem sempre é uma opção para as lojas menores que contam com pouco espaço extra, como a Norman's. A continuidade da sobrevivência de Isaacs como lojista se deve em parte a um negócio paralelos que ele administra vendendo CDs usados na Amazon e na eBay. Ele os compra de fregueses que aparecem na loja e que com freqüência se livram de coleções inteiras.

Ao contrário das ameaçadas livrarias independentes, com os seus tapetes rotos, as prateleiras empoeiradas e os gatos que soltam pêlos, as lojas de discos independentes que correm risco de desaparecer não inspiram a mesma preocupação, talvez porque não ocupem um lugar de tanto destaque na imaginação popular quanto os sebos

Mesmo assim, o fim dessas lojas será lamentado.

Danny Rields, o primeiro empresário do Ramones, conta que visitar a Bleecker Bob's na West Third Street no final da década de 1970 era "algo como experimentar o cenário musical de Nova York miniaturizado". A loja era um nicho cultural, um posto de trocas para todas as tendências punk posteriores. "Ir à Bleecker Bob's era como dar uma passada no clube CBGB's", afirma Rields (ainda é possível dar uma passada na Bleecker Bob's).

Dave Marsh, o crítico de rock e autor de livros sobre música popular, observa que roqueiros como Jonathan Richman e Iggy Pop aperfeiçoaram os seus gostos musicais trabalhando como vendedores de lojas de músicas.

"Isso faz parte da transmissão da música", afirma Marsh, que se lembra de ter ficado fascinado por bandas cult como o Fugs e o Mothers of Invention por meio de vendedores na loja local de discos, na sua cidade natal, Waterford, no Estado de Michigan. "Parece que não é possível haver um bairro sem uma dessas lojas."

Tradução: Danilo Fonseca

Escrito por ronamira às 15h37
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O envelhecimento da loja de CDs I

Como o link do post abaixo é para assinantes, segue a matéria, na íntegra, com os devidos créditos.


Alex Williams, em Nova York

Então, este é o horário do pico das vendas do final da tarde?

Em uma segunda-feira recente, seis pessoas -- e, pouco depois, quatro, e, a seguir, duas -- examinavam as estantes de CDs na Norman's Sound & Vision, uma loja de música na Cooper Square, em East Village, em Manhattan, por volta das 18h, um horário que costumava ser considerado "a hora do rush" diária para as vendas. Uma década atrás, o número de clientes poderia ser de 20 ou 30, afirma Norman Isaacs, o proprietário. Seis pessoas? Este é o número de funcionários que ele costumava ter na loja.
"Eu costumava ganhar em um único dia aquilo que atualmente demoro uma semana para ganhar", lamenta Isaacs, um homem de 59 anos, de cabeça raspada, dono da loja, cujas prateleiras cheias de discos de punk, jazz, música latina e uma infinidade de rock clássico o deixaram, após várias tardes, parecidos com uma versão em estilo rock and roll do reparador da Maytag. Algo que também preocupa Isaacs é a idade da clientela. "Eles estão com os cabelos bem mais grisalhos", disse ele melancolicamente.

A loja de discos da vizinhança já foi um ponto de encontro de adolescentes, um lugar para escaparem dos pais, gastarem as mesadas e absorver os últimos lançamentos da moda e da música. Mas, atualmente, ela está se transformando rapidamente em um templo da nostalgia para compradores velhos o suficiente para se lembrarem de "Frampton Comes Alive!", um sucesso do guitarrista Peter Frampton.

Na era do iTunes e do MySpace, a clientela que ainda vê a música gravada como um bem material (ou seja, um CD), e não como um arquivo digital a ser baixado da Internet, está diminuindo e envelhecendo, colocando em risco ainda maior a sobrevivência das lojas de discos, que já sofre pressão das lojas de descontos em massa, como como a Best Buy e a Wal-Mart.

