atonal - bebendo e aprendendo


Berlin

Estava para escrever sobre o álbum "Berlin" (1973), do Lou Reed, desde o ano passado, quando soube que ele tinha feito alguns shows tocando todas as faixas do clássico, coisa que não acontecia havia mais de 30 anos. Como a correria me deixou meio afastado do Atonal, acabei deixando passar. Hoje tomei finalmente vergonha na cara e aí vão minhas impressões sobre o disco.

"Berlin" é o terceiro trabalho solo de Reed e sucessor do aclamado pelo público e pela crítica "Transformer", de 1972. Carregado de uma atmosfera barra-pesada, trágica, foi um fracasso de vendas na época e só passou a ser reconhecido como o grande trabalho do músico anos depois. Basicamente um disco-conceitual, narra a história de um casal (Jim & Caroline) afundado nas drogas e na depressão. Longe do clima glam-rock do trabalho anterior, seus arranjos privilegiam pianos, naipe de metais e belíssimas orquestrações.

O disco abre com o trecho do que parece uma festa de aniversário em um cabaré alemão, como se o tom da obra fosse de alegria. Ledo engano. Não passa de uma artimanha de Lou para ludibriar o ouvinte e deixá-lo ainda mais perplexo com o que vem pela frente. Daí em diante é uma descida ao Inferno de arrepiar. Reed participa dos eventos ora como narrador sádico, ora como observador distanciado, esta última atitude talvez explicada pelo fato de querer se manter longe da crueldade de suas próprias letras.

O truque do "happy-birthday" emenda com a faixa-título (que já havia sido registrada por ele em uma outra versão no seu primeiro disco solo, o epônimo "Lou Reed", também de 1972), tristemente acompanhada apenas pelo piano. Em seguida, entra a linda "Lady Day", que faz uma analogia entre a cantora Billie Holiday e a personagem principal do disco (vale lembrar que "Lady Day" era o apelido de Holiday e que a cantora foi viciada em heroína, daí a ligação com a Caroline do "Berlin").

"Men Of Good Fortunes", a faixa 3, fala de ricos e pobres, de como os primeiros podem causar "a queda de impérios", os segundos "não conseguem fazer nada afinal" e ele, Lou Reed, "não dá a mínima" (aí entra o distanciamento citado anteriormente). Muito provavelmente, o impotente "pobre" da letra se refere ao Jim. "Apresentados" os personagens, a coisa começa a pesar. A primeira das duas rendições de "Caroline Says", um rock acelerado, trata da conturbada relação do casal. Lou mostra, na pele de Jim, como o protagonista é humilhado pela companheira ("Caroline says that I'm just a toy/she wants a man, not just a boy") e cria a cama para a tragédia que se avizinha.

Após revelar o problemático relacionamento entre Jim e Caroline, é hora de entrar no terreno do vício de ambos. E isso fica explícito na sensacional "How Do You Think It Feels" ("If only I had a little/if only I had some change/if only, if only, if only/How do you think it feels/and when do you think it stops?") e na faixa seguinte, a ambígua "Oh, Jim", cuja letra fala de "pílulas que vão curar suas dores" e mostra Caroline questionando como Jim "pôde tratá-la desse jeito". Esta canção foi registrada pouco depois ao vivo por Reed e ganhou um arrebatador duelo de guitarras, à cargo dos excelentes Steve Hunter e Dick Wagner, que também participaram do "Berlin".

A segunda versão de "Caroline Says", mais lenta e triste, acentua o sofrimento da protagonista ("Caroline says - as she gets up from the floor/You can hit me all you want to, but I don't love you anymore") e, na seqüência, a coisa desanda. A horripilante "The Kids" conta como a garota teve seus filhos levados pelas autoridades e termina com uma flauta doce "emoldurada" por choros e gritos reais de crianças chamando pela mãe. Diz a lenda que o produtor Bob Ezrin chegou um dia em casa, disse aos seus filhos que a mãe deles havia morrido, gravou o desespero das crianças e colocou tudo no disco. Brrrrrrr. 

Viciada, abandonada pelo seu amor e sem seus filhos, Caroline entra em desespero e seu trágico destino é revelado em "The Bed", enquanto Lou apenas comenta "...And I said, oh, oh, oh, oh, oh, oh, what a feeling" (aí entra a persona do narrador sádico). Para jogar a última pá-de-cal, o disco encerra com "Sad Song", que traz um Jim arrependido (ou não), além de um arranjo de cordas impressionante. Como li em algum lugar há muito, muito tempo, uma "terrificante obra-prima".

