atonal - bebendo e aprendendo


pacotêra


Essa é velha. Em comemoração aos 10 anos do clássico Indie "Slanted and Enchanted", do Pavement, a Matador Records lançou em 2002 [eu disse que era velha] uma edição especial dupla, "Slanted and Enchanted: Luxe & Reduxe", que traz, além do álbum remasterizado; o EP "Watery, Domestic", inéditas que não entraram em ambos cds, Peel Sessions e um show a milhão na Brixton Academy. São 48 músicas da melhor fase da banda do excepcional guitarrista Stephen Malkmus.
Para encartar essa preciosidade, um livrinho com 50 e poucas páginas de fotos, depoimentos, set lists e letras rabiscadas, que deixam bem claro o espiríto da coisa, ou seja, nada de frescura. Como diz a camiseta de Malkmus numa das fotos, "Fuck Art, Let's Dance".

PS: Na mesma época saiu o dvd duplo "Slow Century", que traz os vídeoclipes, com comentários da banda e dos diretores; um documentário de Lance Bangs de 60 minutos que cobre 89/99 e dois shows inteiros, um em Seattle e outro em Manchester, ambos em 1999, ano em que a banda se dissolveu. Preciso ver isso.

Escrito por ronamira às 23h17
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mistura fina

Passada a febre Buzzcocksística volto ao shuffle do iPod.
Curiosa essa coisa de shuffle em alguma coisa que é tão pessoal como um iPod. Por mais cds que você leve na casa de um amigo, esse amontoado não dará a idéia do que você gosta de ouvir. Já se na sua casa você faz um jantar para uns amigos e deixa o iPod rolando, é como se você tivesse mostrando sua coleção de cuecas [da vida inteira]. Detalhe, no meu caso, seriam 10,3 [!!!] dias de mostragem.
Portanto, obviamente, em mais de 3500 músicas vai de repente [lembrando que é shuffle] aparecer alguma cuec, digo, canção constrangedora. E num esforço de reportagem e prova de intimidade com o leitor, vou descrever alguns dos momentos de fraqueza do shuffle aqui:

ABBA, SOS - me pegou por causa do filme sueco [traduzido para o português] "Bem Vindo".
Anthony And The Johnsons - copiei uma leva de um amigo e isso veio junto. Não gostei e não tive tempo de apagar. Têm vários casos como esse.
Avril Lavigne, cover de Basket Case do Green Day - baixei numa pesquisa sobre covers.
Billy Joel, Just The Way You Are - um clássico. rs
Cardigans - mais uma [má] influência do Caco.
Carpenters - sem comentários.
Chris Isaak - tem algumas coisas legais, juro.
Cocorosie - passa aquela sensação de que você é super muderno.
Creedence Clearwater Revival - porque revela sua idade.
Delaware - porque revela que você na verdade é mais que super muderno.
Elton John - gosto da fase anos 70, mas mesmo essa fase, no jantar hipotético, assusta quando toca.
Dia - porque você chegou no topo do mundo em termos de mudernidade.

E por aí vai.
Então, se você tem iPod, na próxima festa, mostre que você tem culhões [ou peito], e use o shuffle. Você VAI se arrepender.

Escrito por ronamira às 22h31
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Os Rutles do Iê-iê-iê