A fatia que os downloads retiraram das vendas de CDs é bem conhecida -- o mercado de discos compactos sofreu uma redução de 25% entre 1999 e 2005, segundo a Associação da Indústria Fonográfica dos Estados Unidos, uma organização comercial. O que esta queda drástica indicada pelos números não revela é que esta tendência está transformando várias lojas de discos em nichos freqüentados por homens de cabelos grisalhos que usam rabo-de-cavalo.

E isto é uma realidade mais observável nas lojas das grandes cidades, que contam com um acervo de CDs maior do que o das grandes cadeias que vendem discos em promoções.

"Não vemos mais a garotada por aqui", afirma Thom Spennato, dono da Sound Track, uma loja aconchegante na Sétima Avenida, em Park Slope, no Brooklyn. "O mercado composto de adolescentes de 12 a 15 anos desapareceu nos últimos dois anos."

E sem essa geração de compradores, o futuro parece sombrio. "O proprietário do imóvel perguntou se eu queria assinar um outro contrato de dez anos, e eu disse que não", conta Spennato. "Restam-me quatro anos de contrato, e depois disto estou fora."

Desde o final de 2003, cerca de 900 lojas de discos independentes fecharam as portas em todo o país, fazendo com que o total desses estabelecimentos seja atualmente de 2.700, de acordo com a companhia de pesquisa de marketing Almighty Institute of Music Retail, de Studio City, na Califórnia. Em 2004, a Tower Records, uma das maiores redes de venda de discos compactos do país, entrou com um pedido de falência.

Greta Perr, uma das donas da Future Legends, uma loja de CDs novos e usados na Nona Avenida, em Hell's Kitchen, no West Side de Manhattan, conta que os jovens nunca mais retornaram à sua loja depois da onda de compartilhamento de arquivos do Napster no final da década de 1990. Ela respondeu a essa tendência enchendo as vitrines com discos de artistas como Neil Young e Bruce Springsteen. "As pessoas vêm e dizem: 'Me lembro de que, quando tinha 20 anos, o segundo disco de Steve Miller foi lançado. Posso ficar com este aí?", diz Perr.

As estatísticas do setor comprovam que o público comprador de CDs está ficando de fato grisalho. As compras realizadas por jovens de 15 a 19 anos representavam apenas 12% do total vendido pelas lojas em 2005, o que significa um declínio de 17% em relação a 1996, de acordo com a Associação da Indústria Fonográfica. As compras feitas por pessoas de 20 a 24 anos representavam menos de 13% do total em 2005, o que significa uma queda de cerca de 15%. Durante o mesmo período, a parcela de música gravada comprada por adultos com mais de 45 anos aumentou para 25,5%, em relação aos 15% registrados em 1996.

(Esses números incluem CDs e músicas baixadas da Internet, sendo que os CDs ainda representam uma fatia muito grande do mercado de música gravada, com 87% do total em 2005).

O predomínio dos compradores mais velhos é especialmente notável nas lojas independentes menores das áreas metropolitanas, nas quais os clientes mais jovens tendem a ser mais ligados em tecnologia, e os fãs mais velhos das músicas costumam exibir gostos mais esotéricos, explica Russ Crupnick, analista do Grupo NPD, uma firma de pesquisa de mercado.

Na loja Norman's, que foi inaugurada 15 anos atrás e que fica próxima do epicentro do movimento punk nova-iorquino, o Saint Marks Place, de vez enquanto aparecem clientes com piercings no nariz. Mas eles podem estar apenas desejando usar a máquina de saque automático de dinheiro.

Um par de adolescentes -- ele com o cabelo pintado de negro, ela usando shorts de tecidos de camuflagem rasgados -- andava recentemente pela calçada e parou subitamente em frente à porta da loja, ao ver um álbum de Isaac Hayes da década de 1970. A expressão dos dois era a de candidatos a crentes que foram parar na igreja errada. Eles logo foram embora.