       



Escrito por mntt às 19h50
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Eu nasci há dez mil anos atrás

Em 26 de junho do ano passado, eu fiz um posto satírico dando algumas previsões pra cena musical de 2017. Entre elas estava esta aqui:

"- Uma nova droga sintética, o VMC (Virtual Music Creator), vai revolucionar a cena rave. Uma vez ingerido, o VMC torna possível que o usuário ouça em sua mente sua própria música. As festas não terão mais DJs ou equipamentos de som. O mote será o silêncio. Cada um dançando seu próprio som inexistente. Será decretado o fim da música. Os jornalistas modernos e descolados vão achar o máximo."

Ontem, o IG deu a seguinte notícia:

"A cidade de Nova York ficou surpresa com o barulho existente na Union Square no último final de semana. Mais de mil jovens da cidade se reuniram para realizar a primeira e única balada de música eletrônica em silêncio.

Todo mundo dançou em seu lugar, ligados somente na música que um iPod tocava em seus próprios ouvidos, com sua própria playlist. Por muitos minutos, somente o barulho dos carros da outra esquina podia ser ouvido." - Mais aqui.

Quase acertei, vai.




Escrito por mntt às 12h36
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Com sangue falso e tudo

Nos últimos dias ando escutando ininterruptamente uma das prediletas do meu lado da casa - Ronas odeia -, o Flaming Lips. Fuçando no YouTube, achei uma apresentação bacaninha dos caras ao lado da Cat Power, tocando o clássico "War Pigs", do Black Sabbath. Vale conferir aqui.

Escrito por mntt às 19h16
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Minha pequena E.V.A.

Tá, sei que tou em falta com o blog faz um tempão. Então vamos lá, primeiro post meu em 2008, para retomar os trabalhos.

O francês Jean-Jacques Perrey é um dos precursores da música eletrônica. Ele nasceu em 1929 e, no final da década de 50, viajou pela Europa demonstrando uma bugiganga chamada Ondioline. O aparelho foi inventado pelo também francês George Jenny em 1941 e é considerado o ancestral do sintetizador. Cada vez mais envolvido com música de vanguarda e experimentos eletrônicos, Perrey se juntou a Gershon Kingsley, ex-parceiro de John Cage. Juntos, lançaram dois álbuns, "The In Sound From Way Out" (1966) e "Kaleidoscopic Vibrations" (1967). O primeiro teve seu nome e a arte de capa emprestados pelos Beastie Boys numa coletânea de faixas instrumentais. Mas uma das composições mais bacanas de Perrey é "E.V.A.", um groove retrofuturista que serviu de "inspiração" ao Jimmy "Bo" Horne para o sucesso disco "You Get Me Hot". Para os cultores das trasheiras, uma outra curiosidade. Duas composições de Perrey, "The Elephant Never Forgets" e "Barroque Hoedown", foram usadas como temas do Chaves e do Chapolin, programas que, acreditem ou não, eu jamais vi na vida (como eu sei essa informação? Wikipédia, amiguinhos). Neste link do YouTube dá pra assistir a um raro vídeo recente do clássico "E.V.A.", com direito a aparição de Perrey em pessoa.  



Escrito por mntt às 18h46
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controle remoto



Ontem assisti a Control, filme de Anton Corbijn que conta a tragetória da vida do vocalista Ian Curtis, da banda Joy Division.
Ao contrário do filme 24 Party People [Michael Winterbottom, 2002], que trata da mesma época num tom jocoso [divertidíssimo, vale dizer] com humor britânico, Control é um filme quase "frio", o que poderia ser explicado pelo fato de que seu diretor é um fotógrafo holandês e, principalmente, porque a história de Ian não teria como ser "quente" , afinal temos seu suicídio aos 23 anos de idade como ponto final.

O diretor Corbijn era amigo da banda, fez dela fotos marcantes, e não consegue disfarçar a carga emocional envolvida no projeto, que é baseado na biografia de 1996 "Touching From a Distance", de Deborah Curtis, viuva de Ian. Ou seja, há em Control uma tensão que creio ser resultado da emoção versus a necessidade de algum distanciamento para não se cair no piegas.

Entretanto a pieguice é impossível, pois Ian é daqueles jovens talentos transformados em ícones através da intensidade de seus atos, da força de sua poesia e, claro, do suicídio. Epilético, dividido entre dois amores e atolado em questões existênciais da juventude, Ian não segura a barra e ao invés de fazer parte do grupo de ídolos que se empanturra de barbitúricos e afunda numa banheira, ele se enforca transformando assim até o seu último ato em drama extremo.