Na metade da década de 70, o Eric Idle, do legendário Monty Python, tinha um programa de humor na TV inglesa. Em um dos quadros, ele criou a fictícia banda de rock The Rutles, na verdade uma das mais geniais paródias aos Beatles. Em 1978, quando Idle foi convidado a participar do Saturday Night Live, o produtor executivo do programa, Lorne Michaels, se entusiasmou com a idéia dos Rutles e propôs um "documentário-ficcional" de uma hora contando a ascensão e queda da banda "pré-Fab Four". O resultado foi "All You Need is Cash", uma das coisas mais hilárias de todos os tempos. Tomando como base a real história dos Beatles, o filme é uma aula de humor. Idle recrutou músicos de verdade para compor as músicas, todas elas sátiras geniais aos sons do quarteto de Liverpool, infinitamente superiores a qualquer pastiche que o Oasis já tenha feito. No filme, Eric Idle encarna Dirk McQuickly (baseado em Paul McCartney), enquanto os músicos Neil Innes, Ricky Fataar e John Halsey fazem, respectivamente, Ron Nasty (John Lennon), Stig O'Hara (George Harrison) e Barry Wom (Ringo Star). Há momentos impagáveis como a revelação de que os Rutles criaram o revolucionário álbum "Sergeant Rutter's Only Darts Club Band" sob influência do chá, apresentado ao grupo pelo Bob Dylan; ou um muito sério e bem cara-de-pau Mick Jagger dando seu depoimento sobre os Rutles. Só saiu em DVD lá fora, mas vale ir atrás.

*

Claro que a piada tomou outras proporções e uma trilha sonora com 14 "clássicos" dos Rutles foi lançada na época. Em 1990, ela ganhou reedição em CD com seis faixas extras. Chama-se simplesmente "The Rutles" e só os títulos das canções são de rachar de rir ("Ouch!", "Piggy in The MIddle", "Blue Suede Schubert" e por aí vai). Seis anos depois, voltaram à ativa (menos Idle) e tiraram uma onda com o "Anthology", lançando "Archaeology", repleto de gravações "raras".

*

Em 1990, a coisa ficou mais surreal ainda com o lançamento de "Rutles Highway Revisited", um álbum tributo (?!?!) com gente do rock alternativo como Shonen Knife, Galaxie 500 e Daniel Johnston revisitando as músicas dos Rutles. Sensacional.

Escrito por mntt às 15h26
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ipsis litteris e ipsis e ipsis

Qualquer adolescente babão sabe que a diferença entre Charlie Brown Jr., Jota Quest, Detonautas, CPM 22 e Tihuana é zero. Não acredito que faria alguma diferença se o guitarrista de uma das bandas fosse pra outra, mesmo se fosse pra substituir o baterista. Tá, talvez o comprimento da bermuda determine a dificuldade x em fazer um acorde [dos 3 possíveis], o que acusaria a criatividade [o comprimento da bermuda] entre as bandas; mas vamos convir que uma delas fez sucesso e as outras foram atrás; e não me venham dizer "ah, mas essa tem umas letras legais".

Tenho uma palavra pro adolescente babão e pras bandas acima: Buzzcocks.

PS1: a reação do Alex quando perguntei sobre essas bandas foi: credo!. Isso mostra o que Atonal pensa delas.

Escrito por ronamira às 16h40
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Mount Everest Trio


Existe uma gravadora estadunidense baseada em Chicago que presta excelentes serviços à música. Trata-se da Atavistic Records (ver o link aí ao lado). No seu catálogo tem muita coisa de jazz, música de vanguarda e outros petiscos. O Vandermark 5, um dos melhores quintetos de jazz contemporâneo, por exemplo, lança pela Atavistic. Em 2000, uma preciosidade do gênero foi resgatada e ganhou edição digital pelas mãos da gravadora. Foi o disco “Waves From Albert Ayler”, único trabalho dos suecos do Mount Everest Trio, lançado originalmente em 1975 e fora de catálogo desde então.

O trio foi formado em 1971 pelo saxofonista Gilbert Holmström, que arregimentou o baterista Conny Sjökvist e o baixista Kjell Jansson. Visualmente, os três pareciam egressos de alguma formação obscura do Motörhead. Musicalmente, comandaram um free-jazz furioso, alternando o ataque sonoro a momentos do mais puro lirismo. O álbum abre com “Spirits”, um tema do genial Albert Ayler – a quem o disco é dedicado, claro, e que foi professor de Holmström nos anos 60 em Nova York –, e o trio promove uma quebradeira infernal. Na seqüência, visitam “Ramblin’”, do Ornette Coleman, e algumas influências do Morphine ficam claras. “Orinoco”, a terceira faixa, mostra o talento deles em compor, com o trio baixo-bateria-sax percorrendo caminhos sinuosos que fazem todo o sentido.