A maior parte dos outros clientes da Norman's é velha o suficiente para se recordar das fitas de oito trilhas. Steven Russo, 53, por exemplo procurava CDs de jazz. Russo, professor de segundo grau em Valley Stream, Nova York, disse que aprecia a loja devido ao clima de camaradagem entre os conhecedores que a freqüentam, e também pelo seu acervo. "Gosto do fato de as pessoas serem capazes de falar umas com as outas sobre a música, de falar com gente que sabe das coisas", afirma Russo.

Richard Antone, um escritor freelance de Newark, Nova Jersey, cujo cabelo é repleto de cachos grisalhos, afirma que a sua visita semanal à loja é uma experiência visual e auditiva. "Lembro-me de como as pessoas apreciavam tanto o trabalho de arte visual na capa de um álbum como "Electric Ladyland" ou "Sgt. Pepper" tanto quanto a música", diz Antone.

A geração perdida de jovens compradores -- para os quais um CD é um disco prateado a ser queimado com os seus próprios sons, e, a seguir, rotulado com uma caneta negra -- provavelmente significará o fim da Norman's dentro dos próximos cinco anos, afirma Isaacs, o proprietário. Segundo ele, vários dos seus concorrentes do centro da cidade já desapareceram.

Alguns proprietários independentes estão resistindo a este desafio de natureza demográfica. Eric Levin, 36, dono de três lojas Criminal Store em Atlanta, e que fiscaliza um grupo comercial chamado Aliança das Lojas Independentes de Mídia, que representa 30 lojas de âmbito nacional, afirma que os estabelecimentos que estão perdendo os fregueses jovens são "dinossauros" que nada fizeram no sentido de atrair a nova geração.

Escrito por ronamira às 15h36
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prova cabal

Escrevi o post abaixo, e logo depois vi na capa do UOL uma reportagem sobre o "envelhecimento" das lojas de cds. Reportagem do New York Times, da qual deixo o link abaixo para consulta.

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2006/07/17/ult574u6796.jhtm

Escrito por ronamira às 15h08
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wishlist IX, a missão

Vou deixar claro: sou obssessivo compulsivo. Já estou me tratando, mas enquanto curar-me não acontece, tomei uma decisão muito importante.
Decidi que estou velho, e como velho, tenho manias. Uma delas é que o rock morreu. Só restou o que passou.
Decidi que não vou mais comprar cds [fora a última leva encomendada - chega logo! chega logo!]. A partir de agora só dvds de shows, registros do passado que eu vi e não vi.
E aí que o bicho pega.... quando achei que não ia mais gastar tenho uma lista imensa de itens desejados. Abaixo só alguns, da Amazon, que nem tem uma seleção assim muito abrangente. Vamos a ela. E boa sorte pra mim.

Talking Heads - Stop Making Sense
PJ Harvey - On Tour: Please Leave Quietly
J.J. Cale - To Tulsa And Back: On Tour With JJ Cale
Stevie Ray Vaughan & Double Trouble - Live From Austin, Texas
The Who - Quadrophenia (Special Edition)
Roy Orbison - Black & White Night (DVD & DVD Audio)
The Pink Floyd and Syd Barrett Story
The Rolling Stones - Gimme Shelter
No Quarter - Jimmy Page & Robert Plant Unledded
Tori Amos - Video Collection: Fade to Red
Radiohead: The Astoria London Live
The Smiths - Under Review
The Rutles - All You Need Is Cash
The Rolling Stones - Rock and Roll Circus
The Who - The Kids Are Alright
Bob Dylan - 1975-1981 Rolling Thunder and The Gospel Years
Queen: The Making of A Night at the Opera
Alice in Chains - MTV Unplugged
Frank Zappa - Baby Snakes
Siouxisie and the Banshees - Nocturne
Frank Zappa: Dub Room Special
Steely Dan - Two Against Nature
Cat Stevens - Majikat (Earth Tour 1976)
Portishead - Roseland New York
Red Hot Chili Peppers - Off the Map
Red Hot Chili Peppers - Funky Monks
Wilco - I Am Trying to Break Your Heart
Radiohead - Meeting People Is Easy
Kinks - Live Broadcasts: Collector's Rarities
Jeff Buckley - Live in Chicago
Punk - Attitude
Johnny Cash - A Concert Behind Prison Walls
New Order - A Collection
The Clash - Westway to the World
Rage Against The Machine - Live at the Grand Olympic Auditorium
X (The Band) - The Unheard Music
Bauhaus: Shadow of Light/Archive
T. Rex: Born To Boogie
R.E.M. - Tourfilm
The Beatles Anthology
Bob Dylan - No Direction Home
AC/DC - Let There Be Rock 1980
Roxy Music - The High Road
Pavement - Slow Century
Lou Reed: Rock and Roll Heart