Mas toda essa história já conhecemos. O curioso aqui é que não há o glamour de pop star da maioria das produções biográficas, e acabamos por descobrir detalhes cotidianos de um ídolo com seu fundo de normalidade, do trabalho numa agência de empregos até os peidos juvenis no camarim antes de entrar em um show. Além das mentiras para escapar do cerco da mulher e ficar com a amante.
Isso tudo faz com que Control seja um filme com os pés no chão, talvez uma metáfora invertida para a frieza que citei no início do post.

O filme é ganhador da Palma de Ouro de Cannes em 2007, e outra coisa muito bacana é que os "sucessos" do Joy Division não são interpretados em playback, a banda do filme toca mesmo as músicas, o que traz ainda mais realidade para Control.



Escrito por ronas às 11h24
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XXX-Files

Após longos 11 meses sem TV paga em casa, esta semana se fez a luz. Assinei um pacote bacana e ontem aproveitei para ver o que andava perdendo de interessante. Entre um Simpsons e um Seinfeld, vi a estréia no Warner Channel da polêmica série "Californication", estrelada por David "Fox Mulder" Duchovny. Achei bem interessante. É altamente baseado no escritor Charles Bukowski, de quem Duchovny é fã confesso - o personagem principal se chama Hank; é um escritor arrogante e bebum em Los Angeles; adora Dry Martini; em certo momento a ex-namorada o chama de "velho safado". Precisa mais? -, e traz o Agente Mulder de um jeito jamais visto: fazendo sexo, muito sexo. Ele é recém-separado da namorada, tem uma filha pré-adolescente e é autor de um único sucesso. Um quase fracasso ambulante, que entre uma tentativa de reatar com a ex e um porre, transa com qualquer uma que aparecer pela sua frente, rendendo algumas situações bem bizarras. Tem nudez, palavrões, grosseria, humor cínico e até um certo drama. Vamos ver com o desenrolar da temporada se cumpre o que promete. Ah, e também faz várias citações ao Red Hot Chili Peppers (bem, o título já entrega).   



Escrito por mntt às 16h35
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Clash City Rockers

Por outro lado, chega outro e-mail:

Dia 08.11 (quinta) , é o dia do punk rock tomar conta do palco do ASTRONETE BAR com o TRIBUTO ao the CLASH.

A banda que prestará homenagem será o WE ARE THE CLASH !!!

SERVIÇO:
********

O QUÊ: CLASH por WE ARE THE CLASH
QUANDO: QUINTA (08/11)
ONDE: ASTRONETE BAR
QUANTO: R$ 7,00 (entrada)
HORAS: ABRE 22:00 / SHOW 01:30
CERVEJA SOL = $$$ 4,00

O Astronete fica na Matias Aires, uma travessa da Augusta, aqui em São Paulo. E tem Guinness. Fiquei na fissura de ir. Não vou muito com a lata de banda cover, mas Clash até com a Sandy fica bom.



Escrito por mntt às 12h19
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Francamente

Recebo um release por e-mail com a seguinte notícia (editei pra não ficar muito longo):

"O álbum mais recente de James Blunt, ALL THE LOST SOULS, traz uma novidade para o mercado brasileiro, o formato MVI (Music Video Interactive)... O MVI é uma experiência áudio-visual com mais conteúdos. Uma nova Mídia. Um MVI tocado num Home Teather, com som 5.1, por exemplo, muda a forma de ouvir um álbum. Há toda uma nova concepção neste lançamento... Na sequência, outros títulos tais como Linkin Park (álbum Minutes To Midnight); Simple Plan (novo álbum, Simple Plan 2008) e artistas locais de nosso cast terão lançamentos no formato MVI pautados no Brasil."

 

Tendo em vista os artistas que são/serão lançados, qual seria essa "nova concepção"? E no que "muda a forma de ouvir um álbum"? A merda fica mais audível?