É não é só isso. “Bananas Oas”, “Consolation” e “Elf” revelam o lado suave e lírico deles, enquanto “No Hip Shit” e “Eritrea Libre” são excelentes exemplos de liberdade e improviso, sem parecer abstrato demais. Eles voltam a soar melódicos e com a pegada característica em temas como a suingada “People's Dance” e a quase hardbop “101 W, 80th Street”. Para fechar o disco, não poderia faltar mais um belíssimo tributo ao mestre (“Ode To Albert Ayler”). Coeso, urgente, criativo, o CD é discoteca básica em qualquer coleção, um daqueles momentos em que a música atingiu o cume da montanha. Altamente recomendável.


P.S.: É claro que não saiu no Brasil e nunca deve sair. Uma pena.

Escrito por mntt às 16h27
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Em Busca das Canções Perdidas - Parte 1

É uma pena, mas muita gente acha que o rock brasileiro da década de 60 se limita à ingenuidade doce da Jovem Guarda e que, no máximo, havia os pirados Mutantes. Às vezes é até pior, com gente que considera o ano de 1982 o marco do nascimento do rock nacional. Pois bem. Durante os incomparáveis anos 60, havia muita (MUITA) gente boa aqui no Brasil fazendo uma garageira da pesada, rock psicodélico de fritar os neurônios e até uns experimentalismos doidos. Óbvio que muitas dessas pérolas se perderam com o tempo e com o descaso da indústria fonográfica brasileira. Por sorte, garimpando por aí, é possível achar bastante coisa.

CORAÇÕES DE PEDRA
Os gringos, que em matéria de raridades do rock’n’roll não são bobos nem nada, compilaram algumas dessas pérolas em uma série em três volumes chamada “Hearts of Stone – Brasilian (sic) 60’s Beat & Garage”. É de arrepiar. Entre as belezuras, tem Os Jovens com o fuzz no talo em “Corações de Pedra”, uma maravilha pré-punk psycho-alucinada impressionante de atual; a versão em português para “Paint it Black” a cargo d’Os Baobás (banda em que o Liminha, dos Mutantes e atualmente nos Titãs, chegou a tocar); e a improvável jovem guarda de garagem do Luizinho e Seus Dinamites (grafado “Sus” no CD) com “Choque Que Queima”. E não pára por aí. Ainda tem desde uma turma obscura como Beezoons, Beggers, Os Aranhas, Top Five até outros que ficaram mais conhecidos como Beat Boys (o nome é genial), Renato e Seus Blue Caps e Os Incríveis.

BRAZILIAN NUGGETS
A Internet, por sua vez, também fez o papel que as gravadoras brasileiras deveriam fazer. Pelo Soulseek é possível baixar a coletânea virtual e não-oficial Brazilian Nuggets (referência às lendárias caixas com raridades garageiras norte-americanas, britânicas e de outras partes do mundo), o equivalente a quatro CDs duplos (!!!!). Aqui, a coisa fica mais séria ainda. O disco traz pepitas da jovem guarda, garagem, lisergia, tropicalismo e até do soul psicodélico. Impressiona a ousadia, qualidade, atualidade e talento dos artistas selecionados. Entre as raridades, tem “O Suicida”, dos pré-Mutantes O’Seis (Rita e os irmãos Baptista), um psychobilly transbordante de humor negro que faria os Cramps sorrirem de satisfação; “Nem Sim, Nem Não”, do Eduardo Araújo, com um riff acachapante do gênio louco da guitarra tropicalista, o mestre Lanny Gordin, e acompanhamento da Orquestra Jovem do Maestro Peruzzi; “Dedicado a Quem Amei”, dos Brazilian Bitles, uma selvageria garageira com direito a solo de guitarra tosco a la “Afro”, do Jon Spencer Blues Explosion – isso no Brasil (!!) e nos anos 60 (!!!!); o soul lisérgico do cantor Fábio (“Em Busca das Canções Perdidas” e “Lindo Sonho Delirante” ou, simplesmente, “LSD”); o onipresente Lanny Gordin escancarando um riff quase metal, quase Black Sabbath na sensacional “Esperanto”, de Suely & Os Kanticus, entre outros petiscos variados. Um festim (diabólico?) para os ouvidos. Fim da parte 1. Logo mais, tem mais.
Aquele abraço.