Escrito por ronamira às 14h51
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Better, better, Beta, Beta, Bethânia

Foram relançados em CD quatro discos da Maria Bethânia, três gravados entre 1968 e 1970 e um em 1996. É, Maria Bethânia. Muita gente ridiculariza a cantora atualmente, sobretudo os mudernos e os jornalistas metidos a. Mas o fato é que ela teve uma obra consistente nos seus primeiros anos de carreira. Dos quatro relançamentos - "Recital na Boate Barroco" (1968), "Maria Bethânia" (1969), "Maria Bethânia ao Vivo" (1970) e "Âmbar" (1996) - só tenho o primeiro, que já tinha saído em CD havia pouco tempo. É um discão. Registro ao vivo, a partir da sua capa tropicalista até a medula já dá para ter idéia do que aguarda o ouvinte. O repertório é um primor. Entre músicas dos então novatos tropicalistas ("Marginália II", do Gil, e "Baby", do irmão Caetano), Bethânia passeia por sacolejantes sambas antigos (impossível ficar parado ao som de "Camisa Listrada" ou "Café Soçaite"), clássicos absolutos da música popular brasileira como "Carinhoso" - na opinião deste, uma das canções mais belas da história, obrigado Pixinguinha - e "Último Desejo", do Noel Rosa - uma das canções mais "safadas' da história, sinta só um trecho da letra: "... Às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não presto/Que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida/Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim". Livre-se de preconceitos. Bethânia é legal para caralho.

Escrito por mntt às 19h29
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novo mundo velho II

Dias atrás "doei" uma idéia para o amigo Caco Galhardo. Na tirinha poderia aparecer uma televisão gritando Itália campeã! enquanto a mulher dizia para o marido, que assistia o jogo: Finalmente acabou a Copa do Mundo. Aí o cara respondia: É mesmo, agora posso assistir o Campeonato Brasileiro.
E foi assim, ontem, a volta do Campeonato Brasileiro. Assisti dois jogos, São Paulo x Grêmio e Cruzeiro x Corinthians. Ambos mostraram uma disposição não vista pela seleção brasileira na Copa. Era impossível manter aquele ritmo medonho e ainda bem.
Com as vitórias do tricolor, mais o Internacional, mais o Cruzeiro e mais o Fluminense, nada mudou na ponta de cima. Ainda é cedo, mas nada mudou na ponta de baixo também. Salve o Corinthians....

Escrito por ronamira às 10h08
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novo mundo velho


A foto acima é de um banheiro num McDonald's na Holanda. Cool, né? Esses caras são foda.
Daí um turista americano ficou ofendido e reclamou e foi ordenada a retirada dos mictórios. Esses caras são foda.

foto: Marcel Van Hoorn, EFE

Escrito por ronamira às 09h58
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Syd Barrett (1946 - 2006)