Escrito por mntt às 12h16
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in search of syd



A edição de agosto da revista MOJO trouxe um cd sensacional com 15 canções de artistas que influenciaram ou foram influenciados por Syd Barrett, cabeça [des] pensante do Pink Floyd de tempos gloriosos.
Destaques para os blueseiros Pink Anderson e Blind Boy Fuller & Floyd Council, que juntos deram nome à banda; para contemporâneos dos caras como Gong e Frank Zappa; e para a juventude que experimenta naquelas praias, os surpreendentemente bacanas Bonzo Dog Band e Jennifer Gentle.
A lista que completa o cd tem Spacemen 3, Flaming Lips, Kevin Ayers, The Beavis Frond, Hawkwind, Wooden Shjips, Soft Machine, AMM e Acid Mothers Temple & The Melting Paradiso U.F.O.
Com alguma sorte você ainda encontra a revista nas bancas, mas o preço é salgadíssimo, por volta de 50 paus. Ou você tem mais sorte ainda e, como eu, encontra um usado por 10. Mas se, independentemente do preço você estiver afins de ficar por dentro dos sons [pelo menos isso] mais criativos da época mais criativa de todos os tempos, vale a pena. Ou você pega os nomes acima e busca na internet. Só não deixe de ir atrás.

Escrito por ronas às 02h27
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reação dá cadeia



Por falar em Radiohead, está confirmada a presença da banda Eagles of Death Metal, liderada por Jesse Hughes e Josh Homme [Queens of the Stone Age], no Festival Motomix, em São Paulo.
Para quem não conhece, o EODM tem uma levada clichê de rocknroll, com letras que versam clichês de rocknroll, tipo mulheres, bebida, mulheres e bebida. Prova disso é que eles não vão tocar numa tenda do jóquei, ou num Hall da vida, e sim no Clash Club [Rua Barra Funda, 969, Barra Funda]. Dia 28 de novembro.
Apesar de vir desfalcado de Josh Homme, que no EODM toca bateria, é um daqueles shows que caem de pára-quedas, trazendo, senão esperança pro rocknroll, pelo menos um pouco de bagunça para essa gente tão comportada mostrar seu valor. Aqui tem uns clipes para se sentir o drama.
E se você ama Radiohead, evite a Barra Funda dia 28.



Escrito por ronas às 23h22
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minha vida long play




lado A
Dia desses assistindo ao dvd Teenage Kicks, do The Undertones, fiz uma descoberta incrível. Nada a ver com revelação de que o glorioso John Peel [que é narrador/entrevistador do documentário] gostaria de ter a canção que dá nome ao dvd tocada no seu funeral [como deve ter sido...], mas sim com o fato de que o guitarrista da banda, John O'Neill, é membro fundador da também gloriosa banda That Petrol Emotion, a qual tive em LP no não menos glorioso disco Manic Pop Thrill.
E correndo fui caçar o álbum na Internet, com pouco sucesso. Os preços na Amazon indicam que o mesmo está possivelmente fora de catálogo.





lado B
Sábado fui ao centro visitar minha loja predileta, a Sensorial. E para variar fiquei vagando entre os cds, selecionando aqui e ali, barganhando no inconsciente.
Geralmente passo umas duas, três vezes pelas fileiras de cds. Geralmente escolho dois, três e fico andando com eles pra lá e pra cá. E geralmente, na hora de pagar, levo só um porque já aprendi a lição.
E não é que na última olhada nas prateleiras, a loja com as portas fechadas, encontro uma sessão John Peel com That Petrol Emotion em sua primeira fase, justamente a do disco mencionado acima.
Bão pra caraleo.

lado C
Sim, as fotos são da minha geladeira. Mas ey, quem quer mais que isso se tem os discos que precisa?





Escrito por ronas às 02h06
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Pití

A Pitty - é, aquela - anunciou que vai lançar um disco de jazz e blues. Tenha medo, tenha muito medo. 

Escrito por mntt às 20h45
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manda brasa




Recebi por e-mail o release do show que uma das bandas preferidas do Atonal, o Numismata, vai fazer em temporada no Clube Berlin. Melhor reproduzir tudo de uma vez.



Adalberto Rabelo Filho (guitarra); André Vilela (guitarra); Carlos H. (baixo); Felipe Veiga (bateria); Piero Damiani (voz, teclados, percussão).

disco mais recente: Brazilians on the Moon; ano que vem, lançamos o álbum Chorume.

para ouvir: www.myspace.com/numismata; www.tramavirtual.com.br/numismata

descreva o som da sua banda usando apenas cinco palavras.
Podem ser duas? Pós-samba.

