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Fome
Sábado à tarde caminhava pela Rua Augusta a bem menos do que 120 por hora e resolvi entrar num sebo de livros ao lado do Espaço Unibanco de cinema (depois passo as coordenadas direitinho dele, pois vale a pena conhecer) para perguntar, sem muita esperança, se tinha o livro "Fome", uma das obras mais importantes do norueguês Knut Hamsun*. E não é que tinha, numa edição de 1971, capa dura, coisa fina, tradução do Carlos Drummond de Andrade, por R$ 16!!! Comprei sem pestanejar.
*Knut Hamsun (1859-1952) é um dos autores mais importantes da Noruega e sua vida foi marcada pela controvérsia. Passou boa parte da infância e da adolescência na pobreza e começou a escrever aos 17 anos. Em 1890, publicou "Fome" ("Sult", no original), um relato barra-pesada e quase auto-biográfico sobre um escritor sem porvir que passa os dias nas ruas de Oslo (então Cristiânia), faminto, vivendo de trocados, delirando de inanição e chegando à beira da loucura. Por conta desse livro, Hamsun é considerado precursor de gente como Kafka e Henry Miller. Ecos do trabalho dele também podem ser encontrados em diversos outros autores "malditos" do século 20 como John Fante, Bukowski e até no "Apanhador no Campo de Centeio", do Sallinger, muito em função do bizarro monólogo interno do protagonista e de seu surreal fluxo de consciência. Em 1920 ganhou o Prêmio Nobel por sua obra. A polêmica surgiu ao apoiar os nazistas quando a Alemanha invadiu seu país durante a Segunda Guerra. Foi execrado em sua terra e no resto do mundo. Só conseguiu ser reabilitado após sua morte. Por sorte, esse péssimo escorregão hitlerista jamais se refletiu em seus livros.
Escrito por mntt às 16h20
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Nem tudo está perdido (atualizada)
Depois de saber que o Oasis confirmou show no Brasil e que talvez o Coldplay também apareça por aqui - o que me deixou com saudade de 2005 no que diz respeito a shows - eis que finalmente surge uma boa notícia: o trio de jazz, grooves e afins Medeski, Martin & Wood toca em São Paulo em março, dia 22 no Sesc Pompéia e dia 23 no Bourbon Street. Uau!!!
Escrito por mntt às 11h38
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Atonices comentada
"Casa Belfiore, o bar predileto de 50% da editoria". Ué, Ronaldo, pensei que fosse o seu também...
Escrito por mntt às 11h56
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atonices I
Atonal inaugura, no menu de links ao lado, a sessão Perdido, lista de endereços de lugares bacanas pra comer, beber, comprar cds ou só passear. O pontapé inicial em grande estilo traz "apenas" a Casa Belfiore, o bar predileto de 50% da editoria. Aos poucos vamos incrementar a bagaça.
Escrito por ronamira às 22h49
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dvdlândia
Os Sonhadores, 2003 - Bernardo Bertolucci definitivamente sabe escolher atrizes gostosas para seus filmes. Nesse Os Sonhadores, Isabelle [Eva Green] dá um show de sensualismo. Ela é a irmã gêmea de Theo [Louis Garrel] que adota o estudante americano Matthew [Michael Pitt] para ser o homem que vai disvirginá-la na conturbada Paris de 1968. Cinema e passeatas permeiam a "doentia" relação entre os dois irmãos, que coloca o americano em xeque quanto a sua sexualidade. Os Sonhadores é um filme frio, onde até as cenas de sexo são sem sal. Só [o corpo de] Isabelle salva.
Diários de Motocicleta, 2004 - A maior surpresa da leva. Confesso um certo preconceito com o diretor Walter Salles, mas nesse "road movie" cucaracha ele foi muito além das expectativas. Dessa vez nada exageros publicitários. O filme, baseado no diário de Ernesto "Che" Guevarra, conta a viagem pela América do Sul dos anos 50, acompanhado numa moto por seu amigo Alberto Granado [Rodrigo De La Serna]. Os dois jovens [Che tinha 23 na época] terminaram a faculdade e decidem aventurar-se am direção ao Peru, para tentar estágio num leprosário local, e depois seguir viagem até Caracas. Longe de ser panfletista, Diários de Motocicleta passa leve, insunuante aos mostrar os "valores" que Che ainda buscava encontrar. Só um detalhe; se o diretor dessa vez não trouxe a publicidade à tona, por outro lado mostrou sua face Sebastião Salgado, o que é um saco. Mas isso pode ser ignorado e o filme é divertido e ponto final.
Pelé Eterno, 2004 - Não é preciso falar muito. Belos gols e cenas raras. E aquela cafonalha de sempre. Do diretor de Bem Dotado - O homem de Itu.