Escrito por mntt às 17h15
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muesca en la suepa de letritas

Loop de Pearl Jam Ok, é recaída de algo que nunca tive, tipo gostar loucamente de Pearl Jam, mas tenho escutado sem parar Do the evolution, do álbum Yeld. Se meu pobrema era a voz de Eddie Vedder, nessa música o chorão com diarréia tá mais pra Jello Biafra.
*
Durval Discos Ganhador de vários Kikitos em Gramado, preferido do público e da crítica, o filme é um horror. Sinceramente a única explicação é que o nível do Festival foi baixíssimo. O que era pra ser uma homenagem à Eric Discos de repente resolve virar Buñuel, ficar bem loucão, mostrar o quanto os roteiristas zucas são criativos. Não dá pra entender; mexicanos, iranianos, chineses, argentinos; todo mundo fazendo filmes simples e bem resolvidos, emocionantes. E aqui essa lerda, truques pra enganar quem? Ou sou o cara mais idiota do mundo.
*
Escola do Rock Roteirinho bobo e previsível. Um sorriso a cada 5 piadas. E uma criançada tocando bonitinho clássicos do rock. Eu chorei.
*
Últimas no iPod Sujeito a edição.
Femmes de Paris, Vol. 1
Wire Tapper 6 Special Edition
The WIRE Tapper 07
Cafe Tacvba - Unplugged
CAN - Tago Mago
Chris Isaak - Forever Blue
Cocorosie - La Maison de Mon Reve
The Creation - Making Time: Volume One
Delta 72 - 000
Trojan Carnival Box Set
Dub Specialist - Studio One Dub
Erik Satie - Early Piano Works
The Fiery Furnaces - Blueberry Boat
Gang of Four - Solid Gold & Another Day, Another Dollar
Glenn Gould - Goldberg Variations
Grandaddy - Sumday CD 2 (Bonus Disc Live Glastonbury+Black Sessions)
Jeff Buckley - The Rain Was Falling On That Day
Jimmy Smith - Back At The Chicken Shack
Laura Veirs - Carbon Glacier
Mudhoney - March To Fuzz : Rarities and B-Sides
Neu! - Neu 1
Nico - The End…
Paul Weller - Illumination
Pavement - Slanted & Enchanted: Luxe & Reduxe
The Pretty Things - S. F. Sorrow
Primal Scream - Echo Dek
Public Image Ltd - Second Edition
The Red Crayola - The Parable Of Arable Land
Suicide - Suicide
Wilco - A Ghost is Born
Willie Williams - Armagideon Time
Various Artists - Fuel 2000
*
Pra comer e beber Ora pois, ótimo bacalhau. Estadão, sanduiche de pernil. Esquina Grill, pastéis melhores e mais baratos do que na Mercearia São Pedro. Empanadas [de carne] do Empanadas.
*

Voltaremos já para servir bem e sempre

Escrito por ronamira às 14h32
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Ode ao copo americano

Eu adoro copo americano. A cerveja parece que fica mais saborosa, desce melhor. O cafezinho também casa bem com ele. E a Fanta Uva. Ao lado do futebol de botão, é uma das grandes expressões da cultura brasileira. Ele é do samba, ele é do rock. Eu desconfio de botequins que não tenham cerveja de garrafa e copos americanos. Como se não bastasse, ele ainda encerra um mistério. Por que catzo se chama "copo americano"?