quem você chamaria para participar de um show seu?
O Luiz Melodia a gente vai chamar de qualquer jeito, ele canta numa música do nosso novo álbum. A Maria Alcina já cantou com a gente, o Jards Macalé também, assim como o Tatá Aeroplano e o Thadeu, do Banzé!, que são nossos amigos. Fora esses, que ainda não subiram no palco com a gente, com certeza, por mim, a gente chamaria Mark Lanegan, Nick Cave, Mick Harvey, Micah P. Hinson, Glenn Branca, Chico Buarque, a galera da Nação Zumbi, Rômulo Fróes e Momo. Tem um cara que faz os próprios instrumentos, Thomas Truax, que é uma espécie de Tom Waits dessa geração, que seria legal. Tom Waits não seria nem um pouco ruim, aliás. O Uakti eu acharia ótimo. Sei lá, se eu for ficar lembrando, não pára mais essa lista. Tem espaço pra todo mundo!

qual o ponto alto da história da banda até agora? e o baixo?
A gente tem andado pelo caminho do meio, não lembro de nenhum ponto muito baixo (espero), mas vamos chegar lá. Ponto alto, com certeza, foi ser avalizado por tanta gente finíssima, feito Luiz Melodia, Maria Alcina, Jards Macalé, Skowa, Vanessa Krongold e Rita Maria, que participaram de nossos discos tão solicitamente.

falando de música, quem manda brasa?
Graças a Deus, muita gente. Na minha opinião: Chico Buarque, Tom Waits, Nick Cave, Grinderman, Milton Nascimento, Momo, Leonard Cohen, Lou Reed, Miles Davis, Dizzy Gillespie, Café Tacuba, Slint, The Shins, PJ Harvey, Queens of The Stone Age, Guilherme de Brito, Nelson Cavaquinho, Cartola, Sérgio Sampaio, Wagner Tiso, Fred 04, Mano Brown, Tom Jobim, Mark Lanegan, Beirut, Tinariwen, The Shins, Wado, Fino Coletivo, Ronei Jorge, Banzé!, Cérebro Eletrônico, Miho Hatori, Cidadão Instigado, Nação Zumbi, Kevin Tihista, Fujiya and Miyagi, João Donato, Eumir Deodato, Iron and Wine, Black Lips, Willy Mason. Se for ficar lembrando, vai ficar imensa essa resposta.

quais os três melhores discos de todos os tempos? e o pior?
Tô sempre mudando de opinião, mas tem uns que são hors-concours, tipo o Sgt Peppers, dos Beatles, o Kind of Blue ou o Live Evil, do Miles Davis ou o Velvet Underground and Nico - ou, cá pelas nossas terras, o Construção, do Chico Buarque e o Clube da Esquina, do Milton Nascimento. Mais fácil falar dos três que eu estou ouvindo feito louco no momento, o que não quer dizer que sejam os melhores de todos os tempos: o citado Clube da Esquina, do Milton Nascimento & Lô Borges, se tornou praticamente uma obsessão, os arranjos são fantásticos, as letras também; o Hissing Fauna, Are You The Destroyer?, do Of Montreal (sei que é meio clichê, mas "Gronlandic Edit" é demais; e voltei a ouvir o Odelay, do Beck (é legal quando a gente revisita depois de um tempo nossos discos preferidos; a gente acha que já conhece o disco de cabo a rabo, mas sempre acaba se surpreendendo). Pior disco não sei dizer, não. Não é covardia, tem muita coisa ruim, mas pior, sei lá.

quais os planos futuros da banda?
Lançar o próximo disco, intitulado Chorume, sair em turnê e já começar a pensar no próximo CD.

alguma surpresa para essa temporada? como vão ser os shows?
Vamos tocar quase que só faixas do Chorume. Os shows vão ser, eu espero, bastante animados e divertidos, com direito até a marchinha de Carnaval.


Brasa no Berlin
05/10 Numismata [SãoPaulo]
www.myspace.com/numismata
DJs: Kátia Mello e convidados

Entrada R$ 10 (com nome na lista em www.mandabrasa.com; R$ 15 na porta); a partir das 23hs

Promoção: os 25 primeiros que responderem esse email com nome completo, entrarão na festa na nossa lista vip. Só um nome por email.

Berlin
Rua Cônego Vicente Miguel Marino, 85
Barra Funda
www.mandabrasa.com
www.clubeberlin.com.br


Próximas Atrações
12/10 Numismata [temporada]
19/10 Numismata [temporada]
26/10 Seres Inteligíveis Vindos do Hiperurano


Como Chegar
É moleza. Desça a Avenida Pacaembu sentido Marginal Tietê, passe pelo Memorial da América Latina e vire à direita quando ver o Wal-Mart. Você vai entrar na Avenida Marquês de São Vicente (que passa a se chamar Norma Pierucci Gianotti). Siga reto e vire à direita na Rua Anhanguera. No final da rua há uma igreja na esquina, entre à esquerda e siga por mais 300 metros até ver o luminoso do bar. Acesse www.clubeberlin.com.br para outros caminhos, mapas e roteiros de metrô e ônibus.