Quando o André, aqui da firma, soube hoje da morte do Syd Barrett, disse: "de novo?" Pois. Fundador do Pink Floyd nos anos 60, o compositor, guitarrista, vocalista e gênio sucumbiu na época aos excessos e fritou o cérebro em função do abuso de LSD. Sem condições de continuar - dizem que, em alguns shows, ele ficava catatônico tocando o mesmo acorde ad infinitum - foi afastado da banda. Passou o resto dos dias recluso em sua casa na Inglaterra. Para a sociedade e para o implacável mundo do show business, realmente estava morto havia anos. Musicalmente, foi responsável por, na minha opinião, a melhor fase do Pink Floyd, seja como líder no primeiro álbum do grupo - o seminal "The Piper at the Gates of Dawn", de 1967, um dos grandes discos lançados num ano de grandes discos (o primeiro do Velvet, "Sgt Peppers", "S.F. Sorrow", dos Pretty Things, o primeiro do Doors), seja como "eminência parda" no trabalho seguinte, "A Saucerful of Secrets". Além disso, deixou uma obra solo que, se não foi das mais prolixas, foi das mais intensas, doídas, reveladoras da história. Seus dois discos, "The Madcap Laughs" e "Barrett" são um retrato em preto-e-branco das conseqüências de uma vida colorida pelo psicodelismo. A loucura humana registrada em acetato. Nos anos 80 ainda foi lançada uma coletânea de sobras e demos, "Opel". Uma fonte proxima ao Pink Floyd disse que Syd morreu na sexta-feira, dia 7 de julho. Sofria de diabete, mas não foi confirmado se esta foi a causa da morte. "Wouldn't you miss me?", perguntou ele certa vez. Sim, havia anos.

Escrito por mntt às 19h13
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graças ao demo, graças a deus


Juntei a trupe e fomos ver Hurtmold no Grazie Dio!, na Vila Madalena, conforme dois posts abaixo. O cartaz na porta enganosamente dizia: rock. Isso era só o começo.
Vila Madalena, sexta-feira à noite, eu tinha esquecido o que era essa experiência. Aff. Depois foi a vez de um mojito extremamente doce. "Por favor, coloca mais rum?" O barman, mal humorado, completou a dose dizendo que mojito era pra ser doce mesmo. O show ia começar e fomos pra perto do palco. Apertado.
O mojito continuava doce e a Fernanda foi falar de novo com o barman. Ele esperneou mas o charme feminino venceu, e o moço fez outro, tragável.
A música é boa, mas difícil se inteirar do show.... o público não ajuda, enganado pelo cartaz ou pela vida mesmo. Algumas mesas de playboys vaiam, não entendem como rock não tem vocalista e vaiam. Uma oriental de um metro de altura e mini-saia de um palmo cai na minha frente. As pessoas meio que ajudam, com nojo. A moça está só no lugar, perdida. Colocam-a numa cadeira e rezam pra ela não vomitar. O show continua. Meninas passam e meninos passam as mãos em seus cabelos. Elas olham com raiva e sorriem. Rapazes passam de mãos dadas com suas moças e olham-me feio do tipo não se atreva que leva um soco.
Hurtmold não é rock, não é pop. Também não é axé, como muitos esperavam e trocam a vaia por uma conversa gritada. Bolsas Louis Vuitton falsificadas às pencas.
Alex comenta que o público deve ter caído de pára-quedas.
Não; a banda é que caiu de pára-quedas. E nós junto. Vila Madalena, sexta à noite, nunca mais.

*

Desanimado com a experiência, fui pra casa. Assisti ao clássico western spaghetti Três Homens em Conflito [The Good, The Bad, The Ugly, 1966], do diretor italiano Sérgio Leone. A noite estava salva.

Uma coisa que me intrigou foi a língua falada no filme. Iniciei vendo em inglês e lá pelas tantas cismei e mudei para italiano. A dúvida persistiu e mudei para inglês novamente, até o fim. O fato é que tanto em uma língua como na outra, a dublagem parecia "correta".

Sem sono, resolvi assistir ao dvd de extras, que traz uma série de mini documentários sobre o filme. Ali descobri a solução para minha questão. Três Homens em Conflito, dentro do estilo Leone é falado em inglês pelos atores que falam inglês e em italiano, pelos atores que falam italiano. De fato, segundo um dos mini documentários, em algumas cenas os atores não se entendiam. Isso provoca a "certa" estranheza dos diálogos. Provoca o timming atonal do filme. Sem dúvida, um clássico.