Os Outros, 2001 - Filmes de terror assustam. Os Outros assusta e ainda deixa você com aquela pulga atrás da orelha, o tal terror psicológico. Um filmão, dirigido por Alejandro Amenábar, chileno que também dirigiu com maestria o emocionante Mar Adentro. Em Os Outros, a maravilhosa Nicole Kidman é Grace, uma mulher que vive com os dois filhos numa mansão na ilha de Jersey, Inglaterra, no final da Segunda Guerra. As crianças, Anne [Alakina Mann] e Nicholas [James Bentley], sofrem de fotosensibilidade, e por isso a casa tem que permanecer sempres às escuras, suas cortinas fechadas. A mãe, religiosa até os ossos, tem a mania de deixar as 50 portas do casarão sempre trancadas. O abre e fecha de portas e o tom "meia-luz" na fotografia do filme, somados ao simples fato de que a casa é mal assombrada, são apenas uma parte dos ingredientes que tornam Os Outros um filme instigante. Ótimos personagens, roteiro sensacional.
Mundo Cão [Ghost World], 2001 - Enid [Thora Birch, de Beleza Americana] e Rebecca [Scarlett Johansson, de Lost in Translation] são amigas que acabaram de sair do colegial. A melhor perspectiva para as duas é arranjar um emprego e alugar um apartamento. Até que elas conhecem o quarentão "meio nerd" Seymor [Steve Buscemi], em quem resolvem pregar uma peça. Daí a vida vai tomando novos [e inusitados] rumos. O diretor de documentários Terry Zwigoff dirigiu também Crumb e dali a credencial: Mundo Cão é cercado por música e quadrinhos, ícones pop dos anos 40 e 50. Mas nem por isso deixamos de ouvir um Buzzcocks no quarto de Enid. Cool.
O Guia do Mochileiro das Galáxias, 2005 - Divertidíssimo, no melhor estilo Monthy Phyton. O robozinho deprimido inspirou Paranoid Android do Radiohead. Precisa dizer mais?
Escrito por ronamira às 01h11
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desluto
Reabriram a Galeria do Rock.
Escrito por ronamira às 21h53
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futuro
 Foi lançado em Portugal esse final de semana, sábado em Lisboa, e domingo no Porto, o livro eles eram muitos cavalos, do autor mineiro Luiz Ruffato. A editora que se aventurou em tal façanha é a Quadrante Edições, da querida amiga Alexandra. A foto da capa e o projeto gráfico são de minha autoria.
Agora vamos produzir Morangos Mofados, do Caio Fernando Abreu. Bem vinda a Quadrante, boa sorte pra nós.
Acesse o site da Quadrante Edições aqui
ps: aviso aos navegantes; essa versão do layout traz o nome da obra grafado de forma errada, o que foi publicado foi corrigido.
Escrito por ronamira às 21h51
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Luto
Interditaram a Galeria do Rock, aqui em São Paulo. Droga!
Escrito por mntt às 17h03
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acabou chorare
Se o seu lance é blues, a pedida é o site da gravadora Fat Possum. Lá, além de descobrir o que de mais novo anda sendo produzido no gênero, você encontra o pessoal da velha guarda, como Salomon Burke, e gente da laia do Judah Bauer, da cozinha do Jon Spencer. Tudo bem documentado e organizado. A sessão de downloads de mp3 é sensacional e ainda há uma lista de lojas [nos EUA] e links que os caras acham bacanas.
http://www.fatpossum.com/
E quem disse que eu não sou bonzinho? Às vezes.
Escrito por ronamira às 12h14
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drama virtual I
Pra não dizerem que a gente só fala mal dos jovens e dos colunistas mudernos, vou repassar na íntegra uma dica da Raquel, nossa correspondente em Madri [é a Atonal Internacional mandando bala]:
Subject: mais uma estrela Noemia, a nova grande musa da MPB. Recomendo a música "Entrei no seu site ontem".
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=14649
E depois dizem que eu sou malvado.
Escrito por ronamira às 11h51
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pelo não dito
O Alex não queria mas já polemizou sobre a tal lista de NME, e fiquei aqui encaquifando.
Em toda a imprensa e adjacências, a juventude barata vêm substituindo a experiência dos mais velhos. E jovens, nós fomos um dia e sabemos, são geralmente uma inhaca. Quando assumem algum poder na mídia [fazer listas, por exemplo], saí de baixo. Obviamente concordo com o Alex quanto aos "esquecidos" do Top 10 [e poderíamos citar nomes a noite toda]. Patético. A NME, que já foi referência um dia, atinge seu público, jovens com algum dinheiro para gastar com música. E poucos vão querer comprar, ou mesmo entender, alguma coisa que fuja da mediocridade reinante. Não vou questionar os valores das bandas da tal lista; cada revista, site, blog, tem sua lista musical particular. É até bacana conhecer os 100 mais, mas formatar essa ordem é complicado. Determinar a importância de tal albúm para o universo da música é uma coisa, empurrar hits goela abaixo é outra. Como aconselhou Nelson Rodrigues: jovens, envelheçam. E também tenho dito.