Escrito por ronas às 15h40
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Perguntinhas

Saiu há pouco o representante brasileiro que vai tentar ser indicado ao Oscar de filme estrangeiro. É o belíssimo “O Ano Em que Meus Pais Saíram de Férias”. Achei ótimo. Não assisti ainda ao comentado “Tropa de Elite” (filme que muita gente gostaria de ver concorrendo ao prêmio), mas será que a gente precisava mandar mesmo um “Cidade de Deus versão BOPE” pra tentar levar a estatueta careca?

 

Arnaldo Baptista e Zélia Duncan anunciaram que estão fora dos Mutantes. Sérgio Dias e o baterista Dinho Leme vão tocar o grupo. Olha, esse retorno sem a Rita Lee era oquei, mas esquisito. No entanto, é preciso manchar de vez o bom nome de uma das maiores bandas de rock brasileiras (e talvez do mundo)?

 

O trio inglês The Police anunciou que fará show único no Brasil, no estádio do Maracanã (Rio de Janeiro), dia 8 de dezembro. Sortudos os cariocas, mas tinha que ser só lá?

 

O Arctic Monkeys, que se apresenta no Brasil no final de outubro, banda queridinha dos indies da Folha, de repente entra na parada de rádios pop-farofa de São Paulo, como a Mix FM. Que coincidência conveniente, não?

 

Amanhã tem o VMB, o prêmio Capricho da MTV. Encerrando o evento tem show do NX Zero, cujos guitarristas levam ursinhos de pelúcia no seu case. Alguém quer beber cerveja e jogar pôquer nesta quinta-feira?

Escrito por mntt às 16h14
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descendo a ladeira




Há muito tempo não espero mais que um álbum tenha todas suas faixas "boas". Aliás, há algum tempo defendo que está na hora se mudar a política de lançamento de discos. Por que 10, 12 músicas num cd se geralmente 6, no máximo, se salvam?
É claro que há excessões, e vou tratar particularmente de dois casos, para depois descer a lenha.
Dentre as últimas bandas que entraram pra prateleira - faz tempo - estão Queens of the Stone Age e Spoon. O primeiro Queens, homônimo, de 98, é um primor de barulheira dopada do começo ao fim. "R", na sequência, também traz vários "hits", bem como "Songs of the Deaf", que reapresentou Dave Grohl como o baterista que queríamos que ficasse para sempre. Depois sei lá, Josh Homme dispensou o baixista malucão peladão Nick Olivieri e tentou ficar fofo, e todos nós sabemos o que acontece quando um escroto tenta ficar fofo.
O último cd, "Era Vulgaris", de cara declarado o álbum do ano pelos apressadinhos da imprensa, desculpem-me os fãs, mas é como eu disse acima, um EP com 6 músicas daria conta do recado.

O caso do Spoon é ainda pior. Começou na sombra de Pixies/Sonic Youth mas em 2001 lançou "Girls Can Tell", um clássico do pop, que me fez assistí-los e até comprar camiseta. Depois veio "Kill the Moonlight" e "Gimme Fiction", ambos com menos frescor que "Girls..." mas ainda cheios de hits e levadas bacanas.
Agora lançaram um tal de "Ga Ga Ga Ga Ga" [se alguém souber do que se trata...] e se gostei de 3 músicas foi muito. Daí vou ver as resenhas e dão-lhe 5 estrelas.

Acho até que tem alguns discos que são mais "difíceis" e que precisam de mais audições antes de se chegar a uma conclusão. Pouco tempo atrás falei disso sobre Holly Golightly em "Slowly But Surely" e Cat Power em "The Greatest", e mais tarde esses se mostraram álbuns muito bons, tirando minhas dúvidas. Talvez seja o caso de "Era Vulgaris" e "Ga Ga Ga Ga Ga", mas eu esperava que tanto Queens como Spoon me pegassem com mais firmeza.

Sei lá, talvez devesse haver uma idade mínima pra ser crítico de música. Ou sou eu que estou descendo a ladeira, sem freio.



PS: De qualquer forma, se tiver uma chance, ouça "I'm Designer" dos Queens, e "Don't You Evah", dos Spoon.

Escrito por ronas às 21h11
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