Escrito por mntt às 15h54
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A última do Reaça Mainardi

Fiquei sabendo que a última do Piolho Mainardi foi dizer que o Lennon era um cretino e que ainda bem que ele morreu. A cada dia que passa eu fico mais feliz por ignorar completamente esse sujeitinho escroto que, óbvio, só podia ter uma coluna na Veja...

Escrito por mntt às 11h52
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Eu quero - 1

Só mais uma dos caras. Acaba de sair no Brasil o DVD "V.O.I.D.", compilação de clipes do Flaming Lips. Tem desde coisas do começo dos anos 90 ("Turn It On", "She Don't Use Jelly") até um som ("Mr. Ambulance Driver") que vai estar no novo disco deles, "At War With The Mystics". Fuçando bem fuçado, dá pra achar por uns 40 pilas. Atonal recomenda. 

Escrito por mntt às 17h17
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whatever together

O cd bonus da edição inglesa de Sumday, do Granddady, traz um delicioso show no Festival de Glastonbury, e num dado momento, antes de cantar/tocar Our Dying Brains, Jason Lytle diz:

Só pra vocês saberem, a gente é de uma área que tem umas montanhas, a gente gosta de acampar etc, e seria inadequado a gente vir pra cá e não.... "mergulhar" no que está acontecendo aqui, então, se isso consola vocês, entre nós cinco aqui em cima, provavelmente ingerimos por volta de seis químicos diferentes, e por volta de quatro ou cinco tipos diferentes de alcóol..... a gente planeja fazer o melhor possivel antes de ir embora. Estamos todos nos divertindo...

Grandaddy rules!

Obs: como disse Tony Parsons [sobre o Coldplay], não dá pra confiar numa banda de rock cujos membros comam tofu
.

Escrito por ronamira às 01h17
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não é jabá, é amizade


A Editora Barracuda lança essa semana o livro A Visita, que reúne 13* contos de autores como Rodrigo Naves, Michel Laub e Fausto Fawcett, que abordam o tema do título de diferentes maneiras. As ilustracões são do artista plástico Wagner Malta.
Lançamento, terça-feira, 6 de dezembro, das 19h00 às 23h00, no Bar Galpão Haddock, r. Haddock Lobo, 40.
Visite o site da Editora Barracuda para maiores informações.

* todos os autores: Alexandre Soares Silva, Beatriz Bracher, Bruno Zeni, Fabio Danesi Rossi, Fausto Fawcett, Ivana Arruda Leite, Jorge Viveiros de Castro, Manoel Ricardo de Lima, Marcelo Ferlin Assami, Michel Laub, Paloma Vidal, Ricardo Lisias, Rodrigo Naves e ilustrações de Wagner Malta Tavares.

Escrito por ronamira às 12h05
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em lista alheia não se mete a colher

Os melhores do ano segundo Alexandra, na distante Espinho, Portugal:

Arcade Fire, Funeral
Bonnie Prince Billy, Superwolf
Franz Ferdindand, You could Have It So Much Better
Rufus Wainright, Want Two
Ryan Adams, Cold Roses
Antony And the Johnsons, I am a Bird Now
Josh Rouse, Nashville
Kaiser Chiefs, Employment
Smog, A River Ain´t Too Much To Love
The White Stripes, Get Behind Me Satan

Qualquer semelhança é mera coincidência.