Escrito por ronamira às 21h23
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Atonal revelado


Muita gente pergunta como eu e o Ronaldo somos. Tá aí uma foto nossa...

Escrito por mntt às 15h17
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nem tudo está perdido?

A revista britânica Uncut elegeu "The Velvet Underground & Nico" o melhor álbum de estréia de todos os tempos. O disco, lançado em 1967, superou "Marquee Moon" do Television e "Are You Experienced" de Jimi Hendrix; mas o legal é que o ranking coloca as bandinhas modernas no seu devido lugar. A melhor colocação de um álbum mais recente é "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not", do Artic Monkeys, em 36º lugar.

Escrito por ronamira às 11h49
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graças a deus

Dois shows de qualidade comprovada em São Paulo. E a preço razoável.
Cidadão Instigado e Hurtmold fazem shows no Grazie Dio!
Adaptado do site do UOL [ah, preguiça]:

Cidadão Instigado
Psicodelia, rock progressivo, reggae, música brega e jazz fazem a base para seu estranho romantismo que mistura King Crimson e Roberto Carlos.
10, 17, 24 e 31/07
R$ 13,00

Hurtmold
Vanguarda do post-rock paulistano, a banda apresenta sua música inventiva e orgânica. Muito improviso e performances instrumentais. O sexteto leva para o palco teclado, vibrafone, escaleta, trompete, bateria, clarinete, guitarra, baixo e percussão.
07 e 14/07
R$ 15,00


Ambos acontecem a partir das 22h30. O Grazie a Dio! fica na rua Girassol, 67, telefones (11) 3031-6568 e 3032-5515.

Escrito por ronamira às 11h11
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expresso

A amiga Dani decidiu voar mais alto. Após viciar no que ela chamava de toasts e deleitar o Atonal com seus textos e dicas, resolveu partir para carreira solo e abrir seu próprio café. O Braun Café.
A Dani insiste que seus toasts podem ser copiados aqui, mas o Braun Café merece mais, e vai pra lista de links.
Boa sorte Dani!!! Vamos sentir sua falta.

PS: Atonal agora tem uma vaga para a sessão gastronômica.

Escrito por ronamira às 10h57
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The magnificent one

Saiu em DVD lá fora o documentário "Let's Rock Again" (2004), o último registro do Joe Strummer (The Clash), na minha opinião um dos nomes mais importantes não só do punk rock, mas da música em geral. Pelo que li, ele acompanha as turnês do cara pelo Japão e pelos Estados Unidos, mostra cenas de bastidores, entrevistas e, claro, uma sonzera do cão ao vivo, seja no trabalho solo dele ou na releitura de clássicos do Clash. Parece que traz de bônus um CD gravado ao vivo em estúdio. Queria tanto ter isso...

Escrito por mntt às 18h33
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pergunta que não quer calar

Será que o Parreira [e porque não, a comissão técnica da CBF] está torcendo por Portugal do Felipão?

Escrito por ronamira às 18h02
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peteca que não cai

Alex aqui tem uma teoria. Segundo o mestre-sala da Atonal, a Alemanha não joga futebol, e sim joga algo parecido com futebol, e joga esse algo parecido muito bem. É fato que o ludopédio tedesco não é dos mais empolgantes, mas após essa semi-final com a Itália, e mais, após o jogo com a Argentina, após Inglaterra e Portugal, e agora falando de todos esses times juntos, emoção e dedicação é que não faltaram. Dedicação ao futebol.
Já o Brasil nós vimos, o mundo viu. E eu pergunto ao Alex, se os alemães não jogam futebol, o que a seleção brasileira joga?