Escrito por ronamira às 00h31
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carnaval über alles
Já que o assunto é cinema e política, e já que essa noite eu descambei a poluir o propósito atonal, vou partir para a piadinha. Recebi por e-mail um link para um filme turístico sobre o carnaval do Rio. Coisa dos anos 70, bastante curiosa. O host dessa parada é nada mais nada menos que nosso amigo Arnold, hoje governador da California - e não de Ohio. [Quer entender, leia os textos abaixo] No filme Arnold passeia por uma avenida a beira-mar num Buggy azul calcinha. Ele narra o passeio contando as delícias do carnaval do Rio: as mulheres. Entre elas a moça que vai acompanhá-lo ao clube Oba-Oba naquela noite. Ela "ensina" ao governador que aqui no Brasil, ao contrário dos Estados Unidos, o brasileiro prefere bundas ao invés de peitos fartos. Então Arnold se sente em casa, concorda com a moça e, vestindo calças brancas, parte para a ofensiva, subindo no palco do clube, "sambando" enquanto tira uma casquinha das mulatas. Oba, oba! Em outra cena, o governador, na época Mister Mundo, ainda aprende a dizer amor e bunda, ao mesmo tempo que demonstra, utilizando uma cenoura, que bite quer dizer morder. Uma gracinha.
Para quem tem paciência de esperar um pouco, pois dependendo da sua conexão o vídeo demora para carregar, aqui vai o link: http://www.devilducky.com/media/38195/
Escrito por ronamira às 23h26
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fim do mundo II
É o seguinte; na qualidade de sócio-fundador dessa joça, venho por meio desta comunicar que não vou falar de música nesse post. Nem sobre bares. Uma notícia me abalou profundamente hoje. Notícia deveras importante para a cultura de qualquer ser que se preze. Estou de luto. O governo espanhol decidiu acabar com a siesta. Cacilda. Em princípio a determinação vale apenas para o serviço público, mas espera-se a "adesão" do setor privado. O governo alega que a siesta faz com que pais fiquem pouco tempo com seus filhos. Segundo as más línguas, a questão é econômica, afinal, atualmente a Espanha é uma das grandes economias do praneta. E segundo nossa correspondente em Espinho [Portugal], a Alexandra, o lema dos espanhóis é: "Primeiro Portugal, depois, o mundo".
O fim da siesta provavelmente não vai atingir em nada o andamento das coisas por aí, mas um dia ainda vou dizer: xi, eu sou do tempo em que havia siesta na Espanha!
Escrito por ronamira às 22h49
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Não vá se perder por aí...
Tão falando que os Mutantes vão se reunir para um show na Inglaterra, os irmãos Baptista com a Rita e tudo... saiu até em jornal de lá (http://observer.guardian.co.uk/omm/reviews/story/0,,1689404,00.html). Será? P.S.: O jornalista que assina a nota, o Alex Bellos, é um inglês que mora ou morou no Brasil e até lançou um livro bem bacana sobre o futebol daqui.
Escrito por mntt às 17h48
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Tsc, tsc...
Fiquei sabendo que a NME fez uma lista dos 100 discos mais importantes do Reino Unido em todos os tempos. Eis os dez primeiros:
1 - The Stone Roses - "The Stone Roses"
2 - The Smiths - "The Queen Is Dead"
3 - Oasis - "Definitely Maybe"
4 - Sex Pistols - "Never Mind The Bollocks"
5 - Arctic Monkeys - "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not"
6 - Blur - "Modern Life Is Rubbish"
7 - Pulp - "Different Class"
8 - The Clash - "London Calling"
9 - The Beatles - "Revolver"
10 - The Libertines - "Up The Bracket"
Pulp? Blur?? Arctic Monkeys??? Oasis?????? Libertines????????? Stone Roses em primeiro lugar???????????? Realmente, jornalista de música não tem a menor noção, ainda mais os lá da terra da rainha. E o pior é que depois vêm uns tipinhos daqui do Brasil - principalmente daqui de São Paulo - e assinam embaixo... francamente. Cadê o "Exile on Main Street", dos Stones? E o "Screamadelica, do Primal Scream? Coisas do Spacemen 3/Spiritualized (que, na minha opinião, matam a pau qualquer coisa que o Radiohead já tenha feito)? O Bowie? As experimentações do John Lydon no início do PIL? Pink Floyd, Pretty Things, The Who, entre outros?? E só pra concluir: eu acho o "London Calling" O melhor disco britânico de todos os tempos (se não for o melhor disco, ponto), seguido bem de perto pelo "Revolver", dos carinhas lá... o resto é balela de mané que quer ser polêmico. E tenho dito.
Escrito por mntt às 17h33
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ato Nal
Diferentemente do publicado no post de ronamira "devolução" (Atonal - 31/01/2006), o DEVO não é da California, é de Akron, Ohio. O post não será corrigido.
Colaborou Jan O Pulso
Escrito por ronamira às 13h40
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ato Folha
Diferentemente do publicado na coluna de Lúcio Ribeiro "A gata e os macacos" (Pensata - 27/01/2006), o nome do disco do Sex Pistols é "Nevermind the Bollocks", e não "Nevermind the Buzzcocks". O texto já foi corrigido.
Errata na Folha Online
Escrito por ronamira às 12h02
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