Escrito por ronamira às 10h57
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it's only rocknroll, mas vai um pouco além


Imagine a seguinte cena: Você está dirigindo uma pick-up [ou um conversível] pelo deserto da California. Então você vê um saloon e decide parar pra refrescar a cuca. A porta está trancada e ouve-se música lá dentro. Rock pesado. Você bate mais forte na porta e é atendido por Josh Homme, do Queens of The Stone Age, com um copo de Jim Bean cowboy nas mãos. Você entra e fica louco ao ver PJ Harvey conversando com Twiggy Ramirez [Marilyn Mason] e Dean Ween [Ween]. Coisa boa não pode ser. Mas é, e você não está louco, está rolando uma jam Desert Sessions.
Agora imagine outra cena: Você gosta de Desert Sessions, já baixou quase tudo da web mas não encontra pra vender, e não tem grana nem paciência para esperar chegar pelo correio. Dai você entra na Livraria Cultura e tem o último cd lá [9 - I see you hearing & 10 - I heart Disco, 2003]. Aí é claro que você faz um esforço [$] e compra e corre pra casa pra ouvir.
Foi o que eu fiz ontem.
Música é também uma coisa de fases. Um dia você acorda e quer ouvir Erik Satie, noutro dia uma porrada caí bem. Na minha idade porrada é uma coisa relativa. Talvez seja uma coisa pessoal, cada um entende cada coisa de um jeito, seu jeito. Enfim, tenho que parar de filosofar enrolado assim.
Conheci Queens of The Stone Age através do cartunista Caco Galhardo, é culpa dele [assim como o Spoon, que ainda aparece por aqui]. Então, de QTSA para Desert Sessions foi um pulo. Minha reação pra variar foi obssessiva, fui atrás de tudo e ainda dos projetos paralelos dos vários personagens que já freqüentaram as jams; além dos mencionados acima, para citar os "famosos", Mark Lanegan [Screaming Trees], Ben Shepherd [Soundgarden], Brant Bjork [Fu Manchu], Alfredo Hernandez [Kyuss], Nick Olivieri [QTSA], Samantha Maloney [Hole, Motley Crue] e, tcharam!, Mike Patton [Faith No More]. Essa variedade de pessoas, cada um numa banda [em muitos casos, duas], reunidos ali para se divertir, faz com que todas as Sessões do Deserto sejam imprevisíveis. De repente você ouve algo próximo de Devo ordenando "Take me to your leader" esquisofreneticamente, e na seqüencia "Don't Drink Poison" num lamento épico que inicia como se você estivesse numa cantina italiana em Istambul. Algo assim. Obviamente tem umas coisas bem estranhas [tô relutando pra não dizer ruins....], mas o que é bom, é muito bom.
The Desert Sessions 9 & 10 está longe de ser a melhor jam dos caras. É até meio decepcionante depois de tudo que eu escrevi acima, mas ainda é uma turma de mal encarados [???] bebendo e fazendo um som, pirando na maionese. Não pode ser de todo ruim. Como não podia deixar de ser, é um Queens of The Stone Age alterado [In My Head, de Lullabies To Paralyze, 2005, saiu de 9 & 10], com um pé no blues, outro no punk, e o outro [sim, eles poderiam muito bem ter três pés cada] na mescalina.
PJ Harvey trouxe alguma leveza pop para o disco, mesmo que no caso pop seja uns gemidos roucos aqui e uma inconfundível [???] guitarra flamenca ali. Mas a essência ainda é masculina [machista?], meio podre, puro malte.
Há alguns momentos de alucinação coletiva, como em "Shepherd's Pie", onde, a la Beatles no estúdio, o povo exorciza a frase "I gonna give you some Shepherd's Pie". Colada nessa há ainda a vinheta da propaganda do cd Peace and Death Metal, de outro projeto da turma, o genial Eagles of Death Metal. Álias, em Peace há uma versão de "Stuck In The Middle" [Stealer's Wheel], no caso, "Stuck In The Metal", que é sensacional. Entretanto, The Desert Sessions 9 & 10 é palatável em comparação com as outras edições. É mentira minha, mas que tem uma faixa "lentinha" chamada "Bring It Back Gentle", isso tem.
Portanto, não adianta correr para a loja mais próxima porque você não vai encontrar esse cd [vale tentar nas Grandes Galerias], mas se por acaso você der de cara com alguma das Desert Sessions, compre, entre na pick-up [ou no conversível], som na caixa, e hit the road.