Escrito por ronamira às 18h00
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Mais do mesmo

Tava devendo este post fazia um tempo. Vamos lá... Se você, por infelicidade, cair em algum bar com música ao vivo voltado ao "classic rock" - eufemismo para um bando de tiozinho careca com rabo-de-cavalo em cima do palco - fatalmente vai ouvir, numa estimativa bem baixa, ao menos cinco das músicas listadas abaixo. Algumas músicas estão há pelo menos 30 anos no repertório desses caras. Será que ninguém se cansa não?
Pink Floyd - Another Brick in the Wall; Comfortably Numb
Led Zeppelin - Rock'n'Roll; Black Dog
Kiss - Rock'n'Roll All Nite
Steppenwolf - Born to be Wild
The Doors - Roadhouse Blues; Love me Two Times
Hendrix - Purple Haze; Fire, Foxy Ladie; Hey Joe
Deep Purple - Smoke on the water; Highway Star
Ozzy - No More Tears
Metallica - Enter Sandman
Beatles - Come Together
U2 - With or Without You
The Clash - Should I Stay or Should I Go?
Eric Clapton - Layla (acústico); Cocaine; I Shot the Sheriff (cover do Bob Marley)
Dire Straits - Money For Nothing (eca!)
AC/DC - Jailbreak; Highway to Hell
Creedence Clearwater Revival - Proud Mary; Have You Ever Seen The Rain
Queen - Crazy Little Thing Called Love; We Will Rock You
Rolling Stones - Star Me Up, Satisfaction, Jumpin' Jack Flash
Van Halen - Jump
Whitesnake - Love Ain't no Stranger (eca dupla)
Eagles - Hotel California
Iron Maiden - Fear of The Dark

bloco grunge

Pearl Jam - Alive; Even Flow
Alice in Chains - Man on The Box
Nirvana - Come as You Are
Stone Temple Pilots - Plush
É isso aí, claro que esqueci de várias. Se alguém lembrar, avise. Fico devendo o de rock nacional, barzinho de MPB, festinhas descoladas e baladas alternativas.

Escrito por mntt às 17h00
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Factotum

Consegui ontem assistir ao "Factotum", que citei alguns posts abaixo. Gostei bastante do filme. Ainda que seja difícil transpor a obra do Bukowski para os cinemas, o diretor Bent Hamer o fez com dignidade, mantendo a crueza e a fina ironia dos textos do velho Hank. Fique surpreso com o Matt Dillon que, se em nada poderia lembrar o escritor fisicamente, carrega a interpretação com garra e sutileza. Marisa Tomei e Lilly Taylor também se destacam. O que ainda hoje ecoa na minha cabeça, porém, é a frase chave do filme - e de resto, de toda a vida do Bukowski: "se você for tentar, vá até o fim". 

Escrito por mntt às 19h03
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Mas que nada

Pode ser apenas coincidência, mas em 1998 o clássico "Mas, Que Nada", do Jorge Ben, numa versão antiga do Sérgio Mendes e seu Brazil'66, era trilha de um comercial da Nike estrelado por jogadores do Brasil, entre outros. Em 2006, a mesma música, numa releitura do próprio Sérgio Mendes com participação do Black Eyed Peas, foi trilha de um comercial da Nike, estrelado por jogadores do Brasil.

Escrito por mntt às 14h51
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Futebol quadrado

Alguns posts atrás eu disse que havia uma discussão sobre qual era o melhor time, o de 1982 e este de 2006. Quando o Brasil caiu diante da Itália, eu chorei. Sábado, eu aplaudi o Zidane. Precisa falar mais nada, não? A discussão agora é: qual a Seleção Brasileira mais patética? Esta ou a de 1990?

Escrito por mntt às 14h46
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reflexos de copa

Ontem vi uma propaganda que ainda não tinha visto mas já tinha visto. Explico.
Nessa nova, Ronaldinho aparece vestindo a camisa da Itália, depois da Espanha e assim por diante. Aí ele acorda, pega seu celular e informa que era tudo um pesadelo. Qualquer semelhança com a do Maradona e o refrigerante não é mera coincidência. Rídiculo.
Álias, após a eliminação patética, os anunciantes poderiam ter se preparado melhor que o Parreira e trocado os anúncios. Ver a turma da lambança dando shows em propagandas é deprimente. Quando é que vamos acordar do pesadelo?

Escrito por ronamira às 08h34
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