Escrito por ronamira às 13h57
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dilúvio etílico

Sob forte chuva, os editores desse blog encararam o trânsito da Vila Madalena para degustar mais uma noite paz, digo, de bar. Dessa vez a mesa escolhida foi do Canto da Vila e reunimos um povo diferente. Estavam lá Forlani [aqui da firma mesmo], Antonio "Wop Bop" Albuquerque [roteirista/pauteiro do Faustão], um casal da Rede TV e o Samuca ["trabalho no SBT, não; trabalho no Itaú"]. Além da figura carimbada Dani. Foi uma mistura interessante, inclusive no que diz respeito aos drinks. Chopp, pinga [Seleta], caipirinhas de todos os tipos, e até água com limão [irc].
Os petiscos também foram variados, bolinhos de arroz com carne seca, bolinhos mandioca [juro que parecia queijo], baião de dois e até salada [irc].
Resumindo a ópera [reza a lenda que iam dois tenores nos encontrar lá], o lugar é simpático [o banheiro é limpo - a figura masculina pregada na porta é bacana], os drinks ok, mas os petiscos deixaram a desejar. A conta foi cara e a chuva não cessou. A turma e as risadas salvaram a noite. O Canto da Vila não é pra mim.

Escrito por ronamira às 11h05
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Mariscos bebuns

Texto rápido, segundo do dia, só pra inaugurar os assuntos ébrio-gastronômicos do blog. Ontem resolvi dar uma esbanjada e fui com a Dani no Astor. Entre chopes Stela Artois (encorpados, levemente frutados, bem mais saborosos que a versão brasileira em garrafa dessa cerveja), pedimos uma porção de mexilhões (a.k.a. mariscos) ao estilo belga, cozidos na já citada Stela Artois e servidos com batatas-fritas. Yummi, Yummi, Yummi! O pessoal sabe viver lá na Bélgica. Recomendo.

Escrito por mntt às 17h59
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A Divina Comédia dos Fiery Furnaces

Quem deu a dica foi o Ronaldo, parceirinho aqui de atonalidades. Encontrei o CD na Nuvem Nove, uma loja bacanuda aqui de São Paulo, em edição nacional por 17 pacotes. Desde então, o inacreditavelmente bom “Blueberry Boat”, do Fiery Furnaces, virou predileto da casa. A banda nasceu em 2001, em Nova York, diretamente da cabeça dos irmãos Friedberger (Eleanor nos vocais e guitarras; Matt idem + órgão e sintetizador) e conta ainda com o baterista Andy Knowles e o baixista Toshi Yano, que se juntaram à dupla em 2004. O disco em questão é o segundo deles e o som beira o inclassificável. De primeira, dá para notar um King Crimson aqui, uma Patti Smith acolá, pitadas de garageira sessentista... Quando ouvi a música “Paw Paw Tree”, um susto. Era Mutantes puro, até o timbre da guitarra era igual ao do Sérgio Dias! Depois, fiquei sabendo que o genial grupo paulistano é uma das grandes influências deles (''Eu 'iniciei' meu irmão com Os Mutantes'', contou Eleanor numa entrevista. ''Foi a primeira vez que mostrei a Matt algo que ele ainda não conhecia''). Daí pra ir atrás de mais coisas deles foi um pulo. Achei um sítio (http://www.thefieryfurnaces.net/) bem legal, em que dá para escutar algumas raridades (tem uma versão de “One More Time”, do Clash, que é da pesada) e assistir a clipes e shows. Ao vivo, o grupo impressiona ainda mais. O baterista atua com um Keith Moon redivivo, e os irmãos trocam de instrumentos freneticamente. O som fica mais cru, mais rock’n’roll ainda. Alguém podia convidá-los para conhecer a cidade natal dos Mutantes, não?

Escrito por mntt às 17h